DEMOCRACIA

Os 10% dos mais ricos do RN ganham 46 vezes mais que os 10% mais pobres

A desigualdade social voltou a crescer no Rio Grande do Norte e a renda se tornou mais concentrada a partir de 2016. O cenário divulgado pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (Pnad Contínua) mostra um dado alarmante: 10% da população mais rica do Estado ganha 46 vezes mais que 10% da população mais pobre. Em dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (16), a renda mensal per capita de mais da metade da população potiguar é de apenas R$ 289.

Enquanto a população dos 10% mais ricos tiveram um aumento de 18% na renda mensal, passando de R$ 6.060 em 2017 para R$ 7.161 em 2018, a população mais pobre teve uma queda no valor: em 2017, obtinham como renda per capita R$ 168, número que caiu 7,7%, em 2018, ficando em R$ 155 reais. Isso significa que os mais ricos, no Rio Grande do Norte, ganham 46 vezes mais que a parcela mais pobre da população.
No Estado potiguar, população mais pobre e marginalizada da sociedade são os que mais sofreram redução na renda mensal per capita, enquanto a população mais abastada e rica viu cresceu seus rendimentos. A tendência, observada nacionalmente, revela que a concentração de renda não atingia níveis tão altos desde 2012.
No Brasil, se considerados apenas os trabalhadores com renda do trabalho, a fatia de 1% mais bem remunerada recebia R$ 27.744 mensais, o que corresponde a 33,8 vezes o rendimento dos 50% dos trabalhadores com os menores rendimentos, que recebiam, em média, R$ 820, menos que o salário mínimo em vigor no ano.
A parcela da população 1% mais rica – somente 2,1 milhões de pessoas – tinha renda média de R$ 16.297 por pessoa, no ano passado. Ou seja, essa pequena fatia da população ganhava quase 40 vezes mais que a metade da base da pirâmide populacional.
De acordo com a gerente do PNAD, Maria Lucia Vieira, os mais pobres ficaram mais pobres e os mais ricos ficaram mais ricos. Para a pesquisadora, o fenômeno tem relação com a crise no mercado de trabalho, que afetou especialmente o extrato de trabalhadores com menor qualificação e menor remuneração. “Continuam no mercado de trabalho aqueles que ganham mais”, justificou Maria Lucia Vieira.
Em 2018, os potiguares registraram o rendimento médio mensal real domiciliar per capita de R$ 944 no Rio Grande do Norte, o que significa um crescimento de 8,9% em comparação a 2017, com R$ 867. O rendimento médio nacional per capita foi de R$1.337, o que representa um crescimento de 4% em relação a 2017, R$1.285.
No Estado, as mulheres têm rendimento médio mensal de 81% da renda dos homens; no Brasil, de forma semelhante, o rendimento médio mensal é de 79% do obtido pelos homens. Já as pessoas pardas têm rendimento médio mensal equivalente a 73% das brancas; as autodeclaradas pretas, 66%.

O percentual de domicílios do Rio Grande do Norte que recebe Bolsa Família é o menor do Nordeste, 23,3%. Enquanto isso, o Maranhão representa a unidade da federação com maior proporção de residências com recebimento do principal programa de transferência de renda no Brasil: 37,4%.

O estado potiguar tem a menor taxa do Nordeste, mas ainda superior às médias dos estados do Sudeste e Sul. Entre estes, Minas Gerais tem o maior percentual, 10,3%. Santa Catarina é a unidade federativa com menor percentual, 2,5%.

Em todo o País, 10,4 milhões de pessoas (5% da população) sobrevivem com R$ 51 mensais, em média. Se considerados os 30% mais pobres, o equivalente a 60,4 milhões de pessoas, a renda média per capita subia a apenas R$ 269. Mesmo passada a crise econômica, a desigualdade se agravou. A renda domiciliar per capita dos 5% mais pobres caiu 3,8% na passagem de 2017 para 2018. Ao mesmo tempo, a renda da fatia mais rica (1% da população) cresceu 8,2%

 

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Pedro Torres
Pesquisador e jornalista com foco em direitos humanos, política e tecnologia baseado em Natal/RN. CONTATO: pedrohtorres@outlook.com

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