TRANSPARÊNCIA

RN é um dos 6 melhores do país e segundo do Nordeste no uso da ciência contra a covid-19

O Rio Grande do Norte foi classificado como um dos seis melhores estados do Brasil no uso da ciência para o combate à pandemia de covid-19. O estado recebeu a nota 9,2, ficando atrás apenas de Paraíba, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo e empatado com o Espírito Santo.

Os dados são da pesquisa “Ciência e pseudociência durante a pandemia de covid-19: o papel dos ‘intermediários do conhecimento’ nas políticas dos governos estaduais no Brasil”, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e assinado pelo técnico de planejamento da Diretoria de Estudos e Relações Econômicas e Políticas Internacionais (Dinte), Rodrigo Fracalossi de Moraes.

O estudo avaliou a atuação dos comitês científicos e a interação deles com os entes responsáveis pela aplicação das políticas de combate à Covid-19 nos estados. Foram avaliados os comitês potiguares que atuam junto às secretarias de Estado da Saúde Pública e da Educação.

Desde 19 de março de 2020, o governo conta com Grupo Consultivo de Especialistas no Âmbito do Comitê de Enfrentamento às Emergências em Saúde Pública de Importância Estadual. No dia 9 de setembro do mesmo ano, foi instituído também o Comitê de Educação para Gestão das Ações de Combate da Covid-19 no Âmbito do Sistema Estadual de Ensino.

O estado é citado como um dos únicos a criar comitê interdisciplinar: “comitês interdisciplinares foram observados em alguns casos. Nestes, houve a participação de integrantes de disciplinas de diferentes áreas da saúde e de outras disciplinas, como as de comunicação social, ciência de dados, psicologia, serviço social, dentre outras. Isto ocorreu, por exemplo, nos casos do Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul. No entanto, este foi o ponto mais deficiente nos arranjos institucionais de enfrentamento à pandemia no país, observando-se uma média de 1,2 para o Brasil como um todo”.

No levantamento, o RN despontou com os melhores indicadores em termos de transparência e influência dos comitês. A avaliação cai quando o critério é “tempestividade”. Enquanto a maioria dos estados agiu de forma rápida, no RN foi considerada média, bem como em Sergipe, Roraima e Distrito Federal.

O Rio Grande do Norte também obteve as melhores pontuações ao afastar o uso de medidas não-científicas, como recomendação do suposto “tratamento precoce/kit covid” ou a busca pela imunidade de rebanho.
As unidades nas quais menos se observaram características de um arranjo institucional capaz de processar evidências científicas de qualidade foram Mato Grosso, Roraima, Alagoas, Amapá, Maranhão, Rio de Janeiro e Acre.

Dentre as medidas ou recomendações que são anticiência, o “tratamento precoce” por meio do uso de medicamentos foi a mais comum, sendo observada em 14 estados. Como exemplo, no Amapá, Maranhão e Pará, o governo estadual distribuiu medicamentos sem eficácia contra a covid-19 para unidades básicas de saúde ou recomendou seu uso na forma de “tratamento precoce”. No Mato Grosso foram criados locais para a distribuição dessas drogas, sem receituário médico.

“A pandemia de covid-19 demonstrou a importância não apenas da utilização de evidências científicas, mas também da popularização da ciência como instrumento de saúde pública. Quanto mais pessoas tiverem conhecimento sobre o que é a ciência – e como ela pode (e deve) ser utilizada – menor a probabilidade de que informações falsas ou distorcidas sejam influentes, e maior a probabilidade de que a população demande do Estado políticas baseadas em evidências.”, ressalta conclusão do estudo.

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Isabela Santos
Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais