ENTREVISTA

Rafael Motta: “Se é frente ampla tem que ser ampla, não pode esbarrar em pré-conceitos”

Na avaliação do deputado federal Rafael Motta (PSB), o eleitor brasileiro optou por quem já tinha experiência e pelos políticos que demonstraram mais interesse em dialogar com a população. Debruçado sobre os números, vê a vitória de partidos tradicionais, como MDB, DEM e PSDB, mas destaca que “não adianta falar do passado se você não tiver o que mostrar hoje”, avalia.

O PSB vai governar duas capitais no país. Além de manter Recife com a eleição de João Campos, a sigla venceu a disputa em Maceió com JHC, que desbancou o candidato apoiado pela família Calheiros. No geral, levando em conta as prefeituras, o PSB encolheu de 415 para 252 municípios.

Em nível estadual, Motta comemora a vitória do partido em 5 prefeituras do interior do Estado: Francisco Dantas, Riachuelo, Serrinha, Montanhas e Cruzeta. Na capital, a oposição passou longe. O atual prefeito de Natal Álvaro Dias (PSDB) venceu no 1º turno o que, segundo o deputado, ocorreu em razão do marketing da campanha:

“Álvaro Dias conseguiu fazer uma boa propaganda, uma boa divulgação do trabalho, que do meu ponto de vista estava sendo um feijão com arroz, mas ele conseguiu promover isso como se fosse algo extraordinário”, diz.

Passada as eleições municipais, o parlamentar espera que os partidos de centro-esquerda sentem à mesa para discutir um projeto de Brasil que vá além das eleições, mas que atuem em conjunto para derrotar Bolsonaro 2022.

Sobre o futuro da governadora Fátima Bezerra, opina que a petista tem feito várias ações, mas precisa apresentar muito mais ações para disputar a reeleição com condições de vitória.

Nesta entrevista especial à agência Saiba Mais, o deputado federal Rafael Motta faz um balanço das eleições municipais, projeta 2022, avalia as possibilidades do campo progressista e analisa o governo Fátima Bezerra:

Agência Saiba Mais: Que avaliação você faz das eleições municipais de 2020 ?

Essas eleições foram, de certa forma, uma experiência nova para nós, políticos, e talvez uma experiência novas para os eleitores. Vimos um número crescente de abstenções, até em grandes centros urbanos, um grande número de pessoas que não quiseram votar, não se propuseram a ir às urnas para fazer essa escolha, mesmo no 1º turno já. Isso é algo muito interessante para a gente poder discutir na Câmara a obrigatoriedade ou não do voto. Mas essa eleição mostrou também alguns fatos novos: o fim das coligações deixou a formação das chapas muito mais descomplicada. Também vimos um encolhimento absurdo do presidente Bolsonaro onde suas candidaturas majoritárias, ao longo do nosso país, não obtiveram resultado positivo. Figuras que usaram o nome Bolsonaro e não conseguiram se eleger, a exemplo da própria Val do Açaí, a Val Bolsonaro, para quem ele pediu voto… o capitão Wagner, do PROS, em Fortaleza, o próprio Crivella, que tem uma visão bem extrema-direita… e algumas figuras, como os outsiders da não política, caíram em desuso.

Qual foi o recado das urnas ?

O cidadão queria um candidato que já tinha sido experimentado, que tinha um certo conhecimento de como gerenciar uma cidade. Foi o que vimos aqui em Natal também. Sou um crítico construtivo, não pessoal de A, B ou C, mas o atual prefeito surfou uma onda que não tinha sido gerada por ele e conseguiu fazer uma boa propaganda, uma boa divulgação do trabalho que, do meu ponto de vista, estava sendo um feijão com arroz, mas ele conseguiu promover isso como se fosse algo extraordinário. Do meu ponto de vista, (na administração Álvaro Dias) houve diversos erros em relação ao distanciamento social, ao próprio gerenciamento do hospital de Campanha de Natal, muitos erros que inclusive foram colocados à sombra e ele soube explorar bem na questão de marketing, por isso teve um destaque logo no 1º turno.

