OPINIÃO

Por uma Natal com horizontes

Foto: Pedro Gorki

Hoje fui até a Vila de Ponta Negra pegar um peixe fresco, com todo cuidado e distanciamento, pescado pelo querido amigo do mar Zé Luiz.

No caminho eu vi um careca que me fez refletir sobre muita coisa. Mas não era Foucault e nem Drummond, o careca era o Morro: cartão-postal da nossa encantadora cidade.

Ao vislumbrar tal beleza, fui tomado por sentimentos saudosistas e por uma forte inquietude.

Que nostalgia eu sinto ao olhar esse aglomerado de areia, que forma uma duna de mais de 100 metros, que já foi paisagem de tantas manhãs calorosas, fins-de-tarde poéticos e noites badaladas para o povo da minha cidade.

Olhando o morro, consigo sentir na ponta da língua o gosto gelado do dindin misturado ao doce sabor do coco fresco. Eu sinto a ventania que me bagunçava os cabelos em cada passeio com amores e amigos. Mais ainda, sinto o salgado do mar que me tomava o corpo inteiro quando submergia nessas águas onde aprendi a nadar com minha família. Águas onde meu avô pescador encontrou o sustento da minha família.

Mas esse gostoso sentimento nostálgico logo é superado por uma crescente inquietude.

Me indigno porque não aceito que essa linda vista desapareça diante da sombra dos espigões. Me inquieto porque não concordo com uma verticalização desmedida dessa e de outras orlas, que é proposta do empresariado e da Prefeitura no Plano Diretor do Natal.

Sou um dos milhares de natalenses que não aceitam a perda do direito à paisagem por conta dos interesses privados da especulação imobiliária e por isso se revoltam.

Eu me revolto porque não aceito que o nosso Morro morra para os olhares natalenses. Assim como aconteceu com o Farol de Mãe Luiza, que foi apagado pelos espigões.

Eu me revolto porque quero olhar pra Natal e enxergar um horizonte: de belezas e esperanças. ❤️

Obs: foto que tirei hoje durante a travessia.

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