OPINIÃO

Quem estava na casa 58?

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Quem estava na casa 58? Essa é a pergunta que todo o Brasil faz neste momento. Ninguém nunca imaginou que a investigação dos assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes chegariam tão perto do Palácio do Planalto como mostram as gravíssimas revelações feitas pelo Jornal Nacional, na noite desta terça, 29/10. Um dos acusados de participação no crime, o ex-policial militar Élcio Queiroz, esteve no condomínio do Presidente na noite dos assassinatos e ,segundo testemunha, conseguiu acessar a casa do outro suspeito de assassinato, Ronnie Lessa. A liberação da entrada foi feita a partir da casa 58, que é a mesma de Jair Bolsonaro.

São muitas as perguntas que aparecem e elas não podem ser desprezadas. Se Bolsonaro não estava em casa, quem autorizou um dos suspeitos do assassinato de Marielle a entrar no seu condomínio dizendo que ia para casa 58? Como o miliciano Élcio Queiroz sabia que Bolsonaro morava ali? Qual a relação da família Bolsonaro com esse tipo de gente? O miliciano foi outras vezes lá, para ter livre trânsito até a casa do Presidente?

E não adianta o Bolsonaro dar seus chiliques nas redes sociais, assim o faz porque sabe da gravidade da denúncia que liga seu nome ao assassinato da Marielle. Consigo até Imaginar a razão de tanta morosidade nas investigações. Existe uma face oculta e muito poderosa sobre este crime.

É urgente que os órgãos de proteção garantam a integridade do porteiro para que este não seja perseguido ou coagido pela milícia que serve o Presidente. Também é necessário que venha a tona a gravação do sistema de interfone do condomínio para sabermos quem é o “seu Jair” que atendeu o telefone na noite do crime. Estranha a reação exagerada de Bolsonaro. Que preferiu atacar o mensageiro, a explicar como é possível que supostos assassinos tenham tanta proximidade com o presidente e sua família.

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A democracia brasileira não pode seguir em normalidade enquanto estas dúvidas pairam sob o Presidente. Também é necessário repudiar qualquer uso político da Polícia Federal, como já indicou que fará Sérgio Moro, diante de um pedido do Presidente para interrogar o porteiro do condomínio Vivendas da Barra.

É assustador perceber as ligações perigosas, e muito próximas, que a família do presidente Bolsonaro tem com milicianos e mafiosos. Toda a sua trajetória política foi dando espaço para esse tipo de gente em seus gabinetes e nos de sua família. As investigações precisam se aprofundar ainda mais, doa a quem doer. A democracia brasileira não pode ficar refém de milicianos e de quem se associa a criminosos.

Temos um compromisso com a verdade, com a justiça e com a memória de Marielle Franco. Assassinada por chacais do esgoto da política carioca, Marielle não terá sua morte em vão. Ajudará, como último ato de uma vida feita para revolucionar a política, a destrinchar os podres poderes dos milicianos que agora posam como falsos democratas. Se os canalhas agora estão tremendo é a prova de que a voz de Marielle ainda ecoa, e seguirá presente por muito tempo.

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