CIDADANIA

Profissionais de todo o país assinam manifesto contra o Conselho Federal de Medicina

Centenas de médicos fizeram um manifesto em que discordam do Conselho Federal de Medicina (CFM), que se mostra contra “a apuração das responsabilidades e omissões para o enfrentamento da pandemia de covid-19”.

O documento foi assinado pela Associação Brasileira de Médicas e Médicos pela Democracia (ABMMD) e publicado na quinta-feira (3). A lista de profissionais conta com Margareth Dalcolmo, Paulo Niemayer, Daniel Tabak e Ligia Bahia.

Os médicos pedem que “nesse momento em que o padrão de transmissão da covid-19 segue elevado, nossa atenção seja a necessidade de políticas baseadas na ciência e em boas práticas”.

A nota surge após o presidente do CFM, o bolsonarista Mauro Ribeiro, divulgar um vídeo em que critica a CPI da Covid-19 e afirma que “não sabemos nada, temos todas as dúvidas do mundo”, o que justificaria o uso de tratamentos com medicamentos comprovadamente ineficazes contra a doença. O vídeo foi compartilhado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) nas redes sociais.

Confira a nota:

O CFM e o desastre sanitário do Brasil
Da ABMMD

Somos da ABMMD (Associação Brasileira de Médicas e Médicos pela Democracia) e queremos afirmar com veemência que o CFM não nos representa, assim como não representa boa parte dos médicos brasileiros que se sentem representados pela AMB, pelas sociedades de especialidade e por outras entidades médicas.

O CFM não nos representa pois abdicou de seguir a ciência para se acumpliciar com a condução negacionista e irresponsável do governo que pior respondeu a pandemia de COVID-19 no mundo.

O CFM não nos representa pois é cumplice das mortes produzidas pela falta de vacinas e por negação das medidas comprovadamente eficazes e utilizadas no mundo inteiro, como o uso de máscara e o distanciamento social.

O CFM não nos representa por propagar uma falsa autonomia para os médicos prescreverem medicamentos para falsos “tratamentos precoces”, que a ciência já comprovou que são ineficazes e que dão uma sensação de segurança perigosa para os brasileiros.

O CFM não nos representa pois não garante a autonomia dos médicos que não querem prescrever tratamento precoce e que são obrigadas por empresas e prefeituras a fazê-lo.

O CFM não nos representa pois não segue de forma adstrita o Código de Ética Médica, portanto, não terá como instalar processos éticos-profissionais diante da omissão e liberalidade das prescrições de médicos(as), sem bases e evidências científicas, com fins de “tratamento precoce” da Covid-19 no Brasil.

O CFM não nos representa pois ataca uma CPI que está investigando a conduta dos governantes do país na condução da pandemia, com o único objetivo de preparar o terreno para o depoimento do seu presidente negacionista.

O CFM não nos representa.

Fortaleza, 04 de junho de 2021.

Associação Brasileira de Médicas e Médicos pela Democracia – ABMMD

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Isabela Santos
Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais

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