CULTURA

Pintor seridoense levará cotidiano sertanejo para Carrousel do Louvre, na França

As paisagens e o cotidiano de São João do Sabugi, no Seridó potiguar, vão ganhar espaço em Paris, na França. Em outubro de 2022, o artista seridoense Vandeberg Medeiros leva aquarelas com o colorido do Nordeste para a Mostra Carrousel, ambiente subterrâneo de Paris, na França, que fica entre o Museu do Louvre e a Place du Carrousel.

O pintor e professor de artes visuais do Instituto Federal de Pernambuco costuma publicar obras no perfil dele no Instagram (@vandebergmedeirosart). As pinturas são uma viagem pelo interior norte-rio-grandense, com imagens de crianças brincando pelas ruas, casas de alpendre, as tradicionais igrejas e praças do centro da cidade, além das senhoras que confortavelmente sentadas nas espreguiçadeiras observando os transeuntes. As escolhas remetem à vida do potiguar, nascido e criado no município seridoense.

Com presença consolidada na rede social, Medeiros viu sua arte atingir o pico de engajamento depois de publicar uma peça feita em homenagem à vencedora do Big Brother Brasil 2021, reality show exibido pela Rede Globo. Ele escolheu duas fotos que retratavam a vida de Juliette Freire, paraibana de Campina Grande que ganhou milhões de seguidores conhecidos como “cactos” após uma trajetória de pouco mais de três meses de programa chamando atenção para símbolos da região, como o chapéu de couro, as plantas da Caatinga, os ritmos e alimentos tradicionais daqui.

“Não sou de acompanhar Big Brother, aliás, nem televisão assisto porque não tenho tempo. Mas, por causa de Juliette, de tudo que tem em volta da figura dela, dos posicionamentos, é um fenômeno, né? Passei a acompanhar pelas redes sociais. E minha sogra e minha esposa me incentivaram a fazer essa pintura”, conta.

O primeiro quadro relacionado a ex-BBB é de uma fotografia dela com a falecida irmã, passeando de bicicleta, e foi publicado em 21 de abril. O segundo, de 8 de maio, mostra Juliette também na infância, junto a mãe e irmãos, em frente ao pequeno salão de beleza da família.

Vendeberg produziu duas obras sobre a história da advogada paraibana Juliette Freire e espera ainda conseguir entregá-las a ex-BBB. Foto: Cedida.

As duas publicações renderam milhares de curtidas, aumentaram o número de seguidores e de pedidos por trabalhos de Vandeberg. Além disso, a própria advogada paraibana comentou uma das fotos. “Que coisa mais linda”, respondeu Freire no segundo quadro, após centenas de menções ao nome dela.

 

Com o engajamento, os trabalhos dele foram vistas por uma empresa responsável por promover artistas. O material dele, que nunca foi exposto fora do país, foi inscrito e aprovado para ser exibido na mostra Carrousel.

“Na minha família, todo mundo é artista”, conta o pintor.

Vandeberg lembra de ter começado a desenhar aos cinco anos de idade e era conhecido na escola por ser o menino que desenhava “jumentos, cavalos, bois e carros”. Os pais dele são escultores de madeira. O pai produzia desde brinquedos a animais em miniatura e a mãe elaborava ex-votos, peças que representam pedidos e agradecimentos, com casas, partes do corpo humano ou roupas talhadas em madeira ou cera.

Os oito irmãos se dividem também entre a escultura, poesia e cordel. Nesse universo ligado à arte e regionalismo, o pintor nunca teve dúvida sobre a atividade profissional. Aos 18 anos, já trabalhava com isso. Depois, ingressou na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, no curso de Artes Plásticas e hoje se divide entre a pintura e a docência.

“O Nordeste é luz”, salienta.

“Sempre fui encantado pelo Sertão, pela Caatinga, por esse bioma que que a gente tem que que é único, né? Pela presença humana ali, essa cultura que a gente tem, em torno da criação de gado, que permeia muito a arte nordestina”, conta o artista. Medeiros trabalha com a aquarela, uma técnica de pintura na qual os pigmentos são suspensos ou dissolvidos em água. Isso leva a resultados que destacam a luz e a diversidade de cores nos trabalhos.

Ele conta que a escolha não é ocasional, mas faz parte do desejo de retratar a vivacidade e pluralidade de tons das cidades nordestinas.

“É uma técnica única que explora muito a água e dá a possibilidade de trabalhar bem a luz. E como o Nordeste é luz, não tem como a gente fugir da representação dessa representação”, indica Vandeberg que também usa a fotografia para registrar cenas do cotidiano da pequena cidade.

As referências do pintor seridoense vão desde a arte de Assis Marinho, paraibano Assis Marinho paraibano radicado no Rio Grande do Norte que usa técnicas de giz de cera, aquarela ou óleo para retratar as lembranças dos anos vivenciando as secas pelo sertão do Seridó, às telas dos franceses Jean-Baptiste Debret e Julien Dupré, ambos pintores franceses do século 19. Debret foi o responsável por diversas telas retratando imagens do Brasil monárquico, nos 15 anos que esteve no país, acompanhando a corte portuguesa.

A ideia de utilizar a arte como registro da memória afetiva continuará sendo a linha de orientação dos trabalhos de Medeiros para a mostra a ser realizada na França, mas ele adianta que os quadros levados à Europa ainda serão produzidos aos longo desse período de preparação. Agora, ele trabalha em questões básicas, como garantir o passaporte, por exemplo, para apreciar a própria mostra.

Errata: Anteriormente, havíamos publicado que as peças de Vandeberg Medeiros seriam expostas no Museu do Louvre, mas houve correção e a mostra será realizada no Carrousel do Louvre.

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