E no Brasil isso acabou acontecendo em outros lugares. Em algumas cidades gestores não atenderam a expectativa da população e acabaram saindo pela porta dos fundos, outros que vieram com bons discursos, afirmando que já tinham experiência na Câmara dos Deputados ou em outros mandatos como prefeitos, que já tinham sido gestores testados e tiveram mais destaque. Você pega o partido Novo, por exemplo, com todo aquele apelo de “somos empresários e entendemos de como gerenciar a coisa privada e então a coisa pública também será gerenciada com muito carinho”… o próprio Novo teve um resultado pífio, assim como o governo Bolsonaro também.

“O cidadão queria um candidato que já tinha sido experimentado, que tinha um certo conhecimento de como gerenciar uma cidade”

E o PSB, como saiu das eleições ?

O PSB saiu bem fortalecido do 2º turno e do 1º turno também. Aqui no Rio Grande do Norte tivemos cinco prefeituras importantes, algumas tiveram renovação pelo PSB. Nessa campanha o PSDB saiu muito forte, o MDB também é um partido muito forte, com uma ligação forte com a cor, mas pouquíssimo com as ideologias. Tanto que temos aí uma gama de prefeitos que me dão suporte e que não estão no PSB. Eu ouvi muito na campanha: “olha, aqui tem número tal, a cor tal”. E dizia: não tem problema, depois a gente faz uma tentativa de mudança do que está arraigado na mente das pessoas. Mas isso mostrou que o eleitor não tem obrigação de escolher pelos grandes eleitores. O próprio Bolsonaro, que teve uma grande eleição (em 2018) acabou não sendo uma eleitor para quem estava com ele ao lado. Foi uma campanha curta, houve poucos debates, foi fria nas capitais, embora quente ainda no interior. Mas de um modo geral, uma campanha rápida, de muita rede social, de pouco contato com o eleitor na capital.

O PSDB, o DEM e o MDB vão controlar metade das capitais. Dá para dizer então que foi uma vitória da velha política tradicional ?

Sim, figuras políticas tradicionais e que procuraram se reinventar. Você vai ver ainda um Rodrigo Maia ao lado do Eduardo Paes, um Ciro Gomes ao lado do prefeito de Fortaleza, a família Campos em Recife. Houve um grande rompimento em Maceió, o deputado JHC teve um rompimento incrível com a família Calheiros, foi um novo experimentado. O político tradicional está em alta, mas desde que ele se reinvente. Não adianta falar do passado se você não tiver o que mostrar hoje. O DEM cresceu muito, acho que o partido que mais cresceu, o DEM é o ex-PFL, com uma ideologia de Direita. Mas o que dá pra perceber é que as pessoas estão longe do extremismo, seja de ultra-direita ou de ultra-esquerda. Apesar de haver algumas questões que fogem à curva. Como se poderia imaginar que um candidato do PSOL chegasse ao 2º turno e com força. Mas chegou com um discurso mais ameno para tentar trazer o eleitorado de São Paulo, que é mais à direita. O que falou mais alto nessas eleições foi o anti: o anti-bolsonaro, o anti-ultra-esquerda, o anti-PT de certa forma. Desde a redemocratização, o PT não vai controlar uma capital.

“O político tradicional está em alta, mas desde que ele se reinvente. Não adianta falar do passado se você não tiver o que mostrar hoje”.

O PT sai enfraquecido ?

O PT continua muito forte. O PT tem um domínio muito forte da Câmara, tem um papel muito importante nas discussões nacionais, tanto na Câmara como no Senado. Ele sai enfraquecido do ponto de visto das eleições municipais pelo número de prefeitos evidentes, mas sai fortalecido pela sua militância, que continua muito forte. Número de prefeitos não significa propriamente um enfraquecimento. Mas a militância continua muito ativa. Em Natal, o PT teve a possibilidade de eleger três vereadores. E três vereadores com dois nomes novos, agora duas mulheres, uma (Divaneide Basílio) que tem feito um trabalho bacana na Câmara. Mas o PT tem muita liderança, não só aqui no RN mas no Brasil. Agora houve um enfraquecimento por desencontros em alguns municípios. E pelo isolacionismo do PT: ele buscou lançar candidatos em muitas capitais, muitas cidades, evitou algumas coligações, composições, poderiam ser vice ou cabeça de chapa, mas abrindo espaço na vice para outros. Mas o PT sempre consegue se reconstruir muito fácil.

Há uma campanha de partidos de Direita com o apoio da imprensa em querer apresentar à sociedade partidos de Direita, a exemplo do DEM e PSDB, como se fossem partidos de Centro. Como vê essa estratégia?

Não vejo como convencer a população. Muitos são partidos do “Centrão”, com indicações fisiológicas. Não são partidos que mantém um programa ou diretrizes. Se o governo for mais de esquerda vão sair mais à esquerda, se o governo for para a direita, também. O que acho mais interessante é esse povo falar em “derrota de Bolsonaro”. São partidos que estão ali entranhados na participação do governo, sempre em busca de mais cargos, mais espaços, mas falam de derrota de Bolsonaro, de ruptura com a Direita como se fossem partidos que estão no centro. Acho curioso porque estão tentando se adaptar ao recado das urnas. Agora resta saber se essa sociedade vai acreditar que o DEM, um PFL, hoje é um partido de Centro. O próprio MDB são partidos que estão ali. Tem que esperar um pouquinho mais.

A imprensa já lançou nomes de possíveis adversários de Bolsonaro por esse “novo centro”. João Doria, Sérgio Moro e Luciano Huck, por exemplo. Acredita que algum desses nomes ?

Vivemos um momento de polarização extrema na eleição de Bolsonaro, do anti-esquerda, do anti-lulismo, do Bolsonaro, da valorização da família e da negação da ciência, tudo o que já conhecemos. Vejo uma falta de organização, uma falta de diálogo do centro-esquerda. O PSB e o PDT fizeram alianças com diversas participações, em várias capitais e municípios. Mas há uma falta de diálogo para o bem do nosso país, e não só eleitoral. Acho que o momento é de fazer um debate entre os partidos e depois pensar em eleição. Vejo que Bolsonaro age sempre na tentativa de ser vítima de uma grande armação. Hoje o presidente age para bater de frente com Doria, mas há dois anos havia o Bolsodoria. O PSB não se senta na mesa com Bolsonaro para fazer uma composição política, isso está completamente descartado, não existe a menor possibilidade. Mas ele vai ter que conversar com alguém. Os índices de aprovação dele estão caindo cada vez mais. Quando você está num céu de brigadeiro, você caminha com suas próprias pernas e pode não dever nada a ninguém. Mas como Bolsonaro saiu minúsculo dessa eleição, não conseguiu eleger vereadores nem no interior do Rio de Janeiro, e tem adotado um discurso de perdedor, ou ele conversa com algum desses… com o Sérgio Moro não existe mais ambiente, o Moro balança para onde tem um peso maior. Apesar de adotar uma postura não política Moro é uma das pessoas mais políticas do país. O Huck não sei se consegue penetrar nas classes D e E, e até aqui mesmo no Nordeste, e temos que fazer umas consultas ao Progressistas, que teve um crescimento muito grande. Teremos que ver quem será o próprio presidente da Câmara.

“O PSB não se senta na mesa com Bolsonaro para fazer uma composição política, isso está completamente descartado, não existe a menor possibilidade”.

O Ciro Gomes vem discutindo e falando um pouco mais como líder da esquerda, mas acho que existe uma certa vaidade. No momento em que é pra gente se unir, (criar uma) alternativa para proteger nosso país, às vezes cria sempre uma discussão mais eleitoral e se deixa de lado bandeiras de defesa do nosso país. Ou se tem uma discussão (no campo centro-esquerda) ou vai ganhar Bolsonaro novamente.

Seria interessante se pudesse conversar com o PSDB, com o Progressistas que, apesar de não ter líderes nacionais, têm capilaridade. O que fico temeroso é que temos que buscar uma alternativa pra evitar que haja perpetuação de um presidente que não tem sequer contemplação com a ciência. E sem falar nesse eterno duelo entre A e B, se você não é Bolsonaro, você é Lula. Não é isso, a gente quer discutir um país que seja justo pra todo mundo. E não é adotando medidas como um presidente que comemora um insucesso de um teste para uma vacina. É querer viver eternamente numa situação de agressão, de polarização, de divisão no nosso país.

“O Ciro Gomes vem discutindo e falando um pouco mais como líder da esquerda, mas acho que existe uma certa vaidade”.

Você citou que defende diálogo com o PSDB e o PP. Qual é o limite para a Frente Ampla ?

