TRANSPARÊNCIA

Prefeito de Natal anuncia distribuição de remédio sem eficácia comprovada contra Covid-19 a quatro meses das eleições

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O prefeito de Natal, Álvaro Dias (PSDB), anunciou por meio do twitter, no começo da tarde desta terça-feira (30), que vai distribuir um milhão de comprimidos de Ivermectina para população. No anúncio, o prefeito não detalha quando começa a distribuição do medicamento ou os critérios para o recebimento. “Vamos iniciar um trabalho de distribuição em massa da Ivermectina, com todo o acompanhamento médico necessário”, comentou.

A Secretaria de Saúde de Natal (SMS) publicou um protocolo para orientar médicos e profissionais de saúde em geral sobre o atendimento a pacientes com Covid-19, infecção causada pelo novo coronavírus. Nele há a indicação da Ivermectina como medida de prevenção.

Para Álvaro Dias, o uso da ivermectina é comprovadamente eficaz contra o coronavírus. “Está comprovado que esse medicamento é eficaz na prevenção do coronavírus e vamos usar essa arma em nosso favor para vencer a guerra contra essa pandemia”, afirma o prefeito.

Não são citados estudos que comprovem a eficácia de nenhum dos remédios para conter a Covid-19. Em coletiva de imprensa nesta segunda (29), o prefeito afirmou que “está comprovado, pelo nosso entendimento, de que é a forma mais eficaz da prevenção”do coronavírus”. Ele disse ainda que o medicamento será disponibilizado no Centro de Profilaxia que deve ser montado ainda esta semana na Zona Norte da capital e nas demais Unidades Básicas de Saúde junto a outros medicamentos necessários para o tratamento do coronavírus.

Desde o início de junho, a prefeitura de Natal tem fornecido o antiparasitário para profissionais de saúde, como medida de “prevenção” a Covid-19. Um estudo da Antiviral Research feito em laboratório mostrou que a ivermectina foi capaz de inibir a replicação do SARS-CoV-2. Em humanos, as pesquisas não tem resultados conclusivos divulgados. Portanto, não há comprovação de eficácia do medicamento, como alegou Álvaro Dias.

A Ivermectina é um medicamento utilizado há décadas para tratar algumas infecções em humanos – também para combater parasitas em animais, embora sob outra fórmula. Na sua versão veterinária, é bastante indicado para acabar com sarnas em gatos e cachorros, por exemplo. Em estudos anteriores e preliminares, o medicamento se mostrou eficaz também para frear a replicação de alguns vírus, como o da AIDS e o da dengue, mas nunca foi aprovado para tratar essas doenças.

Em um dos boletins da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre drogas potenciais em teste para combater a Covid-19, divulgado no final de maio, a entidade cita este estudo in vitro e dois clínicos observacionais já concluídos com a ivermectina. Em relação aos estudos em humanos já finalizados, que apontaram uma melhora no quadro de quem usou o medicamento, a OMS classifica-os com o grade (avaliação e classificação da qualidade das pesquisas) mais baixo, indicando que há pouca certeza sobre a confiabilidade dos resultados.

De acordo com a organização, ainda não há evidências suficientes para que se tenha qualquer conclusão sobre os benefícios ou perigos do uso medicamento contra a Covid-19.

Com informações da Agência Lupa

 

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Kamila Tuenia
Jornalista potiguar em formação pela UFRN, repórter e assessora de comunicação.

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