CIDADANIA

População em situação de rua desmente Prefeitura e quer negociar para evitar despejo das 30 famílias no Baldo

O movimento de pessoas em situação de rua de Natal desmentiu neste sábado (22) as informações divulgadas pela secretaria municipal de Trabalho e Assistência Social sobre as ações voltadas para o setor durante a pandemia.

Em nota encaminhada à agência Saiba Mais, a Semtas afirmou que a prefeitura disponibilizou quatro abrigos temporários para receber as pessoas em situação de rua da capital e, quando questionada sobre as 30 famílias abrigadas na área externa do viaduto do Baldo ameaçadas de despejo, a assessoria disse que os abrigos do município estariam à disposição.

O PopRua classificou como “lamentável” essa informação e pontuou que são três, e não quatro, os abrigos criados pela prefeitura. Ainda assim, ao contrário do que informou a Semtas, apenas a estrutura localizada no bairro Petrópolis estaria recebendo pessoas encaminhadas pelo Centro Pop Natal:

– Precisamos publicizar que não existem 4 abrigos temporários, mas somente 3, sendo que a Semtas não deixou explícito que somente o Abrigo Petrópolis está no modelo de triagem recebendo a população em situação de rua encaminhada através do Centro Pop Natal. É no Abrigo Petrópolis onde as pessoas abrigadas passam 14 dias em isolamento e, só após esse período, são encaminhadas para as duas escolas municipais, que servem de abrigos temporários”, diz um trecho da nota do movimento PopRua.

A prefeitura de Natal deu sete dias para que as 30 famílias abrigadas na área externa do viaduto do Baldo deixem o local por livre e espontânea vontade. Após esse prazo, segundo comunicado emitido pela Semsur, os moradores serão despejados. No aviso, a prefeitura se refere às famílias como “invasores”.

O PopRua também destaca que o Abrigo Petrópolis não será suficiente para alojar as 30 famílias que moram hoje em abrigos improvisados com papelão e madeira na área do Baldo“ tendo em vista que já existem cerca de 15 pessoas em situação de rua abrigadas na modalidade de isolamento. As escolas municipais que servem de Abrigos Temporários de Natal para a população em situação de rua não operam no sistema “portas abertas”, não é somente as pessoas em situação de rua chegarem nas escolas municipais e serem recebidas, é necessário trazer a verdade dos fatos para o conhecimento da sociedade natalense”, dizem os ativistas.

O Movimento Nacional da População em Situação de Rua no Rio Grande do Norte espera que a prefeitura negocie com os moradores antes de efetuar o despejo ao final do prazo estabelecido. Parlamentares já se manifestaram nas redes sociais contra a execução do despejo, a exemplo da vereadora Divaneide Basílio (PT) e da deputada federal Natália Bonavides (PT). O movimento também cobra um plano de habitação para abrir o segmento:

– Como se houvesse uma estratégia de abrigamento familiar. Infelizmente ainda precisamos avançar bastante na política de abrigamento e habitação em Natal. Esperamos que a Prefeitura do Natal negocie com as famílias da ocupação Viaduto do Baldo e crie um efetivo plano de habitação para elas, como para toda a população de rua”, finaliza a nota.

Alvo de outro despejo, MLB se solidariza com pessoas em situação de rua no viaduto do Baldo

Foto: Acervo Pessoal

Próximo do viaduto do Baldo, onde 30 famílias montaram abrigos na área externa da estrutura de concreto e cimento, outro grupo de pessoas convive com ameaças de despejo há pelo menos dois anos. A ocupação Pedro Melo, organizada pelo Movimento de Lutas nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), também tenta sensibilizar a sociedade para evitar a desapropriação do prédio onde funcionou o antigo albergue da Ribeira e que abriga atualmente 21 famílias. Em nota, o MLB se solidarizou com as pessoas em situação de rua do Baldo:

– O MLB vem a público mais uma vez, denunciar a postura da prefeitura da cidade do natal, que vem implementando sua política de despejos em tempos de covid-19.

A exemplo da ocupação Pedro Melo, no último dia 20/08/2020 (quinta feira), trinta famílias receberam a visita da semsur, que trazia consigo uma notificação aonde diz que as famílias terão um prazo de sete dias para deixar o local, sem apresentar nenhuma alternativa de para onde irar tantas pessoas, justamente quando os números voltam a preocupar a secretaria de saúde.

Chega, não podemos vê essa situação e ficar calado.

O MLB presta toda solidariedade e apoio ao poprua e as famílias que se encontram vivendo hoje em situação de rua.

#lutarnãoécrime

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"