Se é frente ampla tem que ser ampla. Não pode ter preconceitos ou pré-julgamentos com A, B ou C. O que temos que colocar antes de mais nada é qual é o objetivo da frente ampla ? É fazer um presidente de esquerda ou é derrotar um governo que não é popular, que não trata do social e é mais conservador e fisiologista do que outros partidos ? Um presidente que praticou estelionato eleitoral, que defendeu a redução de ministérios, por exemplo, mas hoje muitos foram recriados ? É preciso uma ruptura de vaidades. Uma frente tem que preservar uma abertura de diálogo. Então não é uma frente de esquerda, mas uma frente ampla de centro-esquerda, uma frente democrática em defesa do nosso país.

“Uma frente tem que preservar uma abertura de diálogo. Então não é uma frente de esquerda, mas uma frente ampla de centro-esquerda, uma frente democrática em defesa do nosso país”.

Como foi na campanha pelas Diretas já!, por exemplo ?

Como foi nas Diretas! Tem que ser apartidário, não precisa levantar bandeira quando está na mesa, mas precisa discutir situações. Tive receio em muitos momentos, estando no Parlamento federal, de ameaça da nossa democracia, com valorização de atos institucionais, coisas que estavam à sombra do nosso país e que foram colocados para fora. O presidente e os filhos dele brincam com a Bolsa de Valores através do twitter. Isso causa desconforto em todos. O limite da frente ampla deve esbarrar naqueles que participam do governo.

A chegada do Bolsonaro ao poder começa, para muita gente, no impeachment da Dilma. Você foi um dos deputados que votou a favor do impeachment. Se arrepende hoje ?

Acho que não. Ali o meu voto foi baseado exclusivamente de forma técnica. Era algo que estava explícito na Constituição e acabei seguindo a Constituição. Tanto que na minha defesa de voto não dediquei à família, à esposa, à mãe, a seu ninguém, fiz uma dedicatória baseada no que estava na Constituição. E a gente fez uma abertura de análise, então não foi a Câmara que praticou o impeachment. Mas naquele momento realmente houve uma nova dinâmica na cabeça das pessoas, dos brasileiros. Houve vários votos políticos de fato, houve diversos partidos que davam suporte político que mudou do dia para a noite, por questões que não sei. Houve um enfraquecimento da esquerda.

“Ali o meu voto foi baseado exclusivamente de forma técnica. Era algo que estava explícito na Constituição e acabei seguindo a Constituição”.

A aliança do PSB com o PDT foi pontual agora em 2020 ou ela segue para 2022 ?

Houve um diálogo em diversas capitais, há um diálogo nacional muito direto entre as lideranças nacionais. Localmente a gente não teve oportunidade desse diálogo.

Por quê ?

O PDT hoje é um partido que no Rio Grande do Norte não tem tanta expressão. Não há uma deputado federal, não tem figura com destaque. Carlos Eduardo é um grande nome, um ex-prefeito. Quando fui vereador, era oposição a ele. Mas em relação à dinâmica local esse dialogo direto, temos uma relação boa, mas diálogo político não tivemos essa oportunidade.

O PSB também é da base do governo estadual comandado pelo PT…

Também somos parte da base do Governo do Estado, coordenei a bancada federal, e a gente busca uma tentativa de melhoria que o nosso Estado está vivendo. Houve já diversas melhorias que são o básico, mas que a gente não tinha, como a segurança pública, por exemplo, como a própria atualização no pagamento do Estado. Confesso que não sei como seria o malabarismo que a governadora faria pra poder atualizar os salários, mas está conseguindo. Com o enxugamento de algumas situações e a própria saúde pública, os níveis de covid foram controlados. E estamos aqui para ajudar.

“Confesso que não sei como seria o malabarismo que a governadora faria pra poder atualizar os salários, mas está conseguindo”.

O PSB está satisfeito com os espaços que tem no Governo ?

Não somos um partido fisiologista. Temos alguns nomes do nosso quadro pra poder fazer parte e auxiliar. O partido está sendo bem tratado, espero que haja um pouquinho mais de diálogo. O governo se fecha muito em si, não pela governadora, mas talvez por alguns dos seus secretários que são muito vitais. Falta um pouquinho mais de abertura até para deputados de oposição: um pagamento de emenda, uma dificuldade de uma estrada que passa o Alto Oeste potiguar. As pessoas acham que é uma questão política, só que é uma questão de melhoria de vida do cidadão. Mas temos um bom diálogo.

Você vê algum adversário para enfrentar a governadora Fátima Bezerra em 2022 ?

Acho antecipado falar sobre isso. Mas qualquer pessoa que queira se reeleger, tem que mostrar serviço. A governadora, como falei, tem melhorado em alguns setores, mas precisa melhorar e muito, e muito mesmo. Através de investimentos, investimentos federais, através de contato político, fazer política também. Fazer um processo político, um diálogo político. O PT pecou aqui no Estado em alguns municípios, pecou em algumas regiões, que poderiam ter feito parcerias, assim como em nível nacional. Mas está muito cedo para falar sobre isso. A governadora está empenhada em resolver a questão dos salários, a questão da segunda onda, e começar mais a informar as pessoas do que o Estado tem feito, defendendo a saúde das pessoas, a prevenção da covid-19, a atmosfera está um pouco menos conturbada. Agora pensar em reeleição agora… o gestor tem que fazer seu dever de casa, independente da eleição ou não.

“Qualquer pessoa que queira se reeleger, tem que mostrar serviço. A governadora, como falei, tem melhorado em alguns setores, mas precisa melhorar e muito, e muito mesmo”.

O Rio Grande do Norte tem pela primeira vez dois ministros potiguares no Governo Federal. Que avaliação dá para fazer do trabalho de Rogério Marinho e Fábio Faria ?

A gente a valia se o ministro é bom ou não se ele tem obras e recursos para ajudar o Estado. Espero que olhem para o RN com um olhar diferenciado, que precisa muito de investimento. Passamos por um momento de eleições e não vi ainda nenhum tipo de ação no Estado. A questão da engorda de Ponta Negra, o ministro Rogério Marinho fez uma indicação, mas temos que analisar e ver o que vão trazer para o Estado.

PSB elegeu dois prefeitos bem jovens no Nordeste: O João Campos em Recife e JHC em Maceió. Você ensaiou concorrer à prefeitura de Natal em 2016, mas desistiu. Ainda sonha em administrar Natal ?

Eu sou muito do presente, não sou de ficar fazendo projeções. Mas minha preocupação agora é com minha reeleição. Primeiro ajudar os municípios que me deram suporte político e os que não me deram também. Sonho a gente sempre tem. Agora é ajudar o Estado. Você faz a pergunta de repórter e eu respondo como político (risos). O PSB é um partido que tem quadros excelentes, em Recife foi uma eleição muito bonita, JHC que rompeu com famílias tradicionais, temos lideranças nacionais no Macapá, com Capibaribe, o partido que tem participado de debates nacionais, valorizando o social e fazendo a defesa da economia. Partido que tem tudo pra ser não coadjuvante, mas protagonista.

Você se identifica como um político de qual espectro ideológico ? Centro-esquerda ?

Comecei no PP, tive um desagravo com a conjuntura nacional, migrei para o PROS, partido que imaginei que fosse de centro-esquerda, mas se mostrou um partido mercantilista. De repente o presidente do Partido comprou um helicóptero, um avião, uma casa no Lago Sul, e achei aquilo um escárnio com a sociedade. Então migrei para o PSB, onde estou muito feliz. Me considero um político de centro-esquerda, temos que valorizar o social mas não podemos deixar de pensar em bandeiras que defendam a economia, a propriedade privada também.

Você disse no início da entrevista que o número alto de abstenção nas eleições desse ano acende um alerta para o debate sobre o voto obrigatório no Brasil. Pretende levar essa pauta para o plenário do Congresso ?

Já há na Câmara alguns projetos nesse sentido. Só participa do debate quem tem interesse. No voto facultativo, quem quer vota, quem não quer não vota. Podemos até discutir isso, mas desde que haja nas escolas, nos colégios, informativos que falem da importância do voto. Não podemos obrigar uma pessoa a votar se ela não tem interesse nem conhecimento e não sabe de nada. Isso dá espaço para algumas aberrações, dá espaço para o poder econômico e acaba enfraquecendo o debate ideológico, de propostas. Aquele que é mais interessado vai atrás do seu candidato para saber propostas. Mas obviamente que, antes de tudo isso, é importante que haja uma conscientização nacional da importância do voto. Porque daqui a pouco a gente vai ter 40%, 50% de abstenção e vamos começar a demonstrar que a democracia está enfraquecida. Democracia não é obrigar as pessoas a fazerem algo, é conscientizar as pessoas de que é importante fazer aquilo.

“Me considero um político de centro-esquerda, temos que valorizar o social mas não podemos deixar de pensar em bandeiras que defendam a economia, a propriedade privada também”.

 

 

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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