DEMOCRACIA

PT aprova candidatura própria ao Governo e abre caminho para Fátima em 2018

Fátima lidera corrida eleitoral para Governo do RN

O PT do Rio Grande do Norte está muito próximo de referendar o nome da senadora Fátima Bezerra como pré-candidata ao Governo do Estado em 2018. Em reunião ordinária realizada sábado passado (9), o diretório estadual do PT aprovou que o Partido terá candidatura própria nas eleições majoritárias do próximo ano. Embora ainda não tenha declarado oficialmente que vá concorrer ao posto, Fátima Bezerra tem se mantido em primeiro lugar nas pesquisas de opinião divulgadas até o momento e vem abrindo vantagem frente aos concorrentes. Pela projeção nacional que conquistou nos dois mandatos como deputada federal e agora como senadora, Fátima é o nome natural do partido para a disputa.

Na resolução aprovada pelo Diretório Estadual do PT e divulgada à imprensa, o Partido destaca que tentou construir uma alternativa mediada frente à força política de oligarquias tradicionais, quando optou por apoiar a chapa do atual governador Robinson Faria em 2014, mas avalia que o chefe do Executivo traiu o programa de governo que o elegeu. O PT rompeu com a gestão Robinson em abril de 2016, tão logo o PSD, legenda de Robinson Faria e do deputado federal Fábio Faria, anunciou apoio ao impeachment que depôs a ex-presidenta da República Dilma Rousseff.

Apesar do esforço realizado pelo PT-RN nas eleições de 2014 no sentido de construir uma alternativa mediada, frente à força política de oligarquias tradicionais que se revezam no Poder há décadas, o atual governador traiu o programa que o elegeu, reproduzindo o mesmo modelo conservador e elitista de gestão dos que o antecederam. O Rio Grande do Norte não pode continuar aprisionado à lógica desses grupos tradicionais e/ou oligárquicos, que vivem uma crise profunda, imersos em denúncias e investigações por corrupção;

O PT também deposita na conta da gestão Robinson o agravamento da crise pela qual atravessa o Estado e cita a população pobre, jovem, negra, além dos servidores públicos, que vem recebendo há 23 meses os salários com atraso, como setores mais prejudicados.

– Em resposta à atual conjuntura, o Governo se exime da sua responsabilidade relacionada a esses segmentos e impõe medidas que beneficiam exclusivamente pequenos grupos já privilegiados. Enquanto outros estados do Nordeste experimentaram, em algum momento, a eleição de governos populares, de caráter renovador e até o avanço da esquerda, a política do Rio Grande do Norte se confunde até hoje com a história do coronelismo oligárquico.

 

Alianças

Ainda de acordo com a resolução, as definições de alianças deverão ter como norte o projeto nacional do PT, prioridade da legenda. O ex-presidente da República Luís Inácio Lula da Silva é pré-candidato declarado ao posto que ocupou entre 2003 e 2010, mas ainda existe a expectativa da Justiça impedir a candidatura da principal liderança petista. Caso o Tribunal Regional Federal da 4ª Região confirme a decisão do juiz Sérgio Moro, que condenou Lula no controverso episódio do tríplex do Guarujá, o ex-presidente ficaria inelegível e dependeria de um recurso junto ao Supremo Tribunal Federal para assegurar a candidatura.

No plano local, o PC do B ainda é uma incógnita. Aliado histórico do PT no Rio Grande do Norte e em nível nacional, os comunistas compõem o governo Robinson com o vice-governador Fábio Dantas, dois secretários de Estado e cargos no segundo escalão. Apesar de também estar na oposição ao governo Temer, o PDT deve lançar o cearense Ciro Gomes à disputa pelo Planalto e o atual prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves também postula o Executivo estadual.

– As definições sobre alianças deverão, ainda, ter como norte o projeto nacional do partido, nossa prioridade absoluta. As deliberações do PT/RN serão construídas sempre em parceria com o Diretório Nacional do Partido, no sentido de inserir o RN no projeto nacional, mantendo um diálogo que evite desencontros da tática estabelecida para a disputa nacional com a realidade local;

 

Proporcionais

Em meio às indefinições da chapa majoritária no Estado, os candidatos do PT nas proporcionais já começam a ser decididos. Depois de quatro anos sem mandato federal, o Partido vai com tudo para recuperar a vaga aberta com a ida da ex-deputada Fátima Bezerra para o Senado. Dois nomes fortes já divulgaram pré-candidaturas à Câmara Federal.

O deputado estadual Fernando Mineiro e a vereadora Natália Bonavides já anunciaram a intenção de disputar uma vaga. Mineiro está no quarto mandato consecutivo na Assembleia Legislativa e foi duas vezes vereador de Natal. Já Natália foi a vereadora mais votada da história do PT na capital, em 2016.

As discussões para as composições visando as duas vagas no Senado também já foram iniciadas. Embora nenhum nome do Partido tenha sido divulgado até o momento, a deputada federal Zenaide Maia (PR) desponta como possível candidata ao Senado com o apoio do PT. A nominata com os pré-candidatos a deputado estadual tem 13 nomes, entre eles o ex-prefeito de Parelhas Chico de Assis, a vereadora de Mossoró Isolda Dantas, o vice-prefeito de São Gonçalo do Amarante Eraldo Paiva, entre outros.

A eleição proporcional é definida pelo coeficiente eleitoral. O número de candidatos eleitos por cada chapa é proporcional à quantidade de votos da coligação.

