TRANSPARÊNCIA

Por que ida de Fábio Faria para ministério das Comunicações valoriza bancada evangélica e operação impacto

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O anúncio feito pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) do deputado Fábio Faria (PSD) como novo ministro das Comunicações mexe no parlamento federal e municipal em Natal.

A vaga herdada na Câmara dos Deputados será ocupada pela atual vereadora de Natal Carla Dickson (PROS), que integrará a chamada bancada da Bíblia. Ela é membro da Assembleia de Deus e tem sua base eleitoral entre os evangélicos.

Médica com especialidade em oftalmologia, Carla Dickson é casada com o deputado estadual Albert Dickson (PROS) e ficou conhecida nacionalmente em 2018 quando se posicionou contra a liberação do casamento interespécies, ou seja, entre animais de espécies diferentes. Ela se baseou numa fake news criada pelo perfil de humor Joselito Muller.

Somos contra o aborto, a eutanásia, contra legalização das drogas, a liberação dos jogos de azar e contra a liberação do casamento entre interespécies”, disse a então candidata à deputada federal.

Carla Dickson virou notícia nacional por acreditar em fake news

Com Carla Dickson assumindo a vaga de Fábio Faria no Congresso, a cadeira dela na Câmara Municipal de Natal será ocupada pelo vereador César de Adão Eridan, filho do ex-vereador Adão Eridan condenado em 2012 pelo juiz Raimundo Carlyle no processo conhecido como “operação Impacto”, esquema de recebimento de propina envolvendo parlamentares, assessores e empresários em troca de apoio na votação de revisão do Plano Diretor de Natal, em 2007.

Além de Eridã, foram condenados ainda Emílson Medeiros, Dickson Nasser, Aluísio Machado, Sargento Siqueira, Geraldo Neto, Renato Dantas, Carlos Santos, Salatiel de Souza, Júlio Protásio, Adenúbio Melo, Aquino Neto, Adão Eridan; os assessores Hermes Fonseca, Klaus Charlie e Francisco de Assis Jorge, além do empresário Ricardo Abreu, dono da Abreu Imóveis.

Adão Eridan colocou o filho para concorrer ao parlamento municipal após condenação em 2012.

Parte dos vereadores condenados em 2012 apoiaram familiares nas eleições de 2016, já que ficaram inelegíveis. Entre os parentes que conseguiram se eleger na esteira dos familiares condenados estão Ana Paula, esposa de Júlio Protásio, e Preto Aquino, irmão de Aquino Neto.

César de Adão Eridã, filho de Adão Eridan, obteve 2.768 votos em 2016 e ficou na primeira suplência. Assume agora a vaga e tem seis meses de mandato.

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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