CULTURA

Repúdio à censura marca o lançamento da Frente Parlamentar Mista em Defesa do Livro

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Em resposta ao recente episódio de censura na Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro (RJ), deputados, senadores e diversas entidades sociais lançaram na terça-feira (10) a Frente Parlamentar Mista em Defesa do Livro, da Leitura e da Escrita. A iniciativa partiu do senador Jean Paul Prates (PT-RN), em parceria com a deputada federal Fernanda Melchionna (Psol-RS).

Os dois parlamentares presidirão a frente suprapartidária, que obteve a adesão de cerca de 200 congressistas e terá como vice-presidentes a senadora Leila Barros (PSB-DF) e o deputado federal Waldenor Pereira (PT-BA).

Durante o lançamento na Câmara dos Deputados, os parlamentares fizeram a leitura do Manifesto Contra a Censura na Bienal do Livro do Rio de Janeiro. Os participantes do evento classificaram como “abominável” a tentativa de instalar “a censura à liberdade artística e de expressão no país”.

“Querem tornar o Brasil refém de um pensamento político difuso, reacionário e ultrapassado. Censura nunca mais”, diz trecho do documento lido no lançamento da frente.

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O senador Jean Paul Prates convidou os representantes das cerca de 50 entidades, associações e organizações da sociedade civil presentes no evento a participarem das audiências públicas e debates que serão realizados pela Frente Parlamentar Mista do Livro, da Leitura e da Escrita.

Jean Paul repudiou o que classificou de graves ameaças às liberdades democráticas com a tentativa de reinstalar a censura no Brasil.

“Estamos vivendo um período muito ruim para a democracia, mas ainda podemos reagir. Não há como ficar olhando as coisas acontecerem contemplativamente. Temos de fazer alguma coisa. Esse ato é muito importante, porque é uma primeira reação”, afirmou.

Fernanda Melchionna alertou que “vivemos um tempo histórico em que tentam voltar com a censura no Brasil. Não é um raio no céu azul. É um projeto autoritário que, para se instalar no país, precisa liquidar o pensamento crítico, atacar as artes, o cinema e a leitura e fazer como fizeram em todos os períodos autoritários da nossa história: queimar livros”, advertiu.

A deputada disse, ainda, que a reação da sociedade civil à censura do prefeito Marcelo Crivella (PRB) à Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro mostrou que é possível reagir ao autoritarismo.

“Não vai ter censura”, pregou.

 

 

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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