TRANSPARÊNCIA

Pesquisador rebate críticas e mantém projeções baseadas em modelos matemáticos

O físico e pesquisador da UFRN José Dias do Nascimento Júnior tem se debruçado desde abril sobre modelos matemáticos para realizar projeções voltadas para a pandemia de Covid-19 no Rio Grande do Norte. Ele foi convidado a integrar o comitê científico local criado pelo Governo do Estado e auxilia o grupo analisando a curva epidemiológica e estimando cenários.

O pesquisador também elabora modelos para os estados do Nordeste, com especial atuação junto a físicos que atuam na consultoria para o Governo do Ceará.

Durante a coletiva de imprensa realizada pela secretaria de Estado de Saúde Pública em 6 de abril, o médico Ricardo Volpi divulgou projeções que assustaram a população. Num cenário com índices baixos de isolamento social e sem medidas efetivas de controle da mobilidade da população, a tendência apontada naquela data é de que o Rio Grande do Norte poderia chegar a 15 de maio registrando 10.586 mortes.

As projeções foram divulgadas levando em consideração três cenários diferentes: inanição (quando nada é feito para evitar a circulação de pessoas), mitigação (isolamento social na casa de 40%) e supressão (isolamento aproximado de 67%).

Os números oficiais divulgados na sexta-feira, 15 de maio, apontaram 122 mortos confirmados no Estado e 2.786 pessoas infectadas. A diferença nos dados levou parte da imprensa a ironizar as projeções da Sesap.

Procurado pela agência Saiba Mais, José Dias do Nascimento Júnior rebateu as críticas e manteve as projeções realizadas naquela data, embora utilize outra metodologia. Segundo ele, o número de quase 11 mil mortos, como está escrito no material disponibilizado à imprensa na época, fazia referência a um cenário de mitigação com isolamento social aproximado de 40%.

Os índices, no Estado potiguar, chegaram a 40%, mas entre 15 de abril e 15 de maio oscilaram entre 39% e 55%. E nesse período, reforça o pesquisador, várias medidas foram tomadas a partir de decretos estaduais.

– O governo divulgou projeções baseadas praticamente no modelo utilizado pelo doutor Ricardo Volpi, na época o modelo trazido pela Sesap. Fui convidado a participar do comitê consultivo e, nesse mesmo momento, comecei a fazer simulações e previsões com o modelo Mosaic que não tem nenhuma relação com o modelo da escola de Londres, como foi associado por jornalistas sem escrúpulos. O que temos do dia 7 de abril pra cá meus modelos confirmaram o que doutor Volpi mostrou. O que foi visto é, essencialmente, a restrição social. O fato do natalense e do mossoroense terem ficado em casa fez com que aquele cenário de 11 mil mortos tivesse sido descartado, nos afastamos da curva exponencial de crescimento livre. Então hoje temos exatamente, nas minhas projeções, a diferença entre o cenário de inação e o atual. O Rio Grande do Norte tem seguido”, rebate.

Na avaliação dele, o cenário do Rio Grande do Norte nos últimos 30 dias está entre a mitigação (40%) e supressão (67%). Isso porque no melhor cenário estimado na época, o Estado chegaria a 15 de maio com 55 mortes. Os números oficiais da Sesap apontaram naquela data, porém, mais do que dobro (122), o que leva a crer que o isolamento parcial da população deixou o Estado entre os dois cenários. Outro ponto destacado pelo pesquisador é o alto número de casos subnotificados devido à baixa quantidade de testes que os dados oficiais não levam em consideração.

– Entre o 7 de abril e hoje, o que mudou foi que a restrição social nos levou a um crescimento muito menor, como era previsto também naqueles modelos. Mas ali naquele momento a gente precisava dar os dois cenários”, explicou.

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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