CIDADANIA

Professores do RN avaliam iniciar greve se forem obrigados a retomar aulas presenciais sem vacinação

O sindicato dos trabalhadores da educação declarou que os profissionais só voltarão ao trabalho presencial nas escolas públicas do Rio Grande do Norte após a vacinação em massa da categoria e avalia deflagrar greve “se for preciso”.

A afirmação foi feita após a Justiça estadual determinar que o governo autorize a volta às aulas nas escolas públicas e privadas.

A decisão foi deliberada em Assembleia virtual realizada na segunda-feira (26) por quase cinco horas e com a participação de aproximadamente 800 trabalhadores em educação, um recorde em assembleias remotas promovidas no estado.

Na ocasião, o grupo reafirmou que a redução da ocupação dos leitos críticos, a garantia de biossegurança nas escolas e o índice de transmissibilidade abaixo de 1,0 são outras condições determinantes para a retomada.

O encontro ainda aprovou que o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Rio Grande do Norte (Sinte-RN) deve protocolar uma Reclamação Constitucional junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) para derrubar a decisão do juiz Artur Cortez Bonifácio, da 2ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Natal, que no último sábado (24) determinou que o Governo do Estado tinha 48 horas para permitir a retomada das aulas presenciais.

O objetivo da entidade é manter a decisão que o STF proferiu em 2020, determinando que Estados e Municípios têm autonomia para estabelecer restrições na circulação de pessoas a fim de controlar a disseminação da covid-19, com os decretos mais rígidos se sobrepondo aos mais brandos.

O Governo do RN anunciou que vai recorrer da decisão e garantiu que apresentará o plano de retomada.

O Sindicato agendou nova assembleia para 13 de maio, um dia após expirar o último decreto fixado pelo Governo. A ideia é avaliar a possibilidade de greve caso a categoria seja obrigada a voltar ao trabalho presencial em plena segunda onda da pandemia.

Indignação

Em nota, o Sinte/RN disse que os profissionais estão “revoltados, indignados e com medo” diante da decisão judicial.

“De forma unânime, os trabalhadores afirmaram que não dá para voltar a trabalhar presencialmente neste momento, embora desejem, sobretudo porque o trabalho virtual aumentou em duas ou três vezes a carga horária. Lembraram que, ao contrário do que pensa uma parcela da sociedade, não pararam de trabalhar. E estão trabalhando muito mais”, publicou.

O Sindicato lembra que desde março os trabalhadores dão aulas virtuais, utilizando recursos próprios para pagamento de internet e dos dispositivos utilizados. “Realistas, os profissionais preveem o pior. Dizem que vão iniciar um movimento grevista se for preciso. Um movimento para preservar a vida de professores, funcionários, estudantes e seus familiares. Para eles, determinar a volta imediata significa expor milhares de pessoas aos riscos de contaminação, suas sequelas e até a morte”, completam.

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