DEMOCRACIA

Por que a mídia chora quando o MST sobe a rampa da governadoria

A governadora Fátima Bezerra (PT) abriu as portas da governadoria para dirigentes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra pela segunda vez em 2019 essa semana. Nada mais natural, em se tratando de um governo popular, progressista e alinhado aos movimentos sociais.

Pouquíssimos governos no Rio Grande do Norte permitiram que trabalhadores sem terra subissem a rampa que leva ao gabinete da governadora. As raras ocasiões ocorriam na base da pressão, e não do diálogo. Quando o MST fechou em 2015 um dos acessos ao aeroporto internacional de São Gonçalo do Amarante, por exemplo, Robinson Faria preferiu descer a rampa e falar fora do gabinete com a militância.

Tentou vender, na época, a embalagem de “governador do diálogo”, mas na verdade estava apenas sucumbindo a uma das primeiras pressões a que seria obrigado a enfrentar durante o mandato.

A imprensa, não é de hoje, trata o MST como um movimento terrorista que invade propriedades alheias. A mídia prefere criminalizar ao papel de informar que lhe cabe. Nascido em Cascavel (SC) em 1984 reivindicando, entre outras pautas, a reforma agrária num país onde a grande quantidade de latifúndios é proporcional à pouca e injusta distribuição de terras, o MST é um dos maiores e mais importantes movimentos sociais da América Latina.

O Rio Grande do Norte possui aproximadamente 200 assentamentos e mais de três mil famílias acampadas, sem terra e casa para morar. Se essa realidade não é prioridade para a imprensa que desinforma, Fátima Bezerra demonstrou em menos de quatro meses que para um governo dito popular é prioridade sim, ainda que a calamidade financeira do Estado frustre as primeiras expectativas tanto do servidor como do trabalhador sem terra.

Dos encaminhamentos do encontro, o Governo prometeu estudar a viabilidade jurídica da doação de um prédio do Estado para os trabalhadores já acampados no local, em Mossoró. O espaço estava ocioso e já serviu de instalações para uma creche. Ainda não é possível prever o desfecho do caso.

Ao lado da governadora, na audiência com o MST, estavam os titulares das secretarias de Educação; Trabalho e Ação Social; Reforma Agrária; além de Mulheres, Juventude e Direitos Humanos.

Ninguém comentou, mas há um fato simbólico no encontro: não havia ninguém da área de Segurança Pública.

Esse talvez seja o principal recado do atual Governo para a imprensa que desinforma e, sobretudo, para os antipetistas de plantão.

O MST não é caso de polícia, mas de justiça social.

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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