DEMOCRACIA

Policiais Militares prendem integrantes de movimento social e atiram em ato estudantil

Em manifestação organizada por entidades estudantis do Rio Grande do Norte contra o desinvestimento em educação pelo governo de Jair Bolsonaro, policiais militares prenderam duas mulheres integrantes do Movimento de Luta por Moradia Popular (MLMP). Estudantes tentaram se colocar à frente da viatura policial em busca de informação, mas agente da PM acelerou o veículo e atirou contra manifestantes que tentavam impedir o atropelamento dos colegas.

As mulheres foram liberadas ainda no final da tarde desta quarta-feira, depois que os policiais verificaram o equívoco sobre uso de maconha. A ação policial aconteceu na concentração do ato estudantil na Praça Cívica de Natal, quando estudantes se organizavam para sair em caminhada pelas principais ruas do centro da capital potiguar até o prédio da prefeitura.

A atividade integra a Jornada Nacional de Lutas que prevê várias atividades em todo o país ao longo do Dia do Estudante com o objetivo de chamar a atenção da sociedade sobre a importância de mais investimentos para a educação.

Sem se intimidar com o uso da força policial, os estudantes mobilizaram advogados para acompanhar o caso, estenderam suas faixas e seguiram em caminhada até o prédio da Prefeitura do Natal pedindo a saída do presidente Jair Bolsonaro e denunciando os cortes na educação que provocam impactos negativos em todos os níveis de ensino.

A jornada de Lutas na capital teve início ainda na madrugada, quando estudantes bloquearam os dois sentidos da BR-101, atearam fogo em pneus e pediram o impeachment de Jair Bolsonaro (sem partido).

“Em meio a tantos retrocessos, é compromisso político do DCE/UFRN firmar hoje que não vamos arredar o pé da luta até que esse governo genocida e seu aliados caiam pelas mãos do povo”, afirma a coordenação do DCE da UFRN presente na ação.

Cortes

Para os estudantes, desde 2019, quando Bolsonaro assumiu a presidência, ao invés de políticas voltadas para resolução de problemas reais, a educação foi escolhida como alvo de ataques, desrespeito, brincadeiras e chacotas.

A paralisia no setor teve início com o Ministro Ricardo Vélez, que não passou dos 100 primeiros dias no governo. A grande marca de sua gestão foi uma polêmica carta com slogan eleitoral para ser lida e filmada nas escolas, junto com a execução do Hino Nacional.

Desde então, a área da educação tem sofrido com sucessivos cortes no orçamento e bloqueios de verbas, especialmente as Universidades e Institutos Federais. Como justificativa, o ministro Abraham Weintraub afirmou que as “universidades que estiverem fazendo balbúrdia terão sua verba reduzida”.

A declaração motivou a maior resistência contra o governo Bolsonaro até o momento e levou mais de 1,5 milhão de pessoas às ruas. Bolsonaro respondeu chamando os estudantes de “idiotas úteis e massa de manobra”.

Universidade para poucos

Outra marca do governo Bolsonaro tem sido o desmonte das políticas de acesso à universidade. Para o Ministro da Educação, Milton Ribeiro, a universidade é ‘para poucos’.

Intervenções

Desde 2019, a governo tem feito intervenções na democracia interna das instituições de ensino.  Sem respeitar os resultados das nomeações para reitoria de IFs e universidades, o governo Bolsonaro faz as nomeações dos reitores a partir das suas próprias preferências. A partir dessa ação, coloca-se em prática uma série de ações autoritárias, como perseguição aos estudantes, professores e funcionários, às suas entidades representativas e fechamento de instâncias de discussão.

Paralisia

O governo tem ignorado, ainda, os principais programas federais para a educação pública. Entre eles, o mais importante é o Fundeb que segue escanteado pelo governo. Outros programas também carecem de atenção como o Mais Educação, Mais Alfabetização, Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), Programa Nacional de Apoio ao Transporte do Escolar (PNATE) e Programa de Apoio à Implementação da Base Nacional Comum Curricular (ProBNCC). O Plano Nacional de Educação também segue sem nenhuma definição.

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