CIDADANIA

Rendimento dos mais pobres foi o único a reduzir no Brasil de Bolsonaro

A faixa de renda da população brasileira mais pobre foi a única que perdeu rendimento nos nove meses do governo de Jair Bolsonaro (Sem partido). De acordo com estudo feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), cerca de 52% da classe mais pobre do país não tiveram ou perderam rendimento nesses três trimestres de 2019. As informações usam como base o indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda, divulgado mensalmente e dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo o Ipea, somente nos seis últimos meses, os rendimentos da classe mais pobre apresentou uma queda em 1,67%. No entanto, ao considerar as demais faixas de renda, os brasileiro obtiveram maior rendimento, principalmente a classe média, que teve um aumento de 13,1% no índice, com valores mensais entre R$ 4,1 mil e R$ 8,2 mil por domicílio.

A primeira faixa, que considera as famílias que recebem menos que R$ 900 mensais é a que mais representa a realidade do país, com cerca de 30% de domicílios sob essa classificação, maior entre os seis estratos medidos. O estudo é dividido em seis faixas de renda, sendo elas: Muito Baixa, com rendimentos menores que R$ 900; Baixa, entre R$ 900 e R$ 1350; Média-baixa, entre R$ 1350 e R$ 2250; Média, com R$ 2250 e R$ 4500; Média-alta entre R$ 4500 e R$ 9000; e renda Alta, maior que R$ 9000.

O resultado preocupa mais ainda: em comparação ao último trimestre do ano passado, o percentual de domicílios sem rendimento subiu 0,3 pontos percentuais, de 21,9% para 22,2%. Além dos domicílios classificados com renda mais baixa, aproximadamente 23% dos domicílios não tiveram rendimento no terceiro trimestre deste ano. O valor somente mostra que o nível de desigualdade econômica está cada vez mais se acentuando.

Segundo a pesquisa, nos penúltimos três meses de 2019, a renda domiciliar do trabalho da faixa de renda alta era 30 vezes maior que a da faixa de renda muito baixa. Em comparação com anos anteriores, nota-se que o maior rendimento já obtido pela faixa mais pobre da população ocorreu no primeiro trimestre de 2015, quando o valor médio chegou a R$ 843,20. Agora, no terceiro trimestre do ano, essa renda média ficou em R$ 805,50, a menor desde o primeiro trimestre de 2017.

A perda de rendimentos observados na população mais pobre, de acordo com Maria Andreia Lameiras, pesquisadora do Ipea e uma das autoras do estudo, ocorreu pela combinação de dois fatores diferentes um do outro. “Além de reajuste menores, a inflação acabou corroendo mais o salário porque houve muitos aumentos de preços no alimento, na energia, coisas que são mais pesadas para os mais pobres”, diz a pesquisadora. Outro exemplo é que a ocupação em empregos de menor qualificação, segundo ela, acaba acarretando em uma maior dificuldade de readmissão após uma crise.

Ainda segundo a pesquisadora, os maiores ganhos de rendimentos registrados foram observados no estrato dos trabalhadores autônomos, que somente no último trimestre registraram uma alta de 5,2% nos rendimentos.

“Tem gente com rendimento muito alto, tem gente ganhando menos. Na média deu 5,2% de alta, mas tem gente que está crescendo 10%, tem gente que não aumentou nada. E dentro desse meio você encontra o Uber, mas tem também o médico que é Pessoa Jurídica. São rendimentos variados”, completa.

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Pedro Torres
Pesquisador e jornalista com foco em direitos humanos, política e tecnologia baseado em Natal/RN. CONTATO: pedrohtorres@outlook.com