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Pesquisadores levam às ruas as dores com os cortes na Ciência

Ana Luiza Campos é mestranda no Instituto do Cérebro da UFRN e uma das milhares de estudantes das instituições federais do país que sofrerão com os bloqueios anunciados na semana passado pelo Ministério da Educação. Ela também integra o grupo de manifestantes que participou do ato em defesa da ciência, tecnologia, inovação e educação realizado nesta quarta-feira (08), em Natal.

A maior revolução de quem não tem nada é a educação. A oportunidade de crescer. Os cortes são tiros na juventude inteira”, desabafa.

Além dela, Letícia Campos, de 21 anos, também lamentou os cortes: “A pesquisa que eu iria acabar no final de 2019 só poderá ser finalizada daqui a cinco anos e do jeito mais barato”, disse. A estudante, que faz Biomedicina na UFRN, pesquisa sobre o desenvolvimento de vacina, tratamento imunoterápico e diagnóstico de Leishmaniose visceral. Ela levou um cartaz com a frase “minha pesquisa salva a sua vida.”

Letícia Campos vai demorar cinco anos para terminar a pesquisa que deveria se encerrar em 2019 (foto: Júlia Carvalho)

A UFRN, IFRN e UFERSA tiveram juntas R$ 102,8 milhões bloqueados pelo Governo Federal. Cerca de R$ 60 milhões deles só na UFRN. O Governo Federal também cortou as bolsas de mestrado e doutorado oferecidas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, a Capes. Na UFRN, segundo informou a assessoria de comunicação, sete bolsas foram suspensas. Delas, quatro são de mestrado. Os estudantes iriam assumir as vagas em Engenharia Química, Saúde Coletiva, Prodema e Geodinâmica. Já no doutorado, foram suspensas as novas bolsas voltadas para Química e Petróleo.

“Muitos experimentos irão parar. As bolsas de pós-graduação são a nossa grande massa trabalhadora” lamentou Eduardo Sequerra, professor do Instituto do Cérebro. O docente também acredita que a universidade pode vir a perder os bolsistas de iniciação científica, além dos cortes de luz, segurança e limpeza. “Esse ato é pra mostrar que existe uma base por trás da tentativa da SBPC em Brasília de tentar recuperar o orçamento mínimo pra manter a ciência funcionando no país”, afirmou.

Pesquisadora na área da saúde, Kerstin Schmidt concorda: “Estamos funcionando no limite de manutenção do financiamento. Há anos a gente improvisa. Agora, ficou muito pior.” Professores da área de humanas também estiveram no ato. Os docentes, que carregavam faixas e adesivos, disseram que os cursos da área já são pobres e por isso lutam para que os recursos não diminuam.

“Não vamos deixar que cortem nossos sonhos”, desabafa Pedro Gorki

O natalense Pedro Gorki, presidente da UBES, destacou que a luta está só começando (Foto: Júlia Carvalho)

Presidente da UBES, Pedro Gorki esteve presente no ato em Natal, dois dias depois de participar da manifestação em frente ao Colégio Militar do Rio de Janeiro: “Vai ter muita luta. Não vamos deixar que cortem nossos sonhos e os estudos que nos trazem a consciência do Brasil democrático”, discursou.

Os manifestantes saíram do cruzamento entre as avenidas Senador Salgado Filho e Bernardo Vieira, pararam para uma assembleia no Anfiteatro da Praça Cívica da UFRN, e seguiram para o Natal Shopping, onde terminaram as atividades. Segundo Gorki, durante o ato, a Polícia Militar solicitou que uma faixa da avenida Salgado Filho fosse liberada. “A polícia pediu, mas o ato é da juventude e não vamos correr esse risco. O ato é pacífico e não é contra a polícia, é contra o corte de Bolsonaro e pela educação pública.”, disse o líder estudantil.

Segundo Marcos, que é coordenador nacional da Federação Nacional do Ensino Técnico, mobilizações com essas estão acontecendo em todo país. Ele também cobrou que os manifestantes incentivem o corpo de funcionários e alunos de suas instituições a estarem presentes nos futuros atos contra o desmonte.

“Para que os atos sejam maiores, é preciso que cada um mobilize seu instituto e sua universidade. O objetivo é que quem não veio hoje possa vir nos seguintes pra gente barrar essa medida de Bolsonaro de corte à educação.”

Nesta quinta-feira (9), servidores da UFRN terão uma reunião sobre o tema. Segundo Leon Nunes, que representou o grupo no ato, há um indicativo de greve do funcionalismo federal marcado para o dia 14 de junho e que será aderido pela UFRN por tempo indeterminado.

Já no sábado (11), segundo a representante do Grêmio Estudantil do IFRN, Maria Augusta,  haverá uma assembleia às 14h. Conforme a estudante, alunos do Instituto estão criando uma frente da defesa da educação pública.

Na quarta-feira (15), Guilherme Boulos, ex-candidato à Presidência do Brasil, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto e coordenador da Frente Povo Sem Medo estará em Natal para participar de mais um encontro em defesa da educação e contra os cortes de Bolsonaro. A atividade acontece também no IFRN, às 13h30.

Cruzamento entre as avenidas Salgado Filho e Bernardo Vieira ficou tomado por manifestantes (foto: Eduardo Sequerra)

Além disso, há ainda uma mobilização nacional marcada para a próxima quarta-feira, dia 15. Em Natal, a concentração acontece em frente ao IFRN Central.

A manifestação desta quarta-feira (8) aconteceu em parceria com a Secretaria Regional da SBPC no RN.

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