OPINIÃO

Quando 1 + 1 não é 2, e sim zero à esquerda (ou à direita)

Independente da opinião política, da ideologia, das preferências (e ascos) pessoais, a princípio a coisa parecia boa. Dois ministros potiguares em um Governo Federal é algo positivo. Que Estado da Federação não deseja isso?

O Rio Grande do Norte já teve ministros. Aluízio Alves no Governo Sarney, depois Fernando Bezerra, Garibaldi Alves e Henrique Alves entre os governos FHC e Lula-Dilma. Dois ao mesmo tempo nunca, pelo menos que eu lembre. E ambos os atuais em ministérios poderosos, com interlocução direta com o presidente e com o Congresso (um foi e outro é deputado federal).

Parecia bom demais para ser verdade. E a verdade se mostrou bem diferente. Os dois ilustres em questão, Rogério Marinho (no Ministério do Desenvolvimento Regional) e Fábio Faria (deputado federal licenciado e ocupando o recém-recriado Ministério das Comunicações) já deixaram bem claro que a prioridade de ambos nos importantes cargos que ocupam não é o Rio Grande do Norte, mas sim seus interesses pessoais e adulação do presidente Bolsonaro.

Não que quem ocupe um ministério tenha de esquecer a política e tornar-se uma Madre Teresa de Calcutá. Nada disso. Mas, é certo  – ou era – que em sendo ministro pode-se beneficiar o estado natal e ampliar a interlocução com as autoridades deste estado. Pelo menos foi assim com todos os ministros potiguares citados no segundo parágrafo, independente de partidos e lados políticos.

Mas para o bolsonarismo não existem adversários políticos e sim inimigos a serem ofendidos e eliminados. Marinho e Faria incorporaram de tal maneira esta particularidade que inviabilizaram alianças reais em prol do RN. Fábio em grau ainda maior. Já é conhecido na imprensa nacional como um ministro que passa mais tempo tuitando do que trabalhando, quase sempre compartilhando fake news para agradar ao chefe ou ironizando a governadora Fátima Bezerra, de quem inclusive foi aliados nos tempos que se deixava fotografar alegremente com Lula e Dilma.

Fábio, por sinal, é um caso à parte entre os ministros potiguares de ontem e hoje. Genro do empresário e apresentador Silvio Santos, mora mais em São Paulo do que no RN e há tempos mantém processo de afastamento da política estadual, embora sonhe com o Senado em 2022 e ainda mais em ser companheiro de chapa de Bolsonaro na tentativa de reeleição. Na verdade, este é o interesse maior do filho de Robinson, não os problemas do Estado.

Rogério já adota uma linha menos aduladora, se garantindo no seu conhecimento técnico e capacidade de trabalho e articulação. Porém, para não desagradar o chefe, evita interlocução com a governadora Fátima Bezerra, seu secretariado e parte da bancada federal, o que torna o seu trabalho pelo estado menos efetivo. E pelas notícias mais recentes, está no epicentro do escândalo que surgiu em relação ao Orçamento paralelo, no já chamado “Tratorzão” de Bolsonaro. Tem chances reais de ser rifado para que se poupe o primeiro escalão do Governo e o próprio Jair.

Em suma, temos dois ministros potiguares que na prática pouco nos beneficiam, quase nada dialogam e têm que sempre se virar nos 30 para não perder o cargo e se manter nas graças do despresidente mimado e sedento por bajulação. Uma triste sina. Apesar disso, os dois continuam bem cotados para candidaturas ao Senado ano que vem, como já dissemos. Se um dos ilustres for eleito senador, que mostre maior atenção pelo RN do que vem mostrando agora, quando formam uma matemática estranha onde 1 + 1 não é igual a 2, mas sim a quase nada, zeros não à Esquerda, mas umbilicalmente colados à Extrema Direita. Uma pena.

 

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