CULTURA

A infância livre e consciência ambiental de “Para Onde Voam os Pássaros”

Com a pandemia do novo coronavírus, as salas, sejam elas de aula, cinema ou teatro, foram substituídas pela tela. Foi diante desse novo contexto que o espetáculo “Para Onde Voam os Pássaros”, do grupo potiguar Sociedade T foi planejado. A peça fala sobre aquela infância ao modo antigo, do “bodoque” ou “baladeira” para uns e “estilingue” para outros, pelos interiores do Rio Grande do Norte. É na viagem pela memória afetiva de dois irmãos que as histórias dessa infância vão sendo apresentadas ao público. A peça é o primeiro trabalho do grupo voltado para o público infanto-juvenil, o que se tornou um grande desafio, também, pela linguagem utilizada com recursos audiovisuais.

Foi uma experiência bem diferente do que tive até agora. Claro que já tínhamos lidado com vídeo antes para fazer ‘teaser’ ou gravação de um espetáculo completo. Mas foi muito pensado pra tela, como a linguagem audiovisual ia complementar essa narrativa do texto, potencializar a narrativa da peça. Foi um outro tipo de processo bem diferente. Na gravação a gente insere cartelas com títulos para dinamizar o vídeo, em alguns momentos falamos diretamente pra câmera pra aproximar o espectador que está em casa, que não vai estar na relação do ao vivo. Claro que há uma grande discussão se é teatro ou não. Talvez seja uma outra maneira de se pensar o teatro. No processo historiográfico do teatro essa linguagem sofreu muitas modificações. Não sei se tem o mesmo efeito, mas é uma nova perspectiva do teatro nesse tempo de pandemia”, explica Pablo Vieira, que faz um dos irmãos da peça.

O planejamento para a construção do espetáculo foi todo virtual e os dois atores que contracenam durante o espetáculo estavam em período de quarentena. As medidas foram adotadas para garantir a segurança de toda a equipe. A peça conta com dramaturgia de Euler Lopes (SE) e com as recordações dos próprios atores na construção do texto.

Tem uma relação de memória e afetividade muito grande minha e de Moisés porque resgata um pouco da nossa infância. Por isso trouxemos o Euler pra desenvolver esse texto, porque tínhamos a ideia, mas não a expertise pra desenvolver uma dramaturgia. Versa muito sobre essa relação de interior. Eu moro há mais de 12 em Natal, mas sou de Alexandria. Moisés é de Campina Grande e também teve essa vivência de infância muito similar à minha. A gente quis brincar, pela primeira vez fazemos algo voltado para o público infanto-juvenil, é um desafio pro grupo que já fez temas mais pesados, espetáculos mais sombrios e sóbrios, com outras temáticas. ‘Para Onde Voam os Pássaros’ se configurou como um grande desafio pra gente, tanto por causa da pandemia, como em termos de linguagem”, avalia Pablo.

Além de uma infância bem diferente da atual, mais voltada para o universo digital e individual, a peça também fala sobre consciência ambiental num momento em que parte do Brasil e até do mundo se preocupa com as queimadas no Pantanal e na Amazônia.

O grupo Sociedade T, formado em 2013, completou sete anos em 2020. Os planos de aniversário tiveram que ser substituídos por outros por causa da pandemia, mas em compensação, eles acabaram sendo contemplados pelo edital de economia criativa 2020 do Sebrae. A temporada online do espetáculo “Para Onde Voam os Pássaros” começou em 15 de novembro e já termina neste domingo (27).

Serviço

Espetáculo: Para Onde Voam os Pássaros

Como assistir: Na plataforma Sympla pelo link https://www.sympla.com.br/para-onde-voam-os-passaros-estreia-online__956465

Ingressos: R$5 + taxa da plataforma

Instagram do grupo: https://www.instagram.com/sociedadet/

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