CIDADANIA

PSOL organiza homenagem à vereadora Marielle Franco em Natal e Mossoró

Marielle Franco é vítima de campanha de difamação
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O assassinato com características de execução da vereadora Marielle Franco (PSOL/RJ) repercutiu em todo o país e também no exterior. Movimentos sociais e partidos políticos promovem nesta quinta-feira (15) manifestações em vários Estados. Em Natal (RN), o ato público ocorre a partir das 17h. A concentração será em frente a sede do PSOL, na rua Apodi, Cidade Alta. Uma caminhada está programada até a praça Cívica, em Petrópolis. Em Mossoró, a vigília está marcada para 18h, na praça Rodolfo Fernandes, conhecida como Praça do Pax.

Aos 39 anos de idade, Marielle estava no primeiro mandato de vereadora. Militante em defesa dos Direitos Humanos, era mulher negra, criada na favela e feminista. Foi a 5ª vereadora mais votada nas eleições de 2016, com mais de 46 mil votos. O mandato de Marielle Franco era dedicado à defesa da causa negra e dos direitos da mulher. Na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, assumiu a presidência da Comissão de Defesa da Mulher e, recentemente, foi designada relatora da comissão que acompanharia a intervenção federal do governo Temer nas favelas cariocas.

Poucos horas depois do assassinato, o PSOL divulgou nota oficial de pesar lamentando e cobrando apuração das mortes de Marielle Franco e do motorista que a acompanhava, Anderson Pedro Gomes.

Parte da classe política potiguar também se pronunciou através das redes sociais. Correligionário de Marielle, o vereador licenciado Sandro Pimentel (PSOL/RN) se disse chocado com a notícia. Ele contou que conheceu a parlamentar carioca em instâncias do Partido.

– Chocado. É assim que recebo esta notícia. Me parece que a escalada do crime não tem jeito. A intervenção militar no RJ está servindo para alguma coisa? Essa garota era de origem muito pobre, nasceu e cresceu na favela, vendo todo tipo de abuso aos direitos humanos e acabou sendo uma das mais votadas do RJ. Tive o prazer de estar com ela por diversas vezes em encontros no RJ e BSB, uma garota muito simples, super inteligente e defendia os direitos da pessoa humana como ninguém.
Sem palavras para seguir escrevendo! Tomara que esse crime não tenha origem em quem é pago para proteger, espero!

Enquanto se recupera de uma cirurgia, Pimentel vem sendo substituído pelo suplente Maurício Gurgel, que divulgou uma nota de pesar aprovada pela Câmara Municipal de Natal.

– Foi com profundo pesar que a Câmara Municipal de Natal recebeu a notícia do assassinato da Vereadora do PSOL/RJ, Marielle Franco. Marielle tem sua vida política marcada pela luta contra as injustiças e na defesa dos Direitos Humanos. Mulher negra, LGBT, nascida e criada na Favela da Maré, Marielle fazia de seu mandato uma ferramenta para dar voz ao povo pobre e negro. Com imensa coragem, ela denunciava os atos brutais do estado contra essas populações. O assassinato de uma parlamentar, legalmente constituída, no exercício de seu mandato, se configura como um grave atentado contra a democracia e à liberdade de expressão. Por isso, exigimos apuração imediata e rigorosa desse crime hediondo. Marielle Franco, presente.

 

 Solidariedade

A vereadora Natália Bonavides também se manifestou por meio da página oficial do mandato. Presidenta da Comissão de Direitos Humanos, Trabalho e Minorias da Câmara Municipal de Natal, a petista destacou as dificuldades a mais enfrentadas por mulheres como Marielle, que sempre se apresentava como mulher, negra, mãe e cria da favela da Maré:

– Nosso país tem um teto. O teto nem é de vidro; é um teto grosso e espesso de concreto, duro de quebrar, e que tem estado sobre nossas cabeças há uns cinco séculos. Se uma mulher, negra, mãe e cria da Maré conseguir quebrar todas as barreiras e se tornar uma das vereadoras mais votadas do Rio de Janeiro, ela dedicar seu mandato a defender a vida da juventude negra também já é demais. Marielle, estamos tristes, indignadas, revoltadas. Mas vamos transformar o luto em luta, e vamos derrubar esse teto. No país onde mataram Dandara, onde mataram Anatália, onde mataram Margarida e que até hoje é um dos que mais mata defensoras e defensores de direitos humanos, não vamos nos calar.

Por meio de uma nota oficial, a senadora Fátima Bezerra (PT) cobrou do poder público apuração rigorosa do caso e prestou solidariedade à família, amigos e militância do PSOL:

– A sociedade exige apuração com todo rigor, seriedade e profundidade o assassinato de Marielle Franco. Ela foi executada por lutar em defesa dos direitos humanos nas favelas e comunidades pobres do Rio de Janeiro. Sua morte não pode ficar impune. Sinaliza o fracasso da política de segurança que criminaliza a pobreza. A melhor forma de nos solidarizarmos com sua família, amigos e com a militância do PSOL é lutando por justiça!

Tristeza e revolta foram as palavras encontradas pelo deputado estadual Fernando Mineiro (PT) para desabafar sobre a tragédia:

– Não a conhecia pessoalmente, mas gostava de sabê-la viva, negra, mulher, destemida. Militante pelo sagrado direito humano à vida, à felicidade. Parceira de rebeldia e sonhos. Sua covarde execução me dói, entristece e revolta.

 

 

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"