CULTURA

RN ganhará museu dedicado à história da música potiguar

Pelo menos 100 anos de história da música feita no Rio Grande do Norte ganharão espaço próprio para conservação, apreciação e estudo com a criação do Museu da Música Potiguar Brasileira.

O anúncio foi feito nesta segunda-feira, 19, pela governadora Fátima Bezerra (PT), durante visita a antiga sede da Junta Comercial do RN, no bairro Ribeira, local que deve receber as coleções.

Apesar da confirmação e anúncio oficial, o projeto ainda não tem orçamento nem previsão de lançamento:

A decisão já está tomada: teremos, sim, neste prédio belíssimo, vizinho ao Teatro Alberto Maranhão e próximo à Casa de Cascudo, o Museu da Música Potiguar Brasileira. O povo potiguar merece esse importante equipamento de preservação de nossa memória musical”, publicou a gestora nas redes sociais.

 

 

Inaugurado na década de 1930, o prédio escolhido para receber o Museu integra o corredor cultural do bairro Ribeira e foi tombado em 1992. Foto: Divulgação.

A pesquisadora Leide Câmara de Oliveira, autora do Dicionário da Música do Rio Grande do Norte, guarda mais de 30 mil músicas e 6 mil intérpretes e compositores do estado. O material será utilizado no novo espaço.

“Temos a obra de todas essas músicas: quem gravou, participações, ficha-técnica”, explica Câmara. Toda essa história de cada obra e músico, tudo isso a gente tem no acervo. Além da trajetória dos versos, ela também dispõe de objetos, vestimentas, troféus, e instrumentos musicais que pertenceram a ícones do estado, como o violão de Antônio 7 cordas, compositor e violonista ou ainda o acordeom de Chiquinha do Acordeom.

Ainda estão no catálogo a obra de Elino Julião, forrozeiro, nascido em Timbaúba dos Batistas; Hianto de Almeida, compositor que fez parte do movimento Bossa Nova e gravou apenas dois discos próprios, onde canta acompanhado de Tom Jobim, mas foi um dos músicos do RN mais regravados por nomes nacionais; a obra de Ademilde Fonseca, rainha do chorinho, dentre muitos outros.

Segundo a pesquisadora, que começou a pesquisa em 1996, o diferencial do museu potiguar é caracterizar “genuinamente” a produção do Estado. “São pontos que a gente deve mostrar para as nossas gerações e preservar essa história”, defende.

Quem também ficou satisfeito com a novidade foi o produtor musical José Dias que destaca a participação de artistas norte-rio-grandenses em todos os movimentos musicais da MPB desde, pelo menos, a década de 1940.

Fomos importantes em Vários Movimentos. No Surgimento do Coco (Chico Antonio), no fato do Choro ser Cantado (Ademilde Fonseca), no Surgimento dos Grupos Vocais nos anos 40 (Trio Irakitan}, no pre sugimento da Bossa Nova (Raimundo Olavo), No surgimento da Bossa Nova (Hianto de Almeida), no Auge do Forro (Severino Ramos e Elino Juliao) e no Frevo com Dozinho”, remonta.

Dias é responsável pela aula-espetáculo “A Música Brasileira e o RN”, onde destaca a história de músicos da terra com a trajetória musical do país.

“A música representa uma das nossas principais potências culturais”, reforçou Fábio Lima, diretor da Fundação José Augusto, responsável por levar o projeto adiante.

Na mesma linha, Leide Câmara, formada em Educação Artística pela UFRN, defende que resguardar e apresentar essa história favorece a identidade potiguar. “Quando eu viajava, todo mundo cantava uma musica do Rio de Janeiro, de outras cidades, e o RN? Agora nós podemos dizer o que temos aqui, dos músicos, das musicas e obras”, define a autora.

 

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