TRANSPARÊNCIA

Prefeitura de Natal já bloqueou ou desativou 19 UTIs nos hospitais municipal e de Campanha

O anúncio feito pelo prefeito de Natal Álvaro Dias (PSDB) sobre a desativação de leitos de UTIs nos hospitais administrados pelo município em plena pandemia surpreendeu a cidade em razão da taxa de ocupação dos leitos críticos se manter em 100% no hospital de Campanha e em 88,24% no hospital Municipal.

Das 1.473 mortes por Covid-19 no Rio Grande do Norte, Natal já sepultou 610 vítimas, o que representa 41% de todos os óbitos provocados pelo Coronavírus no Estado.

O Governo do Rio Grande do Norte publicou nesta quarta-feira (15) uma portaria no Diário Oficial do Estado para disciplinar os procedimentos para desativação de leitos clínicos, de estabilização ou críticos, exclusivos para tratamento da Covid-19 no Estado. A medida foi tomada um dia depois das declarações de Álvaro Dias sobre a desativação das UTIs.

Para desativar um leito, o município deve avisar ao Governo com uma antecedência mínima de 72 horas em relação à data prevista para fechar o equipamento.

No entanto, a secretaria de Estado de Saúde Pública pode recomendar, no prazo de 48 horas após o recebimento da comunicação do município, que a desativação não seja, levando em consideração critérios como dados epidemiológico de evolução da doença; a taxa de ocupação dos leitos em todo o Estado; a existência de pacientes em espera de leitos no Rio Grande do Norte; e as condições do transporte sanitário de pacientes.

RegulaRN mostra hospital de Campanha com 100% dos leitos de UTI ocupados em Natal

Apesar da portaria, a prefeitura de Natal já bloqueou ou desativou 19 leitos de UTI no hospital de Campanha e no municipal. De acordo com a plataforma RegulaRN, só no hospital de Campanha foram bloqueados três leitos e desativados outros 9. Já no hospital municipal de Natal, a prefeitura bloqueou 5 e desativou dois leitos.

O detalhe que chama a atenção é que dos 20 leitos de UTI no hospital de Campanha, apenas oito estão à disposição da população, todos ocupados. Até o fechamento desta reportagem haviam três pacientes na fila por um leito de UTI aguardando transferência para um dos 47 leitos críticos disponíveis em unidades do Estado.

Os leitos bloqueados são motivados por manutenção, reforma ou falta de ventiladores pulmonares. Até semana passada, apenas os bloqueios precisavam ser justificados. A partir de agora, as inativações também devem ser esclarecidas.

Hospital de Campanha de Natal é a unidade com mais leitos inativos: 9 (foto: RegulaRN)

“Não há respaldo científico para fechamento de leitos”, rebate MPF

O Ministério Público Federal também divulgou uma nota em resposta às declarações do prefeito de Natal Álvaro Dias e alertou que “não há respaldo científico para fechamento de leitos de tratamento da covid-19 na capital potiguar, nesse momento”.

A nota é assinada por sete procuradores federais do Grupo de Trabalho estadual de acompanhamento das medidas governamentais e privadas relacionadas ao novo Coronavírus.

A equipe técnica reitera que “a situação epidemiológica é de extremo cuidado e todas as iniciativas devem se manter, sejam as de prevenção concernentes ao isolamento social possível na retomada econômica gradual e progressiva, como a continuidade da ampliação de leitos.”

O GT Covid-19 lembra, ainda, que com a reabertura das atividades econômicas não essenciais, existe a possibilidade de volta do crescimento da doença. Natal recebeu mais de R$ 41 milhões do Fundo Nacional de Saúde especificamente para o combate ao novo coronavírus.

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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