CIDADANIA

Potiguares marcam presença na Olimpíada Brasileira de Astronomia com um olho nos livros e outro nas estrelas

De onde viemos? Para onde vamos? Quem nunca se fez esse tipo de pergunta? No caso de Osli Fernandes, um aluno de 15 anos do segundo grau em Natal (RN), o questionamento veio bem cedo, quando ele ainda tinha sete anos e foi levado pelo irmão mais velho para acompanhá-lo num curso do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN). Esse foi só o primeiro passo de Osli em busca de respostas para entender a imensidão do Universo onde vivemos.

“A astronomia sempre trouxe respostas às perguntas que fazia quando olhava para o céu. Quero entender como o universo se formou e como as coisas ao meu redor funcionam dessa forma. A partir desse curso, no qual acompanhei meu irmão, passei a ver filmes e documentários sobre o tema”, conta Osli, que como quase todo admirador da ciência dos astros, já assistiu ao programa Cosmos, criado e apresentado inicialmente pelo cientista Carl Sagan nos anos 80 e regravado por Neil Degrasse Tyson, em 2014.

Tanta admiração e dedicação aos estudos levou Osli a ganhar duas medalhas de ouro consecutivas, em 2019 e 2020, nas Olimpíadas Brasileiras De Astronomia e Astrofísica (OBA). A OBA é realizada desde 1998 pela Sociedade Astronômica Brasileira  com estudantes de escolas públicas e privadas e, pela primeira vez, ela foi realizada no formato virtual. Ele também foi medalhista das Olimpíadas de Matemática no Rio Grande do Norte em 2020 e passou para a segunda fase da Olimpíada Brasileira de Ciências, que será realizada em janeiro. Os bons resultados permitiram que o estudante fosse pré-selecionado para a Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica e para a Latino-americana. Mas, apesar do pré-convite, ele ainda vai fazer três provas seletivas; a primeira no final de janeiro, a segunda no início de fevereiro e a terceira no final de fevereiro. Apenas aqueles estudantes classificados entre os 150 primeiros do Brasil serão selecionados.

Apesar de estudar em uma escola particular, onde supostamente os estudantes têm uma melhor estrutura à sua disposição, Osli conta que também sentiu dificuldades por onde passou. Em um ano de aulas presenciais suspensas por causa da pandemia do novo coronavírus, manter o ritmo e disciplina nos estudos pareceram grandezas até inversamente proporcionais.

“Nesses anos todos de escola meus colegas não se interessavam pelo assunto e achavam estranho que eu gostasse tanto de pesquisar sobre o espaço. Em 2020 estava com aulas presenciais quando houve o decreto de suspensão. Em uma semana houve a preparação da escola e aulas foram retomadas de forma virtual. O aprendizado é melhor presencialmente. Não conseguiu absorver muito, tive que ter mais força de vontade, os professores não tinham como dar aquela assistência como nas aulas presenciais. Cada um tem suas particularidades, tem gente em casa onde há mais barulho e sem tantas condições. Tinha dias aqui em casa em que realmente fazia barulho, eu procurava algum lugar da casa. Minha mãe sempre esteve me apoiando. Todos na casa têm que ter essa consciência. Para esse ano, ainda não sabe se será presencial, online ou híbrido. Independente disso, vou manter meu esforço que é o que conta no final”, se compromete.

Um dos grandes incentivadores de Osli é o irmão que hoje tem 22 anos e cursa Direito na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Os dois juntaram dinheiro e com a ajuda da mãe compraram um telescópio 114mm que já foi usado para fotografar a lua. A observação mais recente foi a do alinhamento dos planetas Júpiter e Saturno, no final de dezembro de 2020.

Hoje, 9 de janeiro, é comemorado o dia do astronauta. A data é uma alusão ao mesmo 9 de janeiro de 1961, quando o astronauta russo Yuri Gagarin disse que a Terra era azul.  Em um país onde a inteligência tem sido atacada e o estudo é tão pouco valorizado, é sempre importante jogar luz sobre o caminho dos que insistem em seguir pela trilha do conhecimento. Além de Osli, estudantes de escolas particulares e dos Institutos Federais de Apodi, Ipanguaçu, Pau dos Ferros, Parnamirim, Santa Cruz, São Gonçalo do Amarante e São Paulo do Potengi também conquistaram medalhas na Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astrofísica.

Foto da lua feita em 2020 por Osli com o telescópio comprado com o irmão
Osli acompanhado da mãe, Suely, e do irmão, Olisuel.
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