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PMs afrontam lei e usam viatura e sirene em ato pró-Bolsonaro em Natal

Em Natal (RN), policiais militares fardados e ocupando uma viatura oficial do Estado foram flagrados apoiando a manifestação em defesa da candidatura do capitão do Exército Jair Bolsonaro, que ocorreu domingo (30) nas imediações do shopping Midway Mall. Por lei, PMs não podem se manifestar politicamente representando a instituição onde trabalham.

Procurada pela reportagem, a Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesed) do RN se recusou a dar informações das operações realizadas nos atos contra e pró Bolsonaro, no último final de semana, para “não se envolver em questões partidárias”.

Vídeos denunciam agentes fardados em carro da PMRN que vibram e erguem as mãos em forma de revólver, com os dedos polegar e indicador simulando uma pistola. O gesto se tornou símbolo da campanha do candidato que defende abertamente armamento civil, fuzilamento de opositores políticos e tortura.

A conduta infringe várias normas do Regulamento Disciplinar da Polícia Militar, que caracteriza como transgressões disciplinares: representar a organização sem estar devidamente autorizado (29); portar-se sem compostura em local público (42); tomar parte em área policial-militar ou sob jurisdição policial-militar em discussões a respeito de política ou religião ou mesmo provocá-las (61).

Na ocasião, os policiais ligaram ainda a sirene do veículo, infringindo também o Código de Transito Brasileiro. De acordo com a alínea c, do inciso VII do artigo 29 do CBT, o uso de dispositivos de alarme sonoro e de iluminação vermelha só poderão ocorrer para prestação de serviço de urgência.

O condutor da viatura é o cabo Frederico e negou o apoio, apesar de confirmar a veracidade do vídeo.

“Eu tenho minha ideologia, mas não apoio candidato nenhum, nem A, nem B. Isso já está me causando problema demais, já me reportei ao meu comandante e não quero mais tocar pra frente isso não”, disse.

“Eu simplesmente estava passando e as pessoas estavam muito empolgadas, eu dentro do tumulto. Mesmo assim eu correspondi às pessoas independente do partido. Eu não faço parte de partido político nenhum, sou um cidadão comum”, disse o cabo, que no avatar do aplicativo de mensagens Whatsapp estampava a imagem de um botom da candidatura de Bolsonaro até conversar com nossa equipe de reportagem.

A Polícia Militar ainda não se posicionou sobre o caso.

Confira o vídeo:

 

Saiba Mais: Único helicóptero da polícia do RN sobrevoa ato pró-Bolsonaro “por acaso”

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Isabela Santos
Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais

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