CIDADANIA

Residentes e beneficiários de auxílios da UFRN denunciam que não há alimentação para todo mundo na quarentena

Estudantes que moram na Residência Universitária do Campus Central da UFRN e permanecem no local por conta da pandemia do Coronavírus denunciam que a universidade tem negligenciado a alimentação dos residentes e beneficiários do auxílio-moradia, via Programa Nacional de Assistência Estudantil.

O Restaurante Universitário parou de funcionar para refeições presenciais desde a segunda-feira (23) e a Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis da instituição solicitou aos alunos que ainda permanecem na cidade e dependem de assistência que justificassem os motivos de sua estadia tanto na residência, quanto em casas alugadas e subsidiadas por auxílio. Os estudantes que comprovassem suas razões de permanência passariam a receber kits com alimentos ao invés de fazerem a refeição do RU.

De acordo com uma estudante beneficiada pelo auxílio-moradia que não quis se identificar, a PROAE determinou como prazo de envio das justificativas até o dia 23, depois, comunicou que só receberia a documentação até o dia 21.

“Eles avisaram o encurtamento do prazo no mesmo dia em que encerrariam o recebimento das justificativas, o próprio dia 21. Eu solicitei o recebimento do kit, fui indeferida, pedi recurso e fui indeferida novamente. Continuo em Natal por causa do meu estágio, e porque aqui estou exposta voltar pra casa significaria, quem sabe, contaminar outras pessoas em situação de risco. Queria entender porque alguns estudantes que dependem disso para comer tiveram esse direito negado“, relata a estudante.

Já na Residência do campus central, cerca de 65 estudantes permaneceram do prédio mesmo após a suspensão das aulas. Todos os residentes são advindos de outros estados ou cidades distantes do interior potiguar. Um dos residentes que permanece na instituição, conta que alguns conseguiram voltar para casa, e outros não.

“Teve gente que conseguiu ir para casa logo no início da pandemia aqui, mas tem gente de outros estados, que precisaria até pegar um vôo para voltar a sua cidade, algo caro e perigoso no momento. O mínimo que se deveria garantir era a alimentação integral dessas pessoas, o que não seria tão difícil, já que normalmente, 300 a 400 pessoas moram aqui e comem todos os dias no RU, que não está funcionando”, conta o estudante que também preferiu não se identificar.

Ao todo, 49 estudantes da residência do Campus Central foram deferidos para receber os kits de alimentação, que serão distribuídos a cada 20 dias, e deve suprir três refeições diárias. De acordo com o residente são distribuídos por pessoa 1 lata de sardinha, 6 ovos, 1kg de cuscuz, 1kg de arroz, 2 pães e algumas fatias de queijo e presunto.

“Essa comida já é insuficiente para 20 dias e a gente tá se ajudando, dividindo o pouco para que ninguém aqui dentro fique sem comer. Logo logo vai acabar e a gente vai ficar passando fome aqui, é um absurdo que no meio de uma situação tão crítica nós ainda sejamos tratados assim, se tivéssemos condições e não fosse arriscado todos aqui já estariam em suas casas”, completa.

Os estudantes, insatisfeitos com a situação, têm cobrado uma solução da PROAE através do Pró-Reitor, Edmilson Lopes. A agência Saiba Mais tentou entrar em contato com ele por telefone e através de sua assessoria, mas não obteve resposta até o fechamento desta reportagem.

De acordo com a assessoria da UFRN, os kits de alimentação confeccionados pelo RU são individuais, tomando como base a literatura da Nutrição e a disponibilidade dos gêneros alimentícios no estoque do Restaurante, bem como cumpre as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), do Ministério da Saúde, do Governo Estadual e da Prefeitura do Natal.

 

 

 

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Kamila Tuenia
Jornalista potiguar em formação pela UFRN, repórter e assessora de comunicação.

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