OPINIÃO

Que diabos colocaram na água que os empresários potiguares bebem?

Que o Brasil vive um processo de loucura coletiva que ainda será estudado no futuro (se ainda houver universidades, claro) me parece bem evidente. Que alguns segmentos (como o evangélico pentecostal) exageram nessa loucura, também parece óbvio. Mas, tem um grupo específico que vem chamando minha atenção há algum tempo, por circunstâncias diversas e que merece atenção por ter entrado de cabeça na histeria coletiva política que vem tomando conta do país: os empresários potiguares.

Não se trata aqui de estudo acadêmico, tabulações ou mesmo investigação jornalística com dados e números. Trata-se de percepção pessoal mesmo, com base no que vejo nas minhas redes e bolhas.

Este texto nasceu da observação de um post no Facebook de um empresário de porte médio, conhecido meu, com grosserias contra Maduro e reclamando da ditadura comunista na Venezuela. Xeretando a timeline dele, achei, claro, posts contra o PT, contra Lula e de maneira mais discreta, celebrando Bolsonaro e o “fim dos corruptos no poder”.

Recordei que a empresa dele cresceu justamente na era Lula, entre 2002 e 2010, e quis perguntar a ele se naquele período o Brasil havia se “tornado uma Venezuela”, ou, pelo contrário, fora o período onde ele mais prosperou e gerou empregos.

Outro empresário, este de maior estrutura, já com negócios internacionais, postou no fim de semana críticas a Cuba (tanto a repressão à manifestação LGBT como ao regime comunista do país). Postagens anteriores dele continham (sem surpresas) ironias a Lula, Dilma, Boulos, PT e Jean Wyllys.

Não me cabe expor suas contradições em público, mas de imediato me espantei por em um post de janeiro ele criticar “o mimimi de Jean Wyllis” e escrever – nas palavras dele – que “os gays hoje querem privilégios e que existe uma maioria” e no domingão defender os gays cubanos…

Mas tudo pode ser sempre pior. Fuçando as fotos do ilustre me deparei com diversas fotos dele fazendo negócios e turismo na… China. Pelo que lembro a China é comunista, assim como Cuba. Eu conto para eles ou vocês contam?

Há exemplos outros de ruma, como dizem. Como o empresário parnamirinense que tive de desfazer amizade e bloquear após dezenas de grosserias e ironias, que em 2014 bradava dia e noite no Facebook pelo impeachment de Dilma, fez parte do “somos todos Eduardo Cunha” e ano passado, justamente com Temer no poder e Bolsonaro sendo eleito, viu o seu bar e restaurante falir. Ignoro, claro, o conteúdo que ele posta no Face atualmente. Mas, possivelmente será contra “os comunistas” contra o “mito”.

Ah, e o dono de loja de roupas que pulou em post nas redes do Portal PN, onde sou um dos editores, para sentar o sarrafo em Guilherme Boulos, que estará nesta quarta, em Natal. “Esse comunista canalha que quer invadir nossas terras”. “Nossas terras”, cara pálida? Está falando da loja de roupas no Centro de Parnamirim ou do apartamento do Minha casa Minha Vida no vale do Sol, já na saída para São José do Mipibu ?

Como tento de maneira quase zen-budista exercitar a compreensão, acredito que deve ser alguma coisa na água que os empresários potiguares bebem, para tal número de raciocínios tortuosos e não-compreensão da realidade.

Até porque com a crise econômica que não passa e um Governo que não dá indicativos de ações para tirar o país do buraco, ficará cada vez mais difícil para os empresário beberem uísque 12 anos.

 

 

 

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