OPINIÃO

Qual o futuro de seu Sandoval?

Por Renan Mateus de Oliveira 

Quem passa no tradicional bairro operário do Alecrim, mais precisamente na avenida Presidente Quaresma, mais conhecida como avenida 2, nome esse dado  pelos norte-americanos que rebatizaram as ruas da cidade do sol durante sua estadia na cidade espacial por ocasião da segunda guerra mundial, vê um senhor quase que sexagenário padecendo há exatos 12 anos sofrendo das enfermidades do abandono, do esquecimento, da dúvida e sobretudo da especulação.

Esse senhor tem Nome, e se Chama Sandoval, mais precisamente Teatro Sandoval Wanderley. Seu Sandoval nasceu em 1962, fruto da ação política de Djalma Maranhão, icônico prefeito natalense que teve olhar apurado para as artes e pros desportos, sendo talvez o grande fomentador das duas áreas na cidade do Natal. Esse nome surgiu em homenagem à figura homônima que para além de Assuense, foi um grande personagem da história do Rio Grande do Norte, que atuou como ator, dramaturgo, artista, sindicalista, político, sendo também roteirista e fundador de jornais. Fato é que o Teatro Sandoval Wanderley nasce com dois fatos importantes na sua fundação. O primeiro deles, o fato de ser a segunda praça teatral da capital depois do Teatro Alberto Maranhão, o que já coloca a construção na condição de construção histórica voltada paras as artes. O segundo fato é o modelo arquitetônico apresentado na construção do prédio que trata-se de um teatro de Arena, possuindo a plateia ao redor do palco principal, modelo único pra época a nível estadual permanecendo muito tempo sendo único em todo estado.

A longo dos 46 anos de sua história, O teatro alecrinense vivenciou diversas atividades em sua história, sendo peça importante no fomento a cultura potiguar. Projetos como Pixinguinha, Seis e Meia, Sanfonas do Brasil, além de shows de artistas de alcance nacional como Tetê Espíndola, Fausto Nilo, Miúcha, Zé Celso Martinez, Silvério Pessoa, Os Nonatos, além da semanal cantoria que ocorria nas quintas e sextas, animando a vida noturna do tradicional bairro. Muito se conta de uma apresentação histórica ocorrida no Teatrinho do Alecrim do grupo Raul e a Alcateia Maldita. Pessoas que vivenciaram essa época relatam que o espetáculo teve a lotação máxima e que esse show teria marcado a participação potiguar no movimento de psicodelia nordestina. Um dado marcante do funcionamento do teatro durante seu período de funcionamento foi o de uso social do equipamento público. Boa parte dos eventos ocorridos no espaço, tinha entrada franca, sendo uma opção importante a todos os que queriam curtir um espaço cultural que ofertasse produtos culturais de qualidade.

Fato é que na primeira década dos anos 2000 as coisas começaram a mudar no teatro. Entre os anos de 2005 e 2008 o espaço foi palco de diversas apresentações e uso social, tendo passado por uma reforma e seu uso garantido aos artistas locais. Eis que no ano de 2009 todos os equipamentos culturais da cidade são fechados entre eles o Teatro Municipal Sandoval Wanderley.

Dois anos depois, em agosto de 2011, com o espaço danificado pela falta de uso e manutenção, surgiu uma emenda parlamentar no valor de R$ 800 mil (para uma recuperação do teatro e sua adequação às normas de segurança para a sua reabertura). Todavia nenhum esforço foi feito para execução do convênio, e assim o Teatro permaneceu trancado por todos esses anos, sofrendo o desgaste do abandono.

De lá pra cá, surgiram alguns imbróglios jurídicos referentes a execução de projetos no teatro. Descobriu-se através da equipe da Funcarte que o Projeto não estava concluído junto ao SICONV, exigência básica para realização de projetos dessa natureza. Durante o ano de 2014, tentaram encontrar outras vias de subsidiar a reforma, em especial na tentativa de um novo convênio com o Governo Federal mas não foi possível.

Foi então que no ano de 2017, anunciaram um plano megalomaníaco na cidade do Natal de construção de dois Shoppings na cidade, em especial no Bairro do Alecrim, uma obra que previa a demolição do quarteirão que compreendia o espaço centro comercial, um Banco e o teatro, além de alterações na praça do relógio, entre outras coisas. Naquele momento, a prefeitura do Natal defendeu inclusive o processo de demolição afirmando que construiria um novo teatro na cidade em um lugar onde batizou de bairro mais cultural da cidade. A partir dali surgiu uma ampla mobilização por parte dos comerciantes do Bairro, alinhada a atuação parlamentar de alguns vereadores da cidade, causando o arrefecimento dos projetos e mantendo o tradicional bairro da zona leste com sua característica original.

De lá pra cá o que se tem são especulações e promessas acerca do futuro do Teatro, sendo sempre alvo de promessas por parte de políticos e nenhuma ação concreta pra viabilizar o uso do espaço. A última notícia que saiu na imprensa a cerca do teatrinho dava conta de uma possível venda pra sanar dívidas com a Urbana. Vale salientar que pouca mobilização foi feita nesses anos e que figuras importantes do cenário potiguar estiveram à frente da diretoria do espaço e pouco ou nada fizeram pra uso social do espaço. A pergunta que fica diante de tanto descaso é … até quando?

 

 

 

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