– No tocante às chapas proporcionais, tendo em vista que a disputa para o Congresso Nacional se reveste de fundamental importância, principalmente por se tratar da formação da base parlamentar que dará sustentação ao futuro governo do presidente Lula, o PT-RN constituirá uma tática eleitoral que nos aproxime da viabilidade, no mínimo, da retomada da vaga anteriormente ocupada na Câmara Federal e da composição de uma chapa competitiva na disputa ao Senado; Da mesma forma, é essencial que o PT trabalhe para eleger uma bancada de deputados(as) estaduais que dê sustentação ao futuro governo petista na Assembleia Legislativa do RN;

 

Confira, na íntegra, a resolução do Diretório Estadual do PT aprovada dia 9 de dezembro:

 

“O RN atravessa uma grave crise, aprofundada pelo modelo de gestão praticado pelo atual Governador e sentida principalmente pela sua população pobre, pelos jovens e negros/as, além de setores representativos do Estado, como os servidores públicos. Em resposta à atual conjuntura, o Governo se exime da sua responsabilidade relacionada a esses segmentos e impõe medidas que beneficiam exclusivamente pequenos grupos já privilegiados;

Enquanto outros estados do Nordeste experimentaram, em algum momento, a eleição de governos populares, de caráter renovador e até o avanço da esquerda, a política do Rio Grande do Norte se confunde até hoje com a história do coronelismo oligárquico;

Apesar do esforço realizado pelo PT-RN nas eleições de 2014 no sentido de construir uma alternativa mediada, frente à força política de oligarquias tradicionais que se revezam no Poder há décadas, o atual governador traiu o programa que o elegeu, reproduzindo o mesmo modelo conservador e elitista de gestão dos que o antecederam;

O Rio Grande do Norte não pode continuar aprisionado à lógica desses grupos tradicionais e/ou oligárquicos, que vivem uma crise profunda, imersos em denúncias e investigações por corrupção;

Nesse contexto, o PT/RN, que tem exercido nas suas diversas frentes de atuação um papel destacado na defesa dos direitos dos segmentos com os quais dialoga historicamente, deve ter o pleito eleitoral de 2018 como central para o próximo período, seja no sentido de massificar o seu trabalho de base, denunciando de forma contundente as consequências perversas do golpe sobre a classe trabalhadora, seja na perspectiva de apresentar ao RN uma alternativa programática que rompa com o modelo oligarca e elitista prevalecente até então.

Devemos continuar acumulando forças para a disputa eleitoral de 2018. A recente exposição dos grupos tradicionais e familiares da política estadual indica para as próximas eleições um cenário favorável a mudanças, que tanto podem ser de avanço popular, quanto de surgimento de outras elites tão ou mais conservadoras e perigosas quanto os grupos oligárquicos, com os quais compartilha um objetivo comum: a manutenção de privilégios. Dentre estes estão os defensores da anti-política, com discursos moralistas e práticas fascistas;

O Partido dos Trabalhadores, com a realização dos seminários “O PT pensa o RN rumo a 2018”, iniciou o diálogo em todas as regiões em torno de um projeto para o Estado que considere suas deficiências e potencialidades e que aponte soluções, a médio e longo prazo, correspondentes à enorme expectativa que a população tem de um possível governo do PT. A etapa seguinte será de aprofundamento do debate programático, com discussões temáticas, e deverá agregar a esse esforço os setores mais avançados da sociedade, como a academia e, principalmente, os movimentos sociais. É preciso apresentar à sociedade um projeto para o Estado composto de alternativas reais aos desafios colocados;

O PT-RN reafirma disposição aprovada em seu último Congresso de apresentar candidatura própria ao Governo do Estado, devendo, para tanto, protagonizar a construção de uma aliança popular e democrática despontará como alternativa às forças políticas historicamente hegemônicas no estado;

As definições sobre alianças deverão, ainda, ter como norte o projeto nacional do partido, nossa prioridade absoluta. As deliberações do PT/RN serão construídas sempre em parceria com o Diretório Nacional do Partido, no sentido de inserir o RN no projeto nacional, mantendo um diálogo que evite desencontros da tática estabelecida para a disputa nacional com a realidade local;

No tocante às chapas proporcionais, tendo em vista que a disputa para o Congresso Nacional se reveste de fundamental importância, principalmente por se tratar da formação da base parlamentar que dará sustentação ao futuro governo do presidente Lula, o PT-RN constituirá uma tática eleitoral que nos aproxime da viabilidade, no mínimo, da retomada da vaga anteriormente ocupada na Câmara Federal e da composição de uma chapa competitiva na disputa ao Senado;

Da mesma forma, é essencial que o PT trabalhe para eleger uma bancada de deputados(as) estaduais que dê sustentação ao futuro governo petista na Assembleia Legislativa do RN;

Se referenciando na experiência exitosa das eleições de 2002, o PT trabalhará a formação de chapas proporcionais (estadual e federal) aliando representações municipais e regionais, segmentos sociais e étnicos e renovação geracional, prioridade que deve envolver as instâncias partidárias em todos os níveis. Isso dará ao PT as condições objetivas de eleição da maior representação parlamentar da história do PT/RN;

O PT-RN conduzirá esse processo sempre buscando oportunizar espaços de diálogo e consulta à sua militância, que se destaca como um dos principais diferenciais do nosso Partido, em reconhecimento ao papel indispensável por ela exercido em todas as disputas políticas travadas pelo PT, assim como por entender que toda e qualquer conquista partidária passa necessariamente pelas mãos e participação do conjunto de filiados(as) e militantes petistas.”

Natal, 09 de dezembro de 2017.

Diretório Estadual do Partido dos Trabalhadores

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"