DEMOCRACIA

Prefeitura do Natal usa spray de pimenta contra sem-teto em eleição para delegados do plano diretor

O início do processo de Conferência Final de Revisão do Plano Diretor de Natal nesta segunda-feira, 25, foi marcado por cenas de violência. O Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) reclama que teve seu direito de representação negado pela prefeitura do Natal. Os militantes e as famílias das ocupações urbanas na capital potiguar foram recebidos com spray de pimenta na Quadra de Esportes Mário Dourado, localizada na Praça Augusto Leite, no bairro Tirol. A votação que hoje estava reservada aos representantes dos movimentos sociais foi suspensa.

Segundo Mateus Araújo, coordenador do MLB no Rio Grande do Norte, hoje seriam eleitos os representantes dos movimentos populares. “Mas o prefeito Álvaro Dias, inimigo do povo pobre, decidiu retirar o nome dos candidatos do nosso movimento”, reclama.

As famílias das ocupações urbanas de Natal iniciaram um ato contra a decisão que classificam como “arbitrária e antidemocrática”. A guarda municipal e a polícia militar foram acionadas e usaram da força e spray de pimenta para impedir o avanço da manifestação.

“Álvaro dias decidiu aprovar o plano usando força policial. Agrediu crianças, pais de família e mulheres”, afirmou Mateus Araújo. Segundo o coordenador do movimento, as famílias permanecerão organizadas pelo direito à representação. “Enquanto tentarem aprovar um plano diretor que precariza nossa orla e acaba com os bairros das Rocas, Mãe Luíza e Santos Reis, a população pobre dessas comunidades vão resistir”.

Em resposta às denúncias, o vice-presidente do Conselho da Cidade do Natal (CONCIDADE/NATAL), Albert Josuá Neto, disse que o MLB não pode participar porque não preencheu os requisitos necessários, entre eles a participação nas oficinas e na audiência pública realizada em 14 de dezembro. Neto ressalta que o movimento “é o mesmo que invadiu o prédio da Ribeira”, e mesmo sem estar presencialmente no local por estar com Covid-19, afirma que foram os manifestantes quem “começaram a quebrar mesas, cadeiras”. Para ele, o movimento está “associando a invasão da Ribeira e incitando novas invasões”, e que em relação ao uso do gás de pimenta, “não posso responder pois não estava lá”.

Em nota, o MLB diz que “todo o processo aconteceu de forma online, não dando ao movimento o direito de participar. Nós queremos que ocorra a pré-conferência mas com representação do nosso movimento!”.

A vereadora de Natal Brisa repudiou as agressões ao movimento e disse que entrará ainda hoje em contato com o Ministério Público. “O lucro dos grandes empresários da especulação imobiliária de Natal não vale a vida do nosso povo!”, afirmou em sua conta no Twitter.

Da mesma forma, a vereadora Divaneide Basílio disse que “é completamente absurda a atitude do prefeito Álvaro Dias contra os companheiros do MLB, que protestavam pacificamente por mais representação na revisão do Plano Diretor de Natal. A medida da democracia é o diálogo, não “xiringar” spray de pimenta”, afirmou.

 

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