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Políticos tradicionais do RN investem na linha “oligarquia sem sobrenome” em 2018  

“Mate o homem, mas não troque o nome”.

Para determinadas oligarquias tradicionais do Nordeste, pouco vale o ditado popular.

Principalmente em ano eleitoral, quando o que está em jogo é o apoio do eleitor.

Em tempos de crise, o genérico sai mais em conta que o original.

A linha “oligarquia sem sobrenome” tem sido tão usual no Rio Grande do Norte que virou tendência.

No Estado potiguar, latifúndio das oligarquias Alves, Maia e Rosado, representantes dessas famílias tradicionais, reunidas em 2018 numa única chapa, vêm tentando apagar seus sobrenomes da campanha.

O ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves, por exemplo, iniciou a carreira política no PMDB controlado pelo tio Aluízio Alves, ensaiou uma independência em 2002 ao trocar de Partido, mas voltou a apoiar e a receber o apoio dos primos Henrique Alves e Garibaldi Alves Filho.

Nos materiais de campanha, o ex-prefeito não tem mais sobrenome. Em nome do marketing, Carlos Eduardo tenta já há alguns anos esconder a origem oligárquica da família Alves.

A estratégia de Carlos Eduardo Alves parece ter inspirado o xará publicitário Carlos Eduardo Ciarlini, indicado para o cargo de vice na chapa do ex-prefeito de Natal.

Representante da nova geração da oligarquia Rosado, família tradicional que domina a política de Mossoró há décadas, Kadu Ciarlini optou pelo sobrenome da mãe, atual prefeita e muito mais popular que o pai, o ex-deputado estadual Carlos Augusto Rosado, homem que tem dinheiro, mas não tem voto.

Dessa forma, em 2018, Carlos Eduardo Alves mantém o modelo genérico Carlos Eduardo enquanto Carlos Eduardo Rosado lança a linha light Kadu Ciarlini.

Ao lado das famílias Alves e Rosado, a chapa do pré-candidato ao Governo ainda tem o peso da família Maia. O senador José Agripino Maia, que vez por outra também aparece sem sobrenome, desistiu da reeleição, vai tentar uma vaga na Câmara Federal, mas segue apoiando Carlos Eduardo Alves

A nova moda parece uma tendência regional.

Como dá para perceber na foto abaixo, parte da família Sarney/Murad, que dominou o Maranhão por décadas, também optou pela versão genérica. Assim, a ex-governadora Roseana Sarney modelo 2018 é apenas Roseana. Do mesmo modo, o cunhado dela e empresário Ricardo Murad lançou a linha simples Ricardo. E a filha de Murad, a deputada estadual Andrea Murad, adotou o modelo sem sobrenome ou qualquer outro acessório nas eleições deste ano.

Tal qual o Rio Grande do Norte, no Maranhão também é assim.

Oligarquia boa é aquela sem sobrenome, sem referência, sem passado, mas no presente e de olhos bem grandes no futuro.

 

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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