CIDADANIA

Periferias saem em marcha pelas ruas de Natal, nesta sexta (27), contra o racismo

Ativistas que fazem parte do movimento negro, coletivos sociais e sindicatos organizaram a 5ª Marcha das Periferias em Natal. A manifestação está marcada para esta sexta (27) e tem o objetivo de denunciar a violência, o racismo, o desemprego e a exploração dos trabalhadores negros e negras nesta fase de pandemia. O ato começa às 16h30, no Carrefour da Zona Norte.

O local da Marcha é simbólico porque no último dia 19, João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, foi morto asfixiado por dois seguranças do Carrefour de Porto Alegre. O crime ocorreu na véspera do Dia da Consciência Negra. Os agressores, os seguranças Magno Braz Borges, de 30 anos, e Giovane Gaspar da Silva, de 24 anos, foram presos em flagrante na noite do crime. Uma funcionária do Carrefour que também teria envolvimento na morte de João, Adriana Alves Dutra, também foi presa no último dia 24.

“A pandemia de Convid-19 aprofundou a opressão e a exploração. Os casos de racismo, machismo e LGBTfobia foram escancarados. Seja nos Estados Unidos ou no Brasil, o racismo não deu trégua. Aqui no Rio Grande do Norte não foi diferente. A morte do jovem Gabriel nos Guarapes é exemplo disso. Um jovem negro e periférico. No que se refere ao racismo e outras formas de opressão, Bolsonaro é inimigo das negras e negros, mulheres e LGBTs. No Dia da Consciência Negra, ele diz que é “daltônico” e que todos são da mesma cor, minimizando o racismo. Isso é absurdo. E no mesmo dia recebemos a notícia do assassinato brutal do João Alberto, um homem negro”, critica Tiago Silva, um dos organizados da Marcha das Periferias em Natal.

Os organizadores do ato lembram que várias mortes provocadas pela covid-19 poderiam ter sido evitadas se a prioridade fosse as pessoas e não o lucro dos empresários.

A política do Governo Federal para a crise sanitária está sendo totalmente irresponsável. Desde o início ele minimizou a doença e foi contra a quarentena. Os governos municipal e estadual foram coniventes com as políticas do governo federal para a pandemia, pois reabriram a economia mesmo sem a pandemia estar controlada. E as pessoas pobres das periferias são as que mais sofrem com as consequências da crise sanitária, pois têm menos recursos financeiros e muitas não conseguiram se manter em quarentena, pois tiveram de dar conta de suas obrigações financeiras, e o governo não garantiu auxílio emergencial suficiente. Por isso fazemos essas ligações entra a pandemia, o racismo e os governos”, explica Tiago.

O movimento também pede a saída de Bolsonaro, Mourão e Sérgio Camargo, que está à frente da Fundação Cultural Palmares e retirou, na última semana, o nome de todos os artistas vivos da lista de personalidades notáveis negras da Fundação. Entre os nomes removidos, está o de Milton Nascimento, Gilberto Gil, Elza Soares e Martinho da Vila. A lista terá apenas homenagens póstumas.

 

Imagem: cedida I Marcha das Periferias realizada em 2019 no bairro do Bom Pastor, em Natal
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