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Presença de general no Ministério da Saúde é reprovada por 82%

Para 82% dos eleitores, ter um ministro militar no comando da Saúde, em meio à pandemia de Coronavírus, não é uma boa solução. Apenas 15% afirmam que a nomeação do general Eduardo Pazuello como ministro interino é uma boa escolha, segundo pesquisa Vox Populi divulgada nesta terça-feira (14), que também registrou queda na avaliação do presidente Jair Bolsonaro. A pasta está há 60 dias sem um titular, depois da saída de Nelson Teich.

Além da recusa ao general na Saúde, a pesquisa revela que 65% acreditam que militares não devem participar do governo, nem se envolver com política. Por outro lado, outros 30% afirmam que os integrantes das Forças Armadas estão certos em participar do governo, apoiando Bolsonaro.

De acordo com o levantamento, quase metade da população não confia (31%) ou confia pouco (17%) nos militares. Praticamente um terço (32%) diz confiar mais ou menos, e 18% não confiam.

Corrupção

A percepção dos eleitores quanto ao envolvimento de Bolsonaro com corrupção aponta para uma divisão. Apesar da prisão preventiva de Fabrício Queiroz, suspeito de comandar esquema de “rachadinha” no gabinete de Flávio Bolsonaro, quando este ainda era deputado estadual no Rio de Janeiro, 46% dos entrevistados acreditam que o presidente não está envolvido em corrupção, contra 45% que acham que está.

Apesar do discurso de candidato de Bolsonaro, que prometia acabar com a corrupção, ideia fortalecida ainda antes da posse com a nomeação do ex-juiz Sergio Moro como ministro da Justiça, 45% dos entrevistados afirmam que nunca acreditaram em tais promessas. Outros 14% dizem que acreditam menos do que antes, e 11%, deixaram de acreditar. Enquanto que 27% dos eleitores, a base bolsonarista, afirmam que continuam confiando que Bolsonaro vai combater a corrupção, apesar das denúncias envolvendo desvio de dinheiro público pela família do presidente.

Mania de perseguição

Bolsonaro atribui a terceiros os erros e dificuldades enfrentados pelo seu governo. Além da oposição, forças que estariam presentes no Congresso Nacional, no Supremo Tribunal Federal (STF) e na mídia estariam atrapalhando o seu desempenho, segundo o próprio presidente. Mas esse discurso não tem encontrado eco junto à população. 63% discordam que Bolsonaro esteja sendo perseguido, enquanto 33% acreditam nessa argumentação.

Números parecidos são registrados na opinião dos eleitores sobre as prisões e quebras de sigilo decididas pelo STF contra apoiadores do presidente, por delitos investigados nos inquéritos sobre as manifestações golpistas e a disseminação de fake news. Para 63%, o Supremo tem agido corretamente nesses casos, enquanto que 31% dizem que a Corte está errada.

Impeachment

Sobre a saída do Bolsonaro da presidência, os dados da pesquisa Vox Populi também apontam empate técnico: 47% são contra o impeachment do atual presidente, mas 45% são a favor. Outros 8% não souberam ou não quiseram responder.

Perguntados se o vice-presidente, general Hamilton Mourão, deve assumir no caso de um afastamento, ou se a legislação deve ser mudada para permitir novas eleições, 65% do eleitorado é a favor da segunda opção. Outros 31%, no entanto, acreditam que Mourão deveria presidir o país, no lugar de Bolsonaro.

Entre os que se declaram antibolsonaristas, 79% são a favor de novas eleições, e apenas 19% apoiam o nome de Mourão. Por outro lado, entre os bolsonaristas, 55% querem que o vice assuma, em caso de impeachment, e outros 40% são favoráveis a mudança na legislação para permitir a escolha por votação. Contudo, os que se declararam neutros pendem mais para novas eleições (74%) do que para Mourão como opção.

Nem Bolsonaro, nem Mourão

Subiu de 37% para 46% os eleitores que dizem preferir um candidato contrário a Bolsonaro, nas eleições municipais deste ano. Já os dizem preferir prefeitos alinhados com o presidente caíram de 31% para apenas 11%, em relação ao último levantamento, realizado em abril.

Comparação

Para 46% dos eleitores, o Brasil está pior hoje do que era durante os governos do PT. Do outro lado, 28% afirmam que o país está melhor, e 22%, igual à era petista. Segundo os entrevistados, os governos dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff apoiaram mais os mais pobres (74% contra 15%) do que Bolsonaro. Também geraram mais empregos (64% a 17%) e defenderam a democracia (48% a 33%) do que o atual governo.

Racismo

Depois da onda de protestos contra a violência policial e o discriminação racial, após a morte de George Floyd, nos Estados Unidos, com cenas similares se repetindo no Brasil, a ampla maioria dos entrevistados (62%) afirma que o racismo é muito forte no Brasil. Outros 31% que, por aqui, o racismo existe, mas é algo moderado. Apenas 6% afirmaram que não existe racismo no Brasil.

A pesquisa foi realizada entre 25 de junho e 3 de julho, com 1.500 entrevistas de abrangência nacional realizadas por telefone. A margem de erro é de 2,5%, com intervalo de confiança estimada de 95%.

Fonte: Rede Brasil Atual

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