OPINIÃO

Quem matou Figueiredo ?

Anúncios

Ódio não ter cor ou classe social, mas nós sabemos que ele também é alimentado pela impunidade.

Passado mais de dois meses da execução covarde do companheiro João Maria Figueiredo, ainda enlutados pela falta da necessária presença dele, sentimos-nos ainda mais consternados pelo fato que Figueiredo, se ainda estivesse entre nós, faria hoje 37 anos.

Durante esses mais de dois meses estivemos acompanhando de perto as investigações, colaborando no que foi possível, ajudando na coleta de provas e apontando linhas de investigação à equipe da Delegacia de Homicídios e de Proteção a Pessoa – DHPP. Entregamos alguns relatórios, fruto de trabalho conjunto de policiais que compõem o movimento. O fato é que com uma forte linha de investigação consolidadada até o momento não temos nenhum mandado de prisão ou de busca e apreensão pedido ou expedido, o que além de nos inquietar, traz à tona o mesmo sofrimento de inúmeros homicídios de operadores de segurança pública que ainda carecem de esclarecimento. É amarga a sensação de provar da ineficiência do modelo policial adotado no Brasil, que submete toda estrutura policial a uma engessada burocracia sem fim, que também paralisa o próprio responsável pelo inquérito policial. A falta de resolução tempestiva afasta a boa qualidade das provas e aponta para impunidade e para barbárie.

Já enfrentamos o desdém de “colegas” pelo caso, que cruelmente tentaram matar a reputação de Figueiredo, numa demonstração de ódio do tamanho daqueles que desferiram três tiros no rosto do nosso companheiro. Não se pode classificar ódios. Ódio é ódio, não há diferença entre o opressor da periferia e o opressor fardado, são “sem camisas” “matando descamisados” numa guerra de ódio sem fim.

Não sossegaremos enquanto a morte de João Maria Figueiredo não seja totalmente esclarecida, para tanto nos colocamos a disposição para isso, não somente para o caso em tela, mas de todos os policiais executados no RN. Pois é chegada a hora de tratar o problema com a gravidade e importância que ele exige do Estado, que de maneira alguma pode esquecer a morte de um operador de segurança pública, sob pena de também morrer com cada um que tomba por conta desse ódio sem fim, seja lá de qual lugar ele venha.

João Maria Figueiredo era um entusiasta, pois acreditava numa segurança pública que defendesse antes de tudo a justiça, mas sobretudo a justiça social.

 

Artigo anteriorPróximo artigo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *