CIDADANIA

Ritmo de mutações do novo coronavírus é maior que o de vacinação, afirma cientista

Numa perspectiva otimista, enquanto a humanidade tem levado, em média, de seis a oito meses para desenvolver uma vacina contra o novo coronavírus, as variantes parecem surgir a cada dois meses. Uma situação que é agravada pelo ritmo lento de vacinação tanto no Brasil, quanto no mundo.

“Isso prejudica tudo pois estaríamos sempre ‘correndo atrás’ e nunca nos antecipando às novas variantes. O ritmo de mutações nesse pequeno período assusta a todos porque parece que estamos vivendo Charles Darwin e a Teoria da Evolução da Espécie em algumas semanas e meses. Isso provocou um descrédito em como as vacinas vão conter a pandemia no mundo. Os países só conseguirão vacinar os idosos e as faixas etárias mais altas até o final do primeiro semestre. Parece que a única alternativa, até então, é o lockdown para diminuir a carga viral e, assim, diminuir a taxa de infecção porque não parece que o ritmo de vacinação vai conseguir conter a pandemia”, alerta Jones Albuquerque, voluntário do Comitê Científico do Nordeste e cientista do Instituto para Redução de Riscos e Desastres (IRRD-UFRPE) e do Laboratório de Imunopatologia Keizo-Asami, da Universidade Federal de Pernambuco (LIKA-UFPE).

Por enquanto, ainda não se sabe se as vacinas desenvolvidas até agora são capazes de combater as mutações do novo coronavírus Sars CoV2. Um profissional de saúde na Itália foi contaminado com a variante brasileira do novo coronavírus, mesmo de pois de ter sido vacinado Pfizer/ BioNTech. O vírus foi identificado durante exames de rotina realizados em todos os operadores sanitários. As autoridades italianas estão fazendo novos exames, mas acreditam que a vacina tenha protegido o paciente de sintomas mais graves. Ele é assintomático e está em isolamento domiciliar, segundo reportagem do UOL. Já a publicação Science Alert divulgou que sete novas variantes do Sars CoV2 foram identificadas só nos Estados Unidos. Os cientistas ainda não sabem se a variante é mais contagiosa.

“A grande questão é se as vacinas contemplam as novas variantes porque quando elas foram desenvolvidas, estudadas e testadas, várias dessas variantes nem existiam”, explica Jones Albuquerque.

VACINAÇÃO NO RIO GRANDE DO NORTE:

População do RN: 3.534.165 / Número de vacinados: 80.693

Diagrama de Risco

No Diagrama de Risco, calculado pelo cientista, o Rio Grande do Norte apresenta uma grande variação de dados com muitas oscilações diárias, o que indica baixa confiabilidade nos números, porém, com uma taxa altíssima de infectantes por cada 100 mil habitantes.

A taxa de infectantes representa as pessoas que estão com covid-19 e em período de transmissão da doença. Quanto mais próximo da área vermelha, maior o risco de infecção por covid-19 e quanto mais próximo da linha verde, menor esse risco. No Rio Grande do Norte, a taxa de infectantes é de 450 para cada 100 mil habitantes. Para termos uma noção comparativa, nos Estados Unidos, por exemplo, 50 já é um número considerado um número alto.

Diagrama de Risco de Infecção I Imagem: cedida

PARA ENTENDER O GRÁFICO:

Cada bolinha é o risco daquele dia medido

Bolinhas apagadas: medições passadas

Bolinhas mais escuras: representam os últimos 30 dias

Bolinha azul: é o último dia calculado

Pico de hospitalizações

Além de terem aumentado nas últimas semanas, o número de hospitalizações tende a se manter em patamares mais altos no Rio Grande do Norte nos próximos dias, segundo o professor do Departamento de Física da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e membro do Comitê Científico do Nordeste responsável pelas modelizações da covid-19, José Dias do Nascimento Júnior.

Após o pico, nós deveríamos ter segurado as restrições por mais tempo, porque teríamos feito um gargalo da circulação do vírus. Como a abertura foi prematura, uma quantidade grande de expostos continuou circulando, que é o que mostra a figura A. Outro erro dramático que ocorre no Rio Grande do Norte, mas não em outros lugares, é um pico gigantesco em outubro, que resulta da superposição de dois efeitos: a abertura das escolas, juntamente com as campanhas eleitorais. As duas coisas acontecem na mesma quinzena de outubro. Isso causou um relance da doença, que é essa segunda onda muito rápida”, alerta o professor da UFRN.

Na avaliação do pesquisador, o aumento de casos é resultado do afrouxamento das medidas restritivas.

“Vemos um aumento das hospitalizações, como previsto pelos modelos e publicado na imprensa, até mesmo em matérias do Saiba Mais, para janeiro. Esse aumento não está saturado, deu uma caída, mas tem se mantido nesses patamares como mostra a linha tracejada, que indica 100% de ocupação. A gestão teve a possibilidade de fazer um enfrentamento mais forte, as aberturas prematuras colocaram o estado nessa situação de hoje. Os gestores colocaram a prioridade na economia, com medidas frágeis e deixaram o problema correr para que estourasse mais tarde”, critica José Dias do Nascimento Júnior.

Modelo EpideMic InfectiOus DiSease of lArge populatIon Code – MOSAIC – UFRN (José-Dias do Nascimento, Leandro de Almeida & Wladmir Lyra,)

 Prefeito de Natal volta a recomendar ivermectina

Em entrevista ao RNTV no início da tarde desta sexta (19), o prefeito de Natal, Álvaro Dias, voltou a recomendar o “tratamento precoce” com uso de ivermectina como medida de combate à covid-19. O prefeito de capital estava numa reunião com a presença da governadora do estado, Fátima Bezerra, além de outras autoridades como parlamentares, os reitores de universidades e do Instituto Federal (IFRN), além da polícia militar.

Até a tarde desta sexta, o Rio Grande do Norte já tinha um total de onze hospitais com 100% dos leitos críticos (semi-intensivos) ocupados e 159.072 casos confirmados de covid-19. Foram registradas até agora um total de 3.448 mortes pelo novo coronavírus, sendo três óbitos nas últimas 24h nas cidades de Natal (01), São Fernando (01) e Ceara-Mirim (01).

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