OPINIÃO

Precisa-se de um Presidente

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Em uma semana que foi exposta a briga interna por poder e dinheiro dentro do PSL, o Presidente se apequenou mais uma vez. Foi gravado negociando a retirada de um aliado da liderança do partido na Câmara dos Deputados, isso para colocar no lugar o filho. Ao que parece, o núcleo duro do Bolsonarismo já não tem mais espaço nem para quem tem ideias tão tolas e reacionárias quanto as do Presidente.

A razão para isso está no dinheiro, o PSL terá acesso a um fundo eleitoral de pelo menos R$ 268 milhões no ano que vem. Mas se tem algo que ainda une o partido é que as duas alas, que agora se digladiam por toda essa grana, tem igual conivência e contato com esquemas de candidaturas falsas e recolhimento de dinheiro por laranjas. Seja em Pernambuco com Luciano Bivar, desafeto do Presidente, seja em Minas Gerais com o Ministro do Turismo Marcelo Álvaro Antônio, aliado de Bolsonaro. Sem contar o Queiroz, que foi esquecido pela Polícia Federal, mas é apontado como articulador do esquema de Flávio Zero Um na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Nesse lamaçal, não faltam ataques de nível infantil entre alas do partido, gravações, e ficou às claras o esquema profissional de uso de redes sociais para disseminação de Fake News contra os desafetos do presidente. Essa seria apenas uma crise desengonçada, das muitas que só Bolsonaro é capaz de criar, mas é sintoma de um problema muito maior: a total falta de entendimento de Bolsonaro sobre as prioridades de sua atuação como Presidente. E antes que só o Presidente e sua turma de birutas fosse afetada por isso, todo o país é tragado para o improviso e para a gambiarra que são a tônica dessa gestão.

Nas praias do litoral do Nordeste isso ficou claro. Foi no braço que trabalhadores apareceram limpando as praias, mesmo com o risco de contaminação por óleo. Já o Governo Federal reage de maneira lenta e confusa, fazendo muito pouco para ajudar a reduzir os efeitos dessa grave tragédia que há mais de 50 dias atinge nossa costa. Só na segunda, 21, o vice-presidente anunciou a convocação de tropas federais para ajudar na limpeza das praias. E o Ministro Salles só formalizou um plano de ação 41 dias depois que o óleo já deixava suas marcas nas nossas praias e na pele do nosso povo.

É preciso lembrar que a região de costa é de responsabilidade federal e o Governo Bolsonaro não colocou em operação o Plano Nacional de Contingência para Incidentes de Poluição por Óleo em Água (PNC), instituído em 2013. Bolsonaro também acabou com os dois conselhos que eram responsáveis pela execução do plano em caso de tragédia, como a que enfrentamos agora. Uma das explicações possíveis para a demora do governo no combate às manchas de óleo. Um governo desorganizado que vive de intrigas palacianas e que joga fora planos e boas ideias só porque estas vieram de outra administração.

Ele alimenta, mais uma vez, uma teoria da conspiração que não para em pé, ao invés de usar de sua posição como Presidente para mostrar aos brasileiros e ao mundo que se importa com o maior desastre ambiental de nossa costa. Enquanto isso, o óleo segue avançando das praias para a foz dos rios, onde estão os estuários e mangues, ecossistemas fundamentais para o equilíbrio da fauna marinha.

A esfera federal tem acesso privilegiado a recursos, a maquinário, pessoal especializado, mas o governo Bolsonaro fez a escolha consciente pela a omissão. Deixando o Nordeste à própria sorte. Ao mesmo tempo, seu ministro antiambiental, Ricardo Salles, questiona porque as ongs não estão limpando as praias. Como ousa? Um governo inoperante cobrando dos outros a sua responsabilidade.

No meio disso tudo, a prioridade do Presidente é dar mais protagonismo para o filho dele no governo. Sobre o óleo, o Ministério Público Federal já entrou com ação contra o governo federal por omissão. E a Justiça Federal, em Alagoas e Pernambuco, já obrigou que a União coloque em operação algum plano de contingência para aplacar a tragédia. A omissão calculada do Presidente custará caro para o povo do Nordeste, que tem parte da sua economia intrinsecamente ligada ao litoral e ao mar.

O fato é que ainda não temos um Presidente, desses que entendam o mínimo sobre o tamanho do cargo. O que temos é muito improviso, típico dessas gambiarras ruins que fazemos em casa. Essas que resolvem o problema por enquanto, mas a gente sabe que vai acabar dando uma dor de cabeça ainda maior depois.

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