CIDADANIA

RN mantém intervalo de 90 dias entre doses da AstraZeneca, seguindo Ministério da Saúde

Alguns lugares do mundo, inclusive estados brasileiros, reduziram o intervalo entre as duas doses da vacina AstraZeneca, mas o Rio Grande do Norte decidiu manter o período de 90 dias, garantindo maior taxa de imunização e seguindo orientações federais.

Na semana passada, Acre, Espírito Santo, Pernambuco, Piauí, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina encurtaram esse tempo para 60 dias. A Fiocruz, que produz a AstraZeneca no país, diz que o intervalo entre as doses pode variar.

O Ministério da Saúde informou que o tema foi discutido amplamente na Câmara Técnica Assessora em Imunizações e que o parecer foi pela manutenção do intervalo maior, de 90 dias. Os governos estaduais não precisam seguir o parecer.

A intenção, ao antecipar a aplicação da segunda dose da AstraZeneca, é avançar mais rapidamente na imunização coletiva. O que mais preocupa é a variante delta do coronavírus, que tem alto poder de transmissão e contra a qual apenas uma dose da AstraZeneca não protege.

A professora titular do departamento de Microbiologia e Parasitologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Janeusa Trindade, lembra que contra a cepa original a primeira dose já protege 76%, o que não acontece com a variante já encontrada no Maranhão, no Paraná e em São Paulo.

Em contrapartida, a proteção geral com a redução do intervalo entre as doses cai de 82% (quando administrada em 90 dias) para cerca de 63% (entre 30 e 60 dias).

“No estudo de fase 3 da vacina, publicado em dezembro de 2020 na revista The Lancet, observaram que com 90 dias foi a melhor eficácia. Entre 1 mês e 8 semanas, variaram de 60 a 63%. Então, se quer agilizar, tanto faz um mês ou dois. Mas o que todos os cientistas alertam é que não adianta diminuir o intervalo se liberar as medidas de restrição, porque a vacina sozinha não funciona”, adverte a especialista potiguar, completando que o Reino Unido fez essa diminuição para 60 dias, mas sem melhora significativa do quadro epidemiológico.

Janeusa Trindade destaca que há países em que, apesar da vacinação ter avançado, foi preciso retroceder as medidas. É o caso de Israel, que voltou a impor o uso da máscara em lugares públicos fechados. A Austrália também deu um passo atrás. Com a primeira morte por covid-19 registrada no domingo (11), já confinou alguns bairros de metrópole Sydney.

Informação divergente no RN + Vacina

Algumas pessoas têm relatado confusão nas datas cadastradas na plataforma RN + Vacina. A geógrafa Heloísa Cruz disse que sua mãe recebeu a primeira dose no dia 3 de maio em Natal, que a informação só foi inserida no dia 27 daquele mês e indicava inicialmente que deveria voltar a um ponto de vacinação entre os dias 12 de julho a 1º de agosto.

“Hoje, no ponto do Sesi, informaram a ela que não seria possível a aplicação da segunda dose em intervalo menor que 90 dias. Depois disso modificaram o intervalo. Está entre 22 de julho e 1º de agosto”, contou.

“Se aplicam aos 90 dias, coloquem o período correto. Muitas pessoas consultam a plataforma, se encaminham para a vacinação e não estão conseguindo. Minha mãe ouviu de outra pessoa que se for negada mais uma vez ela desistirá da vacinação. Isso é grave”, reclamou Heloísa.

O Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (LAIS/UFRN), que desenvolveu a plataforma em parceria com o governo do estado, explicou que o site indica automaticamente o período para a segunda dose de acordo com a bula de cada tipo de imunizante.

No caso da AstraZeneca/Oxford, esse prazo está entre 80 e 90 dias após a D1 e isso foi acordado com as gestões municipais dos principais municípios do RN durante a formatação da plataforma. Ainda de acordo com o LAIS, a plataforma mostra o período, e não uma data apenas, principalmente para que a população não entenda que se trata de um agendamento.

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Isabela Santos
Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais

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