TRANSPARÊNCIA

Rio Grande do Norte tem quase dez mil casos de covid-19 quinze dias depois do Natal

Em apenas 15 dias, o Rio Grande do Norte registrou 9.853 casos e 165 mortes pelo novo coronavírus, o que dá uma média de 11 óbitos por dia. As contaminações ocorreram, justamente, no período após as aglomerações natalinas, entre os dias 25 de dezembro de 2020 e 10 de janeiro de 2021. Até este domingo (10), o RN tinha um total de 124. 278 casos, 63.269 casos suspeitos e 3.090 mortes por covid-19, sendo duas nas últimas 24 horas, nas cidades de Caicó e Arêz.

Se os números pós festas de natal já dão demonstrações de crescimento, eles podem ser ainda maiores após os 15 primeiros dias depois do réveillon, quando foram constatadas aglomerações em várias praias da capital, como Pipa e São Miguel do Gostoso, onde os protocolos de prevenção ao civid-19 foram, simplesmente, ignorados. Nas festas, que duraram dias, as pessoas estavam próximas umas às outras e sem máscara. Além disso, também foi observado desrespeito aos protocolos sanitários da covid-19 em vários bares da capital, já no dia seguinte ao réveillon, com muitos bares e restaurantes lotados.

Até a manhã desta segunda (11), o estado tinha três hospitais com 100% de ocupação dos leitos destinados a pacientes com covid-19; o Hospital Regional Dr Mariano Coelho, em Currais Novos; o Hospital regional Dr Cleodon Carlos de Andrade, em Pau dos ferros e o Hospital regional Hélio Morais Marinho, em Apodi. Outras unidades também apresentam situação crítica; o Hospital Giselda Trigueiro, em Natal, que está com 88,46% de ocupação; o Hospital Maternidade do Divino Amor, em Parnamirim, com 80% de ocupação; o Hospital Regional Dr Tarcísio de Vasconcelos Maia, em Mossoró, com 77,78% de ocupação; o Hospital São Luiz, também em Mossoró, com 75% de ocupação; o Hospital de Campanha de Natal, com 70% de ocupação e o Hospital Rafael Fernandes, em Mossoró, também com 70% dos leitos para pacientes com covid-19 ocupados.

Num panorama geral do estado, as taxas mais preocupantes de ocupação de leitos está na região Oeste (73,8%), seguida pelo Seridó (71,4%) e região Metropolitana de Natal (61,6%). No momento, dos 288 leitos clínicos para pacientes com o novo coronavírus, 125 estão ocupados e 154 disponíveis. Já em relação aos leitos críticos (UTI e semi-intensivos), de um total de 248, 161 estão ocupados e apenas 79 ainda disponíveis.

As cidades de Natal e Mossoró, que continuam apresentando números preocupantes foram, justamente, os municípios cujos gestores adotaram medidas pouco restritivas, com abertura antecipada do comércio e atividades econômicas. Na capital, o prefeito reeleito, Álvaro Dias, o Secretário Municipal de Saúde, George Antunes, e o presidente do Comitê Científico Municipal, Fernando Suassuna, defenderam uma política “preventiva” ao covid-19 com distribuição em massa de ivermectina. Medicação, cuja única comprovação científica de eficácia é atestada para o tratamento de vermes e parasitas como piolhos e lombrigas. Mesmo assim, a Prefeitura de Natal optou pela instalação de Centros de Profilaxia e Tratamento do Coronavírus para distribuição do medicamento. Segundo o secretário George Antunes, a Prefeitura de Natal adquiriu 1 milhão de comprimidos de ivermectina para distribuição em larga escala.

Natal

casos confirmados: 35.571

casos suspeitos: 22. 980

óbitos: 1.235

óbitos em investigação: 149

Mossoró

casos confirmados: 11.263

casos suspeitos: 4.217

óbitos: 272

óbitos em investigação: 46

Fonte: Dados Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap) até 09.01.2021

 

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