OPINIÃO

Racismo à brasileira, o crime perfeito (5)

Caro leitor e cara leitora, qual foi a última vez que você leu um autor negro, seja de ficção ou não? E personagem preto ou preta marcante, de qual lembra?

Pois bem, se você não lembra, eis mais um ponto que vem a justificar o título dessa série de textos que o Saiba Mais vem publicando. É o racismo institucionalizado, entranhado na nossa sociedade por decisões sociais, políticas de Estado que relegaram o povo preto à condição subalterna por centenas de anos.

E é por isso, meu caro e minha cara, que muitos de vocês sequer sabem que leem desde a escola, ou ao menos conhece por nome, um genial escritor preto chamado Joaquim Maria Machado de Assis. Ele mesmo, o autor de Memórias Póstumas de Brás Cubas, Esaú e Jacó, Dom Casmurro e Quincas Borba, uma das maiores figuras – senão a maior – da literatura brasileira era preto, descendente de escravos alforriados e esconderam de você. Acho que nem é tão difícil adivinhar o porquê.

Para começar a mudar mais esse capítulo da nossa história racista, a Faculdade Zumbi dos Palmares lançou neste maio de 2019 a campanha “Machado de Assis real”. (http://machadodeassisreal.com.br/). A proposta é simples: trocar em todos os livros a imagem falsa do escritor carioca, que foi embranquecida, pela verdadeira, digitalmente tratada pelo pessoal da instituição de ensino.

O texto oficial da campanha ressalta que “Machado de Assis foi embranquecido para ser reconhecido (…) Um absurdo que mancha a história do país. Uma injustiça que fere a comunidade negra”.

Pode parecer pequeno, alguns com certeza acham que não é nada, mas imagine aqui comigo a diferença que pode fazer para milhares de estudantes que abrirão seus livros e poderão reconhecer um igual, ainda mais alguém que é um gênio. Encontrar uma referência há muito perdida e jamais apresentada, seja na literatura ou em quaisquer outras áreas do conhecimento. Em suma, mais um passo na direção da reparação histórica que ainda está longe de ser concluída.

Acessem o site, baixem a imagem e ajudem a encerrar uma injustiça perpetuada há mais de um século contra a literatura e o povo preto. E viva Machado!

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