CIDADANIA

Pride Month: Você está por dentro de todas as variações e termos da sigla LGBTQIA?

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Por Victória Z. Alves

O “Pride Month”  – traduzido para português como Mês do Orgulho – é o junho, escolhido para comemorar o Mês do Orgulho Gay por causa da Rebelião de Stonewall, que ocorreu no final de junho de 1969. Como resultado, muitos eventos de orgulho são realizados durante este mês para reconhecer o impacto que as pessoas LGBT tiveram no mundo, além de relembrar a memória daqueles que vieram antes.

A homossexualidade é tão antiga quanto a própria humanidade, e sua história grita diversidade, porém, também é a história que carrega preconceito – velho e escancarado. Mas quando olhamos para essa narrativa, seja no presente ou para o passado, não há como dimensionar o profundo significado de lutas que foram e ainda se fazem necessárias e urgentes sobre este público em específico.

As paradas gays e a própria luta pelos direitos LGBT’s possuem um início. Esse início aconteceu na madrugada do dia 28 de junho de 1969, em um bar no bairro do Greenwich Village, em Nova York, chamado Stonewall Inn. O evento que ficou conhecido como as Rebeliões – ou Revoltas – de Stonewall, é visto como o acontecimento mais importante para a liberação do movimento gay e a luta pelos direitos LGBT nos EUA e no mundo. Até 1962 era considerado crime qualquer prática homossexual em qualquer estado americano, as punições variavam de regime fechado à pena de morte.

Como o Stonewall Inn era o único bar abertamente gay em toda cidade, e que tinha como seu principal atrativo a dança, em especial para homens, para que o bar permanecesse funcionando era pago altos valores aos policiais nova-iorquinos. A propina não era suficiente para aliviar a tensão; as batidas policiais no estabelecimento eram constantes, frequentemente prendendo funcionários, clientes sem identificação ou simplesmente homens trans ou vestidos como mulheres – uma vez que a lei nova-iorquina previa prisão para homens travestidos.

Stonewall era o nome do bar onde explodiu a revolta popular contra a opressão LGBTA nos EUA

No dia 28 de junho de 1969, quatro policiais invadiram o local e dessa vez não foi uma ‘batida’ padrão. O bar, naquela noite, tinha um público estimado de mais de 200 pessoa. Quando as luzes foram acesas no estabelecimento, a música não era mais ouvida, havia sido desligada como indicativo de que a polícia estava presente. As saídas foram fechadas e o procedimento padrão de alinhar os clientes, conferir seus documentos e separar os “vestidos de mulher” para que policiais femininas pudessem conferir seus sexos não aconteceu, conforme o previsto. Houve resistência por parte dos clientes de se identificarem. A decisão inicial foi de levar a maioria dos presentes para a delegacia. O constrangimento e desgosto foi se transformando em revolta, conforme uma pequena multidão de clientes e curiosos começou a se aglomerar ao redor do bar.

A multidão multiplicou-se e, com isso, elevou-se também a tensão. Antes que chegasse o primeiro camburão foi ouvido rapidamente o primeiro grito de “Poder gay!”. Na sequência, ao entoar os primeiros versos da clássica canção de protesto “We Shall Overcome” (Nós vamos vencer, em tradução livre), uma briga entre uma mulher e um policial estourou. A mulher, que estava sendo tratada com violência pelos oficiais, convocou a multidão a fazer algo para ajudá-la – e foi assim que a pólvora da injustiça acendeu e houve a explosão. Enquanto alguns eram presos, outros resistiram e persistiram, continuando a dançar e zombar dos policiais em forma de protesto. Naquela madrugada muita coisa havia acontecido, a ação policial articulada em Nova Iorque foi a faísca que criou a necessidade de bater de frente contra o preconceito de forma unificada. Com isso, o movimento de pessoas similares em suas orientações sexuais fez com que se estabelecesse essa resistência e força nas lutas sociais de homens e mulheres dentre eles, gays, lésbicas e travestidos, como eram chamados. A luta naquele momento era de aceitação pela sociedade, luta contra a perseguição e, acima de tudo, sobre o direito fundamental de todo cidadão ser como bem quiser ser, de acordo as suas crenças, gostos, orientação social e aceitação pessoal.

Ato contra a LGBTfobia e pela criminalização da homofobia (Tânia Rêgo/Agência Brasil)

A seguir, o significado das letras que formam a sigla LGBTQIA:

L

Lésbicas são a primeira orientação sexual a compor o grupo na ordem atual da sigla, mas nem sempre foi assim. Há alguns anos, passaram a notar que a sigla GLS (gays, lésbicas e  simpatizantes) era bastante excludente e, além disso, dava protagonismo apenas aos “gays”. Com uma grande expansão de ramificações e identidades, as pessoas começaram a se questionar e fizeram com que o movimento adquirisse outros tipos de orientações sexuais e de gênero à sua sigla e bandeira. A expressão mencionada anteriormente foi frequentemente usada no Brasil para definir espaços, produtos, serviços e locais destinados ao público homossexual por um tempo. O termo GLS foi criado em 1994 por Suzy Capó, jornalista, atriz, ativista e empresária. Ainda nos anos 90 surgiu outro termo, seria o LGB (lésbicas, gays e bissexuais).

