OPINIÃO

Receita de um futuro melhor

Ontem eu tive uma experiência antropológica, querido leitor. Logo após sofrer uma agressão verbal (em plena época natalina) em uma rede social, estava eu andando na rua e pensando sobre isso quando encontro uma senhora jogada no meio da rua.

Ao ver a situação, notei que o pé dela estava em uma direção e a perna em outra, uma cena bem forte até para profissionais de saúde.

Eu tinha acabado de sofrer um acidente por causa de um buraco na rua (motivo para outro artigo no futuro).

Vi que não tinha nenhum médico no local, me apresentei e tentei ajudar. Mas não consegui, pois a paciente, na queda, bateu a cabeça e estava com dor na região cervical. Orientei e tentei tranquilizar a mulher, mas falei que não poderia retirar ela daquela posição desagradável, enquanto o Samu não chegasse.

Aí começou minha experiência social mais profunda, foi pelo menos uma hora de muitos comentários das pessoas ao redor.

“Meu deus, olha o pé dela, será que ela vai conseguir andar?”, um senhor falou.

“Minha nossa senhora, que coisa “feia” esse pé”, disse uma moça.

“Se a mulher continuar esperando essa ambulância aí, vai acabar morrendo”, gritou um jovem duas vezes.

“O que aconteceu aí, moço? Ave Maria, deixa eu ver”, disse uma senhora, que se aproximou tanto do pé que, por quase um milímetro não bate no coto quebrado.

Eu já estava ficando nervoso (imagine como estava a situação da senhora deitada no chão) e estava quase partindo para a brutalidade com o próximo que falasse mais uma barbaridade. No entanto, meio que de repente, surgiu uma chuva que afastou a todos, menos o Cláudio, um alcóolatra que todos conhecem na rua e que dorme embaixo da marquise de um prédio.

Cláudio se aproximou, ofereceu um guarda chuva quebrado e falou com a senhora: “Vai dar tudo certo fulana, já quebrei meu dedo , é só colocar no local e “colar”.

A moça riu e ele tomou mais um gole de sua cachaça.

Enfim, sabemos que a sociedade está doente, que as redes sociais expuseram suas “vísceras” infectadas, mas a saída desse problema pode estar aonde menos imaginamos.

Olhem para o lado, procurem as coisas simples. Lá pode estar a resposta de um futuro melhor

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