CIDADANIA

Polícia Civil ainda procura capacete usado por universitário morto em Mossoró enquanto ia buscar namorada

A Polícia Civil ainda está à procura do capacete usado pelo universitário Luan Carlos, 23 anos, morto no dia 1º de julho quando passava de moto pela Avenida Lauro Monte Filho, em Mossoró. Luan tinha saído da casa de um amigo, no bairro Wilson Rosado, para buscar a namorada que estava no trabalho, no centro da cidade.

Luan (camisa azul) com o amigo Neemias I Foto: reprodução redes sociais

Eu achei estranho a demora porque ele tinha o costume de ir buscar a namorada e depois voltar pra minha casa. Ele fazia o trajeto de ida e volta em cerca de 20 minutos, mas já tinham se passado mais de 40 minutos e nada. Ele tinha saído da minha casa às 20h35 e até 21h10 não tive notícia. Vi num grupo de WhatsApp que tinha tido tiroteio na região por onde ele ia passar. Então, liguei pra namorada dele, que disse que voltou pra casa de Uber porque Luan não tinha aparecido. Foi aí que saímos pra procurar e ao chegar ao local onde ele foi atingido, encontrei sangue no chão e a chinela dele, já não havia mais viaturas por lá”, conta o amigo Neemias da Silva Marinho.

Luan foi baleado com um tiro na cabeça e o capacete só foi removido quando ele chegou ao Hospital Tarcísio Maia. Desde então, a peça desapareceu. A Polícia Civil já fez perícia na moto utilizada pelo jovem e no local do ocorrido. Pessoas que estavam no hospital no momento em que o capacete foi retirado, contaram à família da vítima que os policiais demonstraram surpresa ao constatar quem tinha sido baleado. Outra informação repassada à família de Luan, foi a de que durante toda a noite vários policiais teriam comparecido ao Tarcísio Maia para saber da história e fizeram comentários como: “fulano fez merda”, o que tem levado os parentes e amigos do jovem a acreditar que ele pode ter sido morto por engano.

A polícia passou pra gente que no dia estava havendo diligências na região e que estavam à procura de uma moto que seria parecida com a de Luan. Foi aí que ele passou e teriam pego a pessoa errada”, lamenta o amigo da vítima.

Além das perícias, a Polícia Civil já começou a ouvir parentes, amigos, testemunhas  e os policiais militares envolvidos no caso, que foram afastados das atividades na rua e estão em funções administrativas.

Estamos todos muito abalados, em especial a mãe de Luan que há alguns meses tinha sofrido um AVC e está dependendo de medicação pra tentar suportar tudo isso. Estamos com o coração dilacerado. Além de um rapaz maravilhoso, honesto e trabalhador, Luan, apesar de mais novo, desempenhava o papel de manter a casa, tinha muitas responsabilidades. Era ele o pilar financeiro da família porque, apesar de trabalhar, a mãe dele não conseguia sustentar a casa sozinha”, revela a tia de Luan que também já prestou depoimento, Andrea Lígia.

Luan (à esquerda) com Lara e Lucas, filhos da tia Andrea Lígia

O inquérito sobre a morte de Luan corre em segredo de justiça. Ele era formado como técnico em Eletrotécnica pelo IFRN e iria começar o segundo semestre do curso de Ciência e Tecnologia (CeT), da Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa), em Mossoró.

Lígia, ao centro, com o filho Lucas e o sobrinho Luan (à direita)

 

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