OPINIÃO

Relembrando Gothardo Neto

O ano de 2021 começa com um certo alento (além da vacina, é claro): chegou a hora de nos deleitarmos com as diversas produções artísticas contempladas nos muitos editais da Lei Aldir Blanc (lembrando, dinheiro público e, portanto, de nós todos!). No caso da literatura e poesia, a safra é grande e diversa e nos faz confirmar como esse estímulo a autores locais, sobretudo os que estão começando, precisa ser uma política constante e não emergencial.

Mas na contramão de toda essa boa e nova onda de publicações que vêm aí (no que se inclui a própria que aqui escreve), um tímido título merece atenção redobrada: trata-se do livro “Movimento Literário – crônicas e críticas”, de Gothardo Neto. A compilação de textos publicados originalmente em diferentes jornais e revistas da Belle Époque natalense se deve ao editor João Gothardo Dantas Emerenciano (vulgo Gothardinho), que com esse título marca mais um passo na sua luta de editor independente e responsável pelo selo O Potiguar.

 O editor João Gothardo com mais um título da sua Coleção Professor Zuza (pai de Gothardo Neto).

Mas, mais do que isso, o livro faz ainda uma necessária homenagem ao poeta que neste ano completa 110 anos de falecimento. Nascido em 24 de julho de 1881, Gothardo Neto (ou Gothardo Netto, como grafado à época) foi um autêntico representante de uma autoria múltipla que primava ora pelos arroubos e malabarismos estéticos do romantismo-parnasiano, ora caía na escrita galhofeira e debochada via pseudônimos, tal como Ferreira Itajubá, Segundo Wanderley e outros nomes da Natal província. Acometido de tuberculose (certamente por conta de sua vida desregrada e boêmia), Gothardo Neto morreu antes de completar 30 anos, em 7 de maio de 1911, mas antes ainda teve tempo de deixar no mundo pérolas como esta, que integra seu livro Folhas Mortas (publicado postumamente):

Reprodução da edição original do até então único livro de Gothardo Neto.

A iniciativa de João Gothardo – este incansável entusiasta da história do RN e, aliás, sobrinho-neto de Gothardo Neto – interessa não só a amantes e estudiosos das letras potiguares, que encontrarão no livro, além das crônicas e críticas, uma série de notas explicativas sobre nomes da época, bem como imagens valiosas do poeta e das revistas e jornais onde publicou. Mas o livro do selo independente O Potiguar interessa também às novas gerações de poetas que felizmente têm surgido, tal como um lembrete sobre como pode ser feliz o encontro entre a tradição e a contemporaneidade. Para maiores detalhes sobre o livro, é possível conversar com o próprio editor pelo e-mail mariorelvaneto@gmail.com.

 

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