TRANSPARÊNCIA

Quatro candidatas à Câmara Municipal de Natal não registram votos, mas duas estão na suplência dos partidos

Dentre as candidatas à Câmara Municipal de Natal, quatro mulheres não registraram um único voto nas eleições de 2020. Pelos números contabilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nem as próprias candidatas Patrícia da Fé (PL), Michelle Barros (Republicanos), Janaína Alves (PSL) e Cristina Gomes (Rede) votaram em si mesmas. Apesar da pouca expressão nas urnas, duas das candidatas estão como suplentes em seus partidos e pelo menos duas ainda divulgaram campanhas de adversários em suas redes sociais.

Ao contrário da maioria dos candidatos que disputam todos os espaços de atenção nas redes sociais, Patrícia da Fé (PL) não apresenta conta em nenhuma rede social, de acordo com as informações disponibilizadas pelo TSE. A candidata é casada, tem grau superior completo e trabalha como Corretora de Imóveis, Seguros, Títulos e Valores. Maria da Fé não recebeu recursos de fundo partidário eleitoral. Estranhamente, apesar de não ter tido votos, Patrícia aparece como suplente do PL.

Michele Barros (Republicanos), por sua vez, também não disponibilizou endereço de redes sociais oficialmente. Mas, fazendo uma busca, foi possível constatar que a candidata até tem um instagram, mas que parece ter sido feito recentemente já que a primeira publicação é do dia 20 de setembro. No post mais recente, de 8 de outubro, Michele divulgou um vídeo do vereador reeleito Kleber Fernandes, do PSDB, entre várias pessoas ainda durante a campanha. Em outro vídeo no instagram, Michele Barros também questionou a falta de repasse do fundo partidário e a exigência de que sua imagem fosse associada à do prefeito candidato à reeleição, Álvaro Dias, para receber material de divulgação da campanha.

“…foi colocado que o valor de R$ 1 milhão repassado para o Republicanos no Rio Grande do Norte, 40% desse valor era o fundo partidário para advogado, contador e material. 30% seria repassado às mulheres, negros e pardos, e 30% aos homens. Desde o momento em que eu contestei, fiz a pergunta de que acordo tinha sido feito pelo partido junto com Álvaro Dias, porque uma coisa é democraticamente eu ter o direito de apoiar o prefeito e receber o material junto com ele e, outra coisa, é ter o direito de receber do partido o meu material. Eu não recebi material de adesivo, não fui informada de que se minha foto não saísse junto com o prefeito, eu não receberia”, criticou a candidata durante um encontro.

Michele Barros não recebeu recursos do fundo partidário e, novamente, apesar de não ter registrado um único voto, a candidata também está na suplência do partido.

 

Imagem: reprodução rede social I Michele Barros publica vídeo de seu concorrente e candidato à reeleição Kleber Fernandes

Candidata do PSL divulga campanha do marido

Janaína Alves (PSL) é casada, tem ensino fundamental completo e como ocupação, exerce as atividades de vendedora pracista, representante, caixeira-viajante e assemelhados. Apesar de ter redes sociais, Janaína não faz qualquer menção à própria campanha e em uma das publicações do facebook, ela posta uma foto da campanha do marido, que concorre pelo mesmo partido que ela, o PSL, também a uma vaga na Câmara municipal de Natal. Assim como as candidatas anteriores, Janaína também não recebeu recursos partidários para a campanha.

Imagem: reprodução rede social

Imagem: reprodução rede social I Janaína em foto do casamento com o marido

Além de não ter tido nenhum voto, Cristina Gomes (Rede) não prestou contas à Justiça Eleitoral e está com a candidatura anulada Sub Judice. Ela tem ensino médio completo, é solteira e não definiu ocupação na ficha apresentada no site do TSE. Cristina é mais uma candidata mulher que não recebeu recursos do fundo partidário.

Imagem: reprodução TSE

O uso de mulheres para cumprir a regra dos 30% de candidaturas femininas

Candidaturas laranjas ou o registro de candidaturas sem autorização da candidata são fraudes eleitorais e as mulheres que contribuem com esse tipo de expediente podem ser punidas. Para cumprir a legislação, desde 2009 os partidos têm que garantir que de 30% a 70% das vagas dos partidos sejam preenchidas por um dos sexos. A proposta é incentivar a participação das mulheres na política, já que os partidos têm que ter um mínimo de 30% de candidaturas femininas. Mas, em alguns casos, os partidos recrutam mulheres somente para preencher a cota.

Imagem: reprodução TSE
Artigo anteriorPróximo artigo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *