CULTURA

Produtor cultural anuncia volta do MPBeco em 2022 após seis anos sem festival

O festival de Música Popular do Beco da Lama, o MPBeco, realizado de 2006 a 2015, está com parte dos recursos reservados no orçamento de 2022 da Prefeitura de Natal para ser retomado. A ação foi realizada pela vereadora Divaneide Basílio (PT), que encartou emenda com essa indicação à Lei Orçamentária Anual – LOA, votada na Câmara Municipal na terça-feira (29).

O MPBeco foi criado em 2006 e tem esse nome em homenagem à rua Dr. José Ivo, popularmente conhecida como Beco da Lama, famoso reduto boêmio de Natal, onde foi realizada a primeira edição. No ano seguinte, o projeto cresceu e passou a ser realizado na Praça Sete de Setembro, na Cidade Alta.

O festival competitivo tem o objetivo de estimular a música potiguar de todos os gêneros, revelando compositores e intérpretes, enquanto consagra os já renomados. Também inclui artistas convidados para shows de abertura e encerramento. Artistas como Khrystal, Simona Talma, Angela Castro, Júlio Lima, Irahn Barreto e Wescley Gama são alguns dos artistas potiguares com passagens pelo palco principal do festival. O evento também recebeu grandes nomes da cena independente nacional, a exemplo de Nei Lisboa, Karina Burh, Cidadão Instigado, entre outros.

“Um festival que revelou ou confirmou a trajetória de talentos como Khrystal, Simona Talma, Júlio Lima, Ângela Castro e tantos outros cantores, compositores e grupos potiguares não poderia ter ficado tanto tempo sem apoio para ser realizado. Isso precisava ser corrigido”, comentou a vereadora.

“Nossa ideia nunca foi parar”, desabafa idealizador do festival

Dorian Lima é produtor cultural e idealizador do MPBeco / foto: Divulgação

Idealizador do evento, o produtor cultural Dorian Lima conta que ao longo desses seis anos aprovou o festival em leis de incentivo, mas teve dificuldades para captação:

“Nossa ideia nunca foi parar. O projeto sempre foi feito com as leis de cultura e chegou um momento em que as empresas que estavam patrocinando mudaram o perfil. Ficamos sem, mas veio esse tempo todo sempre enquadrando na lei pra atualizar o prazo de captação. E depois veio a covid”.

Dorian lembra que recebeu o apoio após expor o problema para a vereadora:

“A gente encontrou com a vereadora Divaneide. Ela está sempre no Centro, prestigiando os eventos culturais. É uma emenda e a gente vai ter que correr. Mesmo que não seja o valor integral, acredito que conseguiremos retomar o evento”, disse, ao comentar que os valores gastos são relativamente altos, sendo de R$ 320 mil a última versão do projeto enquadrado em lei de incentivo.

“A gente arma e desarma a estrutura durante 3 sábados. Tudo é pago três vezes. Tem um valor relativamente alto. Se sair uma parte, o resto a gente consegue, porque tem a lei municipal, a lei estadual...”, detalhou Dorian Lima, avisando que após a confirmação dos recursos será iniciada a produção, inclusive para escolha de uma data em 2022.

Parcerias e feira mix

O projeto premia primeiro, segundo e terceiro lugares para Melhor Música, além das categorias Melhor Arranjo, Melhor Intérprete e Voto Popular.

A iniciativa também costumava julgar as melhores fotografias produzidas na festa, por meio do concurso MPBeco em Foco. A parceria com a Associação Potiguar de Fotografia – Aphoto pagava prêmios também em dinheiro a profissionais e amadores. Além disso, promovia uma feira mix durante as noites de evento.

foto de alex gurgel mpbeco
Público sempre prestigiou o MPBeco, na Cidade Alta. Festival foi realizado entre 2006 e 2015 / foto: Alex Gurgel

 

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Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais