DEMOCRACIA

Representatividade feminina é condição para transformações sociais, defendem advogadas da OAB

“Representatividade importa e nós queremos equidade”. Carta escrita por mulheres advogadas inscritas na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) manifesta os desafios atuais de gênero no combate aos preconceitos e luta pela paridade e pelo fim do machismo.

O documento foi lido na edição do Balbúrdia desta quarta-feira, 9, que trouxe para o debate a importância da representatividade feminina para efetivação da democracia e as barreiras que precisam ser transpostas para ocupação dos espaços de poder.

Para as advogadas Elisângela Fernandes e Mariana Siqueira as mudanças que promovam igualdade de gênero devem considerar a lógica patriarcal em que o Brasil está inserido. “Falar de equidade é falar de privilégios”, afirmou Siqueira, para quem é preciso assumir a missão diária de se desconstruir e atuar para mexer nas estruturas.

Sem nenhuma mulher ocupando o cargo de presidente de seccional atualmente, o Conselho da OAB aprovou em novembro passado medida que estabelece 30% das vagas para profissionais, homens e mulheres, autodeclarados pardas e pretas, e determina que 50% dos cargos sejam ocupados por mulheres. A proposta foi apresentada pela conselheira da OAB de Goiás, Valentina Jungmann, que também empresta seu nome ao projeto.

Essa conquista de um espaço de representatividade não só para as mulheres em sua generalidade, mas também para as mulheres negras, foi fruto de uma luta protagonizada por mulheres como tantas outras conquistas alcançadas ao longo da história”, ressalta a advogada Mariana Siqueira.

Mas a luta não acabou, é preciso que a conquista se efetive como realidade, avalia Elisângela Fernandes. “É preciso fazer um trabalho de acolhimento das mulheres advogadas, porque a OAB é uma instituição extremamente machista”.

As advogadas lembram que a flagrante desigualdade de gênero e o sexismo nos diversos espaços públicos e privados, que coloca o Brasil entre os mais atrasados em representatividade na América Latina, reflete conquistas em uma caminhada longa e cheia de desafios.

E “com a OAB não seria diferente, pois ela está inserida nessa sociedade desigual e violenta”, por isso ainda é pouco garantir estes espaços se não “aferir as condições reais de trabalho das advogadas, de modo a apurar focos de desigualdade de gênero, preconceitos com advogadas gestantes e mães e a existência de assédio”.

Elas falaram ainda sobre o desafio verdadeiramente histórico para todas e todos os profissionais do Direito que querem uma OAB mais próxima de suas bases e representativa da sociedade brasileira nas eleições dos cargos das próximas diretorias da Ordem neste ano.

Confira entrevista na íntegra.

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