DEMOCRACIA

Privatização dos Correios: Fábio Faria culpa PT por travar projeto; Jean Paul vê legado do partido em barrar proposta

O ministro das Comunicações Fábio Faria responsabilizou o “ano eleitoral” e o Partido dos Trabalhadores por travar a privatização dos Correios no Senado. A declaração foi dada em entrevista à rádio Difusora de Mossoró nesta terça-feira (11), com repercussão no blog do jornalista Willian Robson.

Segundo o ministro, embora o projeto de privatização tenha sido aprovado com folga na Câmara Federal, a influência do PT sobre a maioria dos senadores aliado às eleições de 2022 devem manter a proposta de venda da estatal na gaveta:

“Realmente, um ano eleitoral é difícil para aprovar a privatização. Estamos tentando convencer os senadores a entrar em um acordo para que possam votar. Não tenho como garantir. O PT é contra e muitos senadores apoiam o PT e são candidatos e não sei se aprovariam este projeto este ano”, disse o ministro.

Na linha de frente da bancada que impediu a votação do projeto esteve o senador do PT pelo Rio Grande do Norte Jean Paul Prates, que classifica essa iniciativa como “um legado” dos petistas no Senado Federal:

– Foi luta, mas conseguimos impedir que os Correios fossem privatizados em 2021. O projeto foi retirado de pauta e deve seguir na gaveta em 2022. Foi mais um ataque do Governo Federal que a bancada do PT barrou!”, escreveu nas redes sociais o parlamentar ao lado de um banner com a foto dos sete senadores do PT e os dizeres “Legado: PT impediu a privatização dos Correios”.

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A justificativa para a venda dos Correios é baseada num factoide sobre um suposto prejuízo gerado pela Empresa divulgado por Fábio Faria e demais apoiadores do projeto de privatização.

Nos últimos 20 anos, os Correios repassaram 73% dos resultados positivos acumulados ao governo federal, acionista único. Em 2020, a estatal apresentou lucro líquido de R$ 1,53 bilhão – maior resultado nos últimos 10 anos.

Eleições

É possível que Fábio Faria e Jean Paul “duelem” nas urnas em outubro de 2022 pela única vaga em disputa para o Senado nas eleições deste ano. Antes, porém, os dois precisam viabilizar suas respectivas candidaturas internamente.

Faria trava uma disputa com o colega Rogério Marinho para ser “o candidato de Bolsonaro” ao Senado no Rio Grande do Norte. Até o momento, no entanto, o ministro do Desenvolvimento Regional tem deixado claro que não pretende abrir mão de ser “o escolhido” pelo presidente da República que segundo as mais recentes pesquisas de opinião já acumula mais de 60% de rejeição no Estado potiguar.

Por outro lado, o petista Jean Paul Prates trava uma luta interna para que o PT não rife sua vaga numa eventual composição com outros partidos em nome do projeto maior, que é o da reeleição da governadora Fátima Bezerra. Há conversas locais sendo realizadas com o MDB e uma tentativa de reaproximação do ex-prefeito Carlos Eduardo Alves.

À imprensa, em várias oportunidades, Prates já deixou claro que pretende concorrer à reeleição e que vai lutar por isso.

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Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"