TRANSPARÊNCIA

Pressão para abrir comércio aumenta com UTIs superlotadas e quase mil mortos no RN

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O Rio Grande do Norte está muito próximo de chegar oficialmente aos mil óbitos por Covid-19. Nesta segunda-feira (29), foram confirmados 994 mortes pela doença no Estado e existem ainda outras 161 em investigação. Já o número de casos confirmados é de 28.970.

No entanto, a prefeitura de Natal e o Governo do Estado já acenam a flexibilização do comércio.

De acordo com o coordenador do LAIS e integrante do Comitê Científico de Enfrentamento ao Coronavírus no RN, Ricardo Valentim, apesar do alto número de óbitos, a taxa de transmissibilidade da doença tem se estabilizado e nos últimos 15 dias oscilou em torno de 1. “Já está consolidado que a taxa de transmissibilidade vem caindo de maneira gradual, é um dado que o comitê científico tem como seguro”, disse.

A taxa de transmissibilidade compreende a média de novos infectados a partir de um infectado. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, o ideal é que esse índice fique abaixo de 1 para reduzir o número de casos confirmados. Valentim afirmou ainda que esse dado tem refletido na diminuição da pressão por leitos.

“Há uma pressão ainda grande pela ocupação de leitos de UTI, é verdade, porém durante seis dias há uma redução gradual e consecutiva das solicitações das UPAS por novas vagas de UTI”, conta.

Ainda de acordo com ele, o perfil de pacientes também teve mudanças. Há mais pacientes aguardando vagas de leitos clínicos que leitos de UTI.

Segundo o Regula RN, na tarde de hoje (29), haviam 37 pessoas na fila de espera por um dos seis leitos críticos disponíveis e 37 pessoas aguardando por um dos 56 leitos clínicos disponíveis. De acordo com a Sesap, 731 pessoas estão internadas, sendo 378 em leitos críticos, aqueles destinados a pacientes que tem sintomas graves da doença.

Reabertura da economia 

A dois dias da data prevista para a retomada gradual das atividades econômicas no Rio Grande do Norte, a taxa de ocupação de leitos nas regiões continua preocupante, principalmente nas localidades Oeste e Metropolitana, que tem 100% e 99% dos leitos ocupados, respectivamente. Já a região do Seridó, tem 82,8% de ocupação.

O índice interfere diretamente na decisão do Governo do Estado de adiar ou não a reabertura da economia. O comitê científico ainda não tem um direcionamento fechado sobre o assunto, mas vê perspectivas positivas.

“O próximo decreto não é uma situação fechada ainda, mas os dados vem mostrando um cenário positivo”, declarou.

Segundo o Secretário Estadual de Tributação, Carlos Eduardo Xavier, a governadora Fátima Bezerra (PT) aguarda o “entendimento da ciência” para decidir sobre o assunto.

“A redução na fila de espera por leitos críticos é um alento, mas não podemos relaxar na segurança individual. A reabertura econômica ou o ‘novo normal’ que vamos ter até chegar uma vacina precisa de responsabilidade nas medidas e conscientização”, destaca.

O Governo deve publicar ainda hoje uma portaria, alterando as normas que já haviam sido divulgadas para retomada econômica. Fátima Bezerra tem reunião ainda hoje com representantes do setor produtivo potiguar.

“Esse não é o momento de diminuir o isolamento social”, diz Spinelli

Petrônio Spinelli fez um apelo para que população respeite o isolamento social (foto: Demis Rousso)

Para o secretário-adjunto de Saúde Petrônio Spinelli, o expressivo número de óbitos é fruto da baixa no isolamento social de dias atrás.

“É importante lembrar que quando a gente fala de óbitos a gente está falando da consequência de dias atrás, da falta de isolamento social que aconteceu há aproximadamente 10 a 14 dias atrás. Esse não é o momento de diminuir o isolamento social, não é o momento das pessoas acharem que liberou geral porque alguns números estão melhorando. Mais importante do que decretar isolamento A, B ou C, é a gente efetivamente ter, na prática uma coerência entre o que se quer e o que está acontecendo”, explicou.

No domingo (28), o Rio Grande do Norte registrou 47,3% de isolamento social, um dos maiores índices do mês de junho.

 

 

 

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Kamila Tuenia
Jornalista potiguar em formação pela UFRN, repórter e assessora de comunicação.

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