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Governo deve convocar voluntários para remover óleo no litoral

A Defesa Civil começa, hoje, a cadastrar voluntários para atuar em mutirões para a remoção de óleo em praias potiguares que forem atingidas pelo óleo que tem aparecido, há dois meses, no litoral do nordeste. O cadastro será efetuado até quarta-feira (23), através da internet. Na quinta (24) e sexta-feira (25), o órgão promoverá a capacitação direcionada desses voluntários cadastrados. A ação é parte do Plano de Resposta e Mitigação de Desastre para tratar do derramamento de óleo nas praias que atinge o litoral do Estado.
O governo decidiu formar um Gabinete de Gestão Integrada (GGI) após reunião na sede do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do RN (Idema). O novo órgão é de responsabilidade da Defesa Civil Estadual e atuará na elaboração de ações para controlar e combater o óleo que vem atingindo as praias da região Nordeste, incluindo o litoral do Estado.
De acordo com o Governo do Estado, a ação complementa o Comando Unificado de Incidentes, que havia sido criado com intuito de aproximar os demais estados na busca de informações e articulações das atividades para o controle e a prevenção dos danos causados pelas manchas de óleo que se espalharam pelas praias do Nordeste.
“Apesar de estarmos em uma condição menos grave em relação a outros estados, como Bahia e Sergipe, no quesito derramamento de óleo, nós não podemos esperar que o mal nos atinja para agir. Então, que seja feito o pedido oficial ao Governo Federal para enviar equipes da Petrobras e das Forças Armadas para auxiliar os municípios atingidos”, disse a governadora Fátima Bezerra.
O Instituto de Defesa do Meio Ambiente (Idema) realizará outra operação na terça (22) e na quarta (23); e, em paralelo ao monitoramento, durante toda semana, haverá uma nova rodada de orientação aos municípios sobre coleta e armazenamento voluntários.
De acordo com último levantamento feito pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), na última quinta-feira, 17, o Rio Grande do Norte teve, em quantidade de material, apenas uma região com mancha de óleo, localizada na praia em Barra de Tabatinga, na região conhecida como praia das Tartarugas, no município de Nísia Floresta. Há registro de outros 23 pontos com vestígios esparsos e 19 pontos estão classificados como não observados.
Plano de ação 
Após ter sido notado quantidades expressivas do material espalhado na costa de Pernambuco, nos municípios de São José da Coroa Grande e Tamandaré, a preocupação do Governo do RN aumentou. Em reunião na sexta-feira (19), a governadora discutiu com representantes de secretarias e órgãos estaduais sobre o Comando Unificado de Incidente, grupo formado para monitorar o óleo que tem aparecido nas praias do RN e em outros estados do Nordeste.
Na ocasião, a governadora Fátima Bezerra determinou a manutenção das estratégias de ações, caso a costa do Rio Grande do Norte venha a ser atingida por uma quantidade maior de óleo do que vem sendo registrado pelo Ibama até momento.
Entre as resoluções estabelecidas pelo Comando estão a execução de um Plano de Ação; a análise do pescado e da qualidade da água; o monitoramento das áreas sensíveis; criação de mutirões de limpeza (em parceria com a sociedade civil); a solicitação de apoio das entidades representativas da iniciativa privada; e a divulgação de informações periodicamente.
De acordo com o diretor-geral do Idema, Leonlene Aguiar, “o trabalho tem sido constante desde quando os primeiros pontos de óleo surgiram na orla do RN. Entretanto, é preciso contar com a maior aproximação da União, para o fortalecimento das atividades desenvolvidas pelos gestores municipais. Algumas prefeituras não têm como armazenar os resíduos de forma adequada nem contingente humano para recolher o material nas áreas afetadas”.

Foram verificadas manchas de óleo em toda a extensão de 26 km da costa litorânea de Nísia Floresta, que compreende as praias de Pirangi do Sul a Barreta. O tenente-coronel Marcos Carvalho, da Defesa Civil Estadual, descartou a possibilidade de decreto de calamidade pública, pois até agora a situação se mantém controlada. “Ainda não há laudos conclusivos sobre o risco de contaminação do pescado e dos estuários”, afirmou.

A secretária de estado do Turismo, Ana Maria Costa, sugeriu a realização de um mutirão para coleta do óleo residual e esclareceu notícias de que o Rio Grande do Norte teria sido o mais atingido. “vamos continuar agindo para limpar ao máximo essa terrível mancha que o óleo trouxe para o turismo potiguar”, afirmou.

Segundo a professora da UFRN, Liana Mendes, uma das fundadoras da ONG Oceânica, o momento não é de alarde, mas de atitude, para que o problema seja minimizado. A professora também alertou sobre a toxicidade do óleo e recomenda que banhistas se mantenham o mais longe possível das manchas. “Se tiverem algum contato, lave com bastante água corrente e remova com algum óleo, como o de coco”.

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