TRANSPARÊNCIA

Professor do RN denuncia falta de testagem para covid-19 nas escolas particulares

Para o retorno às aulas presenciais ainda no mês de fevereiro, as escolas particulares do Rio Grande do Norte fizeram uma testagem em massa no quadro de profissionais para garantir uma retomada segura e sem a presença do novo coronavírus.

Porém, diante do surgimento de alguns casos entre os professores, nenhuma nova testagem foi realizada. A denúncia foi feita à agência Saiba Mais por um profissional de educação que, para evitar problemas no trabalho, pediu para não ser identificado. Ele conta que numa escola particular de Parnamirim que trabalha com turmas do infantil, ensino fundamental II (6º ao 9º ano) e ensino médio, de 20 professores, três tiveram covid-19, sendo que dois desses profissionais atuam no setor de coordenação.

Diante da situação, a medida adotada pela escola foi a de afastar os professores doentes, mas manter as aulas normais nas turmas, mesmo naquelas que tiveram contato com os professores que testaram positivo para covid.

“O que está acontecendo é que as escolas estão fazendo vista grossa”, desabafa o professor.

Já em Natal, uma outra escola ensaiou um retorno às aulas no formato híbrido, com parte das aulas presenciais e parte de maneira virtual. Dos 25 professores da instituição, cinco tiveram covid-19 e as aulas só acabaram sendo suspensas por causa da baixa frequência dos alunos. A própria direção da escola optou por manter o ensino remoto.

Mas, segundo o Sindicato das Escolas Particulares do Rio Grande do Norte, a orientação é para que nos casos de professor com suspeita de covid-19, não só ele seja afastado, mas todas as turmas com as quais ele manteve contato.

Há o acompanhamento de todos os casos. Se há suspeita de algum aluno que apresente sintoma de gripe, já enviamos comunicado aos pais para que eles não enviem o aluno à escola. O mesmo com o professor, não só ele fica afastado, como as turmas que tiveram contato com ele ficam de quarentena. A cada dia estamos aprimorando essa segurança”, explica Alexandre Marinho, presidente do Sindicato das Escolas Particulares do RN.

O Rio Grande do Norte conta, atualmente, com 487 escolas privadas. Nenhuma, segundo a direção do Sindicato, apresentou casos graves de covid-19. Apesar da afirmação, não há o acompanhamento das estatísticas específicas em relação aos casos do novo coronavírus em escolas, já que os casos são comunicados às secretarias de saúde de cada município.

Em março, uma professora de apenas 26 anos da rede particular de ensino morreu em decorrência da covid-19. Gabriela Alves de Sousa Lopes tinha sido afastada depois de avisar à instituição de ensino que havia tido contato com um parente que testou positivo para covid-19. Ela morava em São José de Mipibú, foi internada num leito de UTI do Hospital João Machado em 28 de fevereiro e morreu em 9 de março.

A volta às aulas presenciais está no centro de uma discussão entre aqueles que querem a retomada, independentemente da vacinação dos professores, e os que defendem um retorno seguro com a garantia da imunização. Pelo atual decreto estadual Nº 30.516, as instituições de ensino particulares podem funcionar em sistema híbrido (presencial e remoto) até o 5º ano do ensino fundamental I e até a 3ª série do ensino médio. Nas demais séries, as aulas seguem suspensas tanto na rede pública, quanto provada.

No caso da rede pública estadual, a retomada das aulas presenciais está condicionada à elaboração do “plano de retomada das atividades escolares presenciais com protocolo sanitário e pedagógico”, que deve ser apresentado até o dia 12 de maio de 2021, levando em conta os dados epidemiológicos no Rio Grande do Norte.

O Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Rio Grande do Norte (Sinte/RN) já se manifestou contra o retorno às aulas presenciais sem a garantia da vacinação em massa da categoria contra ocvid-19. Recentemente, em 29 de abril, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), cassou decisão do juiz Artur Cotez Bonifácio, da 2ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Natal, que liberava o retorno das aulas presenciais em escolas públicas. Cortez havia atendido um pedido liminar do Ministério Público do RN.

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