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Potyguara Bardo leva para o DoSol “sarrada holística”, pop e questões existenciais

Letras com sinceros questionamentos existenciais, “sarradas holísticas”, lambada e um pop deliciosamente despreocupado são elementos que parecem distantes, mas se harmonizam no elogiado Simulacre, álbum de estreia da drag Potyguara Bardo, uma das atrações da noite de abertura do Festival DoSol, neste sábado, 24, em Natal. O festival que acontece no Beach Club, na Via Costeira, conta ainda com shows de Céu, Letrux, Carne Doce e outras 50 atrações nessa que é a sua edição de 15 anos.

Com um nome que não esconde sua origem, extraído das tribos originais do Rio Grande do Norte, Potyguara fez sua primeira performance como drag em 2015, na cena alternativa das festas de house da rua Chile, no bairro da Ribeira. Tudo isso ao mesmo tempo em que crescia a valorização da cultura drag, impulsionada pelo reality show RuPaul’s Drag Race.

Ali, José Aquilino enxergou uma forma de dar vazão a sua arte. Algo que sempre quis fazer desde pequeno. A partir de sua persona drag, encontrou uma maneira livre, distensionada, para expressar-se como performer, cantor e compositor.

“Eu sempre escrevi e queria atuar quando era criança, e não achava que tinha possibilidade de atuar em Natal. Na minha adolescência toda eu escrevia, fazia poesia. E quando conheci melhor o mundo drag, vi as possibilidades que essa plataforma permitia. Comecei performando para extravasar essa necessidade antiga de atuar, performar e expressar a minha arte. Com o tempo, surgiu a música na minha cabeça”, diz.

Simulacre mostra os caminhos de uma persona que orbita entre vários mundos. Sem sacralizar uma busca por respostas para dúvidas existenciais, mistura esses questionamentos com samples de famosos memes de internet, por exemplo. Um estranho, mas bonito equilíbrio surge entre as faixas do álbum. Uma harmonia que fica visível na performance de Potyguara nos palcos.

“A minha drag é muito sobre esses dois mundos, sobre o masculino e feminino, sobre o sagrado e o profano. Sobre o existencialismo e o escapismo do pop. Nós todos vivemos nesses dois mundos, enquanto conseguir fazer uma coisa coesa, que caiba os dois, vai ser melhor pra mim e vai ser melhor para o público”, analisa. 

Potyguara Bardo participou da Incubadora DOSOL, que revela novos talentos da música potiguar (foto: Divulgação)

Parece que, mesmo nas faixas mais melancólicas, Potyguara tenta espalhar uma mensagem positiva sobre alcançar a plenitude, a partir da liberdade causada pelo que chama de “morte do ego”. Buscando aprender sobre os aspectos complexos da existência como solidão, rejeição e a busca pelo amor próprio.

Sem esconder conflitos, entende que desligar-se da culpa é uma forma de encontrar lucidez, não aceitando a ideia de que a existência precisa ser construída como uma sentença. Uma mensagem necessária num cenário em que, segundo a Organização Mundial de Saúde, um em cada cinco jovens enfrenta questões de saúde mental.

“A principal mensagem que quero passar com meu trabalho é que vale a pena viver, que a vida tá aqui para ser vivida, nós escolhemos estar aqui para experenciar o que estamos vivendo. E quando a gente tem vontade de morrer, é uma falha da matriz, e é um sinal de que estamos distantes do nosso caminho. Mas vale a pena continuar, pois a gente escolheu estar aqui”, reflete.

Simulacre é um dos projetos da Incubadora Dosol, iniciativa que abre espaço para produzir novos talentos da música local. Em pouco mais de três meses, a boa resposta do público ao álbum colocou Potyguara no palco de importantes festivais regionais, como o MADA (Natal) e o Coquetel Molotov (Recife). Nas redes sociais, os fãs da Poty, como é chamada, pediam a inclusão do show nos festivais. Sem agentes ou experiência, na disputada cena alternativa nordestina, ela considera “surreal” ter, em tão pouco tempo, se apresentado em palcos tão relevantes.

“Tô muito feliz de ter participado dos maiores festivais da região, mas muito ansioso para ver o que pode sair daí. Isso é muito louco porque , necessariamente, não tenho contato ou Know how no mundo da música e foi algo orgânico [a participação nos festivais], a partir do material que lancei. Isso valida muito a minha arte, pois não tinha ideia de como o trabalho seria recebido”, conta.

Simulacre está disponível em todas as plataformas digitais e ainda conta com participações da drag potiguar Kaya Conky e de Luísa Guedes, vocalista de Luísa e os Alquimistas. Recentemente, Potyguara participou de uma sessão produzida pelo Dosol TV, no vídeo abaixo você confere o resultado e conhece mais sobre o trabalho da “cantriz holística”, como se define em suas redes sociais.

Confira a programação completa do da edição 2018 do Festival Do Sol

FESTIVAL DOSOL 2018
dias 24 e 25 de novembro, Beach Club, Via Costeira.

Ingressos antecipados:
www.sympla.com.br/festivaldosol2018 ou nas lojas Chilli Beans Natal Shopping e Midway.

SÁBADO, 24 DE NOVEMBRO

PALCO RED BULL MUSIC
16h30: Ardu (RN)
17h30: Nação Zambêracatu (RN)
18h30: Bex (RN)
19h30: Sinta a Liga Crew (PB)
20h30: Skarimbó (RN)
21h40: Hurtmold (SP)
23h10: Metá Metá (SP)
00h50: Céu (SP)

PALCO NATURA MUSICAL
18h: Sourebel (RN)
19h: Baleia (RJ)
20h: Talma&Gadelha (RN)
21h: Trombone de Frutas (PR)
22h30: Luísa e os Alquimistas (RN)
00h: Orquestra Greiosa (RN)

ARENA OI
16h: Eliano (RN)
17h: Acruviana (RN)
18h: Androide Sem Par (RN)
19h: Luaz (RN)
20h: Ângela Castro e Buena Onda (RN)
21h: Edgar (SP)
22h30: E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante (SP)
00h: Joe Silhueta (DF)
After
02h20: DJ Patricktor4 (PE) – Baile Tropical

PALCO DOSOL SESSIONS
16h30: Torre (PE)
17h30: Taunting Glaciers (SC)
18h30: Acidental (SC)
19h30: Branda (GO)
20h30: Bratislava (SP)
21h40: Catavento (RS)
23h10: Potyguara Bardo (RN)

DOMINGO, 25 DE NOVEMBRO

PALCO RED BULL MUSIC
16h30: Mad Grinder (RN)
17h30: Camarones Orquestra Guitarrística (RN)
18h40: Huey (SP)
19h50: Radiola Serra Alta (PE)
21h: Rashid (SP)
22h20: Letrux (RJ)

PALCO DOSOL SESSIONS
16h30: Lo-Fi (SP)
17h30: VelociCrew (RN)
18h40: Lupa (DF)
19h50: Demonia (RN)
21h: Rodrigo Alarcon (SP)
22h20: Damn Youth (CE)

PALCO NATURA MUSICAL
17h: Joseph Little Drop (RN)
18h: Canto dos Malditos na Terra do Nunca (BA)
19h10: Plutão Já Foi Planeta (RN)
20h20: Carne Doce (GO)
21h40: Molho Negro (PA)

ARENA OI
16h: New Fight (RN)
17h: Galactic Gulag (RN)
18h: Ator Morto (SP)
19h10: Facada (CE)
20h20: Merdada (ES/CE)
21h40: Pense (MG)

 

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Jornalista e militante de direitos humanos

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