G

Foi em 2008 que a sigla GLBT passou a ser usada como LGBT. Para muitos, a mudança de ordem das letras significa dar destaque para as reivindicações das mulheres lésbicas e tirar uma espécie de “protagonismo” dos gays no movimento social. Um dos focos das siglas é promover a discussão e o direito de cidadão para com os participantes desse movimento, além da promoção de políticas públicas. Já era pautado entre os LGBT’s – nesse mesmo ano inclusive – a criminalização da homofobia e a união civil, mas nenhum projeto foi aprovado na época. Em 2019 está em julgamento esse projeto e, até o momento, há mais votos para a criminalização. Já em 2011 o STF reconheceu a união estável para casais homoafetivos. A ADI 4277 foi protocolada na Corte inicialmente como ADPF 178. A ação buscou a declaração de reconhecimento da união entre pessoas do mesmo sexo como entidade familiar.

B

A terceira letra da atual sigla é B, que simboliza bissexuais, incluídos após alguns anos de exclusão da sigla GLS, como era utilizada no Brasil, por exemplo. Bi seria o termo que representa pessoas binárias e não-binárias que sentem atração física por ambos os gêneros. Para exemplificar melhor a informação sobre binários e não-binários, não-binário é um dos muitos termos usados para descrever pessoas cuja identidade de gênero não é inteiramente masculina nem inteiramente feminina, essas pessoas podem se nomear neutras. Algumas pessoas podem optar usar pronomes como “ele” ou “ela”, mas ainda não sentem internamente que são inteiramente masculinas ou femininas. Com isso, para incluir essas pessoas surgiu os termos sem relação de gênero, que são os elu, elus, delu, delus, nelu, nelus, aquelu e aquelus. Já outras pessoas optam por não usar ‘Sistema Ilu’, como foi nomeado, mas sim, a adição do x no lugar das letras a ou e, como: elx, elxs, delxs…

Movimento passou a incluir segmentos e deu protagonismo às mulheres lésbicas

T

Transgêneros são um grupo de pessoas que não se identificam com o gênero que lhe foi atribuído ao seu nascimento. O grupo que também pode ser conhecido de ‘trans’ não é ligado à orientação de gênero e, sim, à identidade de gênero, que é como o indivíduo se identifica. Além de tudo, é também uma questão de pertencimento cultural e social. Nesse contexto, podemos citar a sigla LGBTTT, onde as três últimas letras lembram dos transgêneros, e além deles, transexuais e travestis. Como transgêneros se identificam com outro gênero, os transexuais são aqueles que desejam alterar sua constituição biológica e fazer a mudança de sexo, sendo a cirurgia a única forma de se sentirem totalmente identificados e correspondidos na identidade de gênero que sentem pertencer, mas que não foi biologicamente atribuída, já os travestis são pessoas – que biologicamente podem ser homens ou mulheres – onde o ponto de partida é uma não-identificação com o seu sexo biológico. A complexidade estaria no fato de não se sentirem 100% pertencentes a nenhum dos sexos. Por isso, o(a) travesti manteria características de homens e mulheres.

Novas variações da sigla

Dentre tantas variações e termos, temos também o Q, o I e o A, compondo então a LGBTQIA. Essa é uma das mais novas variações mais usadas ultimamente, a necessidade de englobar mais pessoas e unificar o movimento é uma forma de inclusão.

Quando vemos a letra Q temos que associar ao queer, que por muito tempo foi nome pejorativo, com a tradução livre de “Estranho”. O queer não prende a características binárias, eles não seguem os padrões, esse termo é muito próximo ao não-binarismo.

Outra derivação que citaremos agora é a intersexualidade, que está caracterizado como pessoa com características biológicas não associadas geralmente aos corpos binaristas (de gênero masculino ou feminino), ou seja, é qualquer variação de caracteres sexuais incluindo cromossomos, gônadas e/ou órgãos genitais que dificultam a identificação de um indivíduo como totalmente feminino ou masculino.

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Por último, temos o A, que é a assexualidade e seus espectros. Com variação de 1% a 2% da população mundial se declarando ‘ace’, esse seleto grupo ainda é muito ignorado, inclusive no movimento LGBTQ+.

Por não participar do padrão heteronormativo, ainda há quem bata de frente sobre a necessidade dos assexuais serem aceitos no movimento LGBTQ+, mas essa não-aceitação dentro da própria comunidade faz com que esses indivíduos não se sintam à vontade e oprimidos no próprio conjunto.

Dentro da assexualidade se encontram diversas unidades de termos referentes à orientação sexual e preferências românticas. Assexualidade está atrelada ao desinteresse nas atividades sexuais humanas ou interesse de forma não-acentuada, onde as relações romântico-afetivas através de gestos são mais importantes e predominantes. A prática sexual pode ser ou não um ponto importante da relação, dependendo dos laços afetivos e decisões do casal. Assexualidade e celibato não são coisas similares. Abstinência e celibato são características de se abster de atividades sexuais, por razões pessoais ou religiosas, já o Ace pode ou não se privar de tais ações, por razões diversas.